junho 15, 2022

InterPlay: O que é que o teu corpo te diz?

Comecei o dia com um círculo de InterPlay, uma ferramenta que nos ajuda a explorar a criatividade e novas possibilidades através do movimento corporal, story telling e do som.
Este evento gratuito faz parte do círculo mensal da GENOA (Global Ecovillage Network Oceania & Asia), que acontece todas as luas cheias, com o intuito de nutrir o nosso bem-estar e a paz no mundo.

Estiveram presentes pessoas de todo o mundo e eu fiz par numa atividade com uma pessoa que vive numa ecoaldeia na Austrália.
Foi espetacular 🤗


Desde pequenos somos habituados a decidir as coisas pelo raciocínio, pela lógica. Quando quero decidir uma situação mais complexa muitas vezes coloco num papel os prós e contras e tento fazer um balanço. E fico neste plano mental.
Comecei a reparar que muitas vezes, ainda assim, era difícil chegar a uma decisão. A decisão lógica e racional levava-me para um lado, mas a excitação e o entusiasmo levavam-me para o outro. Outras vezes era uma névoa. Dava tantas voltas à cabeça e quanto mais pensava, mais confusa ficava. Já nem sequer sentia atração ou repulsa por nenhum dos dois lados.

A falta de resposta na mente tem-me feito ir à procura de outras formas de me ouvir, nomeadamente o corpo. Estamos tão habituados às palavras e o corpo diz tão mais sobre nós! (E olha que eu falo pelos cotovelos 😅)

Hoje começo a perceber que quando penso numa coisa que me dá uma volta na barriga, aumenta-me o ritmo cardíaco, deixa-me excitada ao mesmo tempo com medo, envergonhada, e a minha mente diz "acalma-te, isso era muito fixe, mas não é assim tão fácil, isso não é para ti". É sinal de que é ali que está a minha paixão, a minha oportunidade de crescer e de viver a vida no seu potencial. Independentemente das razões mais ou menos lógicas, o meu caminho é por ali.

A partir daí é ir dando passos nessa direção. Os passos que forem mais confortáveis dar naquele momento da minha vida. Dificilmente me atiro de cabeça para alguma coisa, mas a vida faz o trabalho de constantemente me mostrar o caminho do meu coração, seja através de sentimentos de vazio, de dúvida e dilema, de frustração, ou de sentimentos de excitação e de luz, oferecendo a oportunidade de, a cada momento, dar mais um passinho na sua direção.

O segredo é sermos gentis para connosco e nunca nos abandonarmos a nós e aos nossos sonhos. Seguir o coração é uma grande arte, que para a maior parte de nós é uma aprendizagem para toda a vida.
Contentamo-nos com aquilo que nos é dado, pensando que a vida é difícil, é dura, e há um sacrifício adjacente. E a vida é apenas uma dança, que pode ser divertida, leve e criativa. Tudo depende da forma como a escolhemos dançar...

O que é que o teu corpo diz ao ler este texto? Notas alguma reação? Traz borboletas na barriga? Que imagens ou sentimentos foram despoletados? O que querem eles dizer sobre ti e sobre o que ainda queres fazer?

Pára uns segundos e escuta. O teu coração está a falar contigo 💕



Se quiseres saber mais sobre InterPlay, deixo abaixo uma breve descrição e os sites para saberes mais:
"Play is a deceptively simple, yet powerfully transformative activity. It happens in an atmosphere of high appreciation and low expectations. Time slows down by the virtue of being present in our bodies and present to each other and in this newfound spaciousness stress dissolves, our conditioned reactivity is held and we are curious and playful again. Our innate creativity comes alive and we experience ourselves as storytellers, musicians, dancers and poets. As Creators, not only consumers of art.
We open and improvise; we pause, breathe, not-know and meet what is given in a new way.We create future, not just repeat the past.
This 1hr session will give a taste of InterPlay while exploring the theme of Belonging through simple body-based forms of movement, sound, and story. Incrementally and with ease."


More about InterPlay:
https://vimeo.com/392796580
https://www.interplayaus.com.au/



Encontramo-nos na próxima descoberta inspiradora 😉

Raquel
Digital Nomad, Blogger, Traveller, House & Pet Sitter

junho 08, 2022

Nómadas Digitais impulsionam desenvolvimento rural sustentável?

Hoje de manhã estive à conversa com os alunos do mestrado em Gestão e Planeamento em Turismo pela Universidade de Aveiro, com o tema:
Nómadas Digitais no meio rural em Portugal. Um potencial impulsionador do desenvolvimento rural sustentável?

Falamos um pouco sobre este mercado de turismo emergente e em expansão: quem são estes nómadas digitais, o que gostam de fazer, que lugares procuram para ficar, que plataformas sociais utilizam, quais os seus desafios e o que procuram num espaço de coliving. Falamos ainda dos impactos que este novo turismo pode trazer nas zonas rurais.

Muitas referências foram trocadas, nomeadamente algumas das principais referências de trabalho nesta área em Portugal, o Gonçalo Hall, TravelB4Settle.

É maravilhoso assistir e fazer parte deste movimento de defesa e preservação da nossa cultura e território rural, ao mesmo tempo que recebemos de braços abertos tanta gente que quer vir visitar e mesmo viver para as zonas rurais de Portugal.
Portugal é sem dúvida um paraíso! Nós somos os anfitriões desta nossa casa e para mim faz parte da nossa missão enquanto representantes do turismo protegermos, enquanto integramos estas pessoas nas nossas vidas e na nossa cultura.
Eu acredito que o turismo de consumo passivo tem os dias contados. Hoje em dia as pessoas procuram conectar-se de forma diferente com os locais que visitam e, sobretudo, fazer parte duma experiência única. E não há nada mais único do que a autenticidade que cada um de nós tem para oferecer 💕

Se quiseres saber mais sobre nomadismo digital e obter mais referências de pessoas e projetos, recomendo-te leres o meu artigo:


"Food for thoughts" para o dia de hoje.

Um beijinho e um dia feliz 💫



Encontramo-nos no próximo devaneio inspirador 😉

Raquel
Digital Nomad, Blogger, Traveller, House & Pet Sitter

maio 12, 2022

De que forma me permito ousar?

Vi esta frase tão conhecida numa paragem de autocarro em Aveiro e pus-me a pensar...De que forma me tenho permitido ousar?
E de que forma tenho permitido que as pessoas à minha volta tenham a ousadia de pensar, sentir e viver diferente de mim?

Uma crítica à ousadia alheia vem sempre, primeiramente, de uma autocrítica.

O que vai cada um de nós fazer hoje para ser mais ousado e arriscar viver a sua verdade?


"Food for thoughts" para o dia de hoje.

Um beijinho e um dia feliz 💫



Encontramo-nos no próximo devaneio inspirador 😉

Raquel
Digital Nomad, Blogger, Traveller, House & Pet Sitter

abril 14, 2022

O Trabalho Remoto como oportunidade para jovens em contexto de vulnerabilidade social

Através do projeto Isla Remota, eu e mais duas amigas fomos dar um workshop sobre Trabalho Remoto aos utentes duma Associação Social e Cultural na Gran Canaria.

O propósito deste projeto é fazer um encontro entre organizações sociais e trabalhadores remotos / nómadas digitais, como forma de intercâmbio cultural e profissional.
Nós escolhemos colaborar com a TribArte, mais especificamente no seu projeto DandoconlaTecla, que se centra na formação de jovens que estão fora do circuito formativo, com diferentes ferramentas pessoais e digitais, que lhes permitam reintegrar-se novamente e procurar emprego. A ideia é então conectar com trabalhadores remotos e nómadas digitais, abrindo o véu para novas possibilidades de emprego remoto.

O projeto Isla Remota encantou-me desde o início, pela sua missão, até porque duma forma geral, vê-se muita carência social e tecnológica nas ilhas. Uma das coisas que me vim apercebendo é que é comum os jovens e a população em geral não saber falar Inglês e isso é um factor extremamente limitante nos dias de hoje, especialmente com a elevada taxa de desemprego jovem que existe na Gran Canaria.


Os nossos objetivos

O nosso objetivo neste evento foi o de passar a ideia de que para se ter um trabalho remoto, pela internet, não é necessário ter uma formação especializada em informática, que existem muitas atividades que se podem fazer online. Ao mesmo tempo que fomos passando a nossa visão de vida, que é rica em experiências com pessoas e culturas e, ao mesmo tempo, muito leve em termos materiais.
Foi uma experiência de imenso valor para nós podermos conectar com os sonhos e ambições destes jovens, com o estilo de vida que procuram, com os seus desafios, e deixar ali um espaço em aberto para começar a desenhar este projeto de vida. O projeto de cada um.


Descrição da atividade

Descrevendo mais em pormenor a atividade, começámos com uma dinâmica que nos ajudou a mapear o lugar em que estes jovens se encontram em relação à profissão que querem ter no futuro, se já conhecem pessoas que estejam nessas profissões, que estilo de vida procuram, etc.

A importância das experiências de educação não formal: o voluntariado

Falamos na importância das experiências de educação formal, como os cursos e a universidade, que nos abrem imenso a mente, mas neste contexto sobretudo focamo-nos na importância das experiências não formais, como por exemplo o voluntariado, de experimentar executar as tarefas inerentes à profissão que queremos desempenhar, porque só experimentando é que realmente sabemos como é o dia-a-dia de cada profissão.

A importância de nos relacionarmos com pessoas que estão no lugar onde queremos chegar

Falamos ainda na importância das ligações, de falarmos com pessoas que têm experiências diferentes, que nos abrem a mente a novas realidades e perspetivas, e também da importância de nos entrusarmos nos meios onde queremos viver e participar. A melhor forma de nos tornarmos em algo que queremos é relacionarmo-nos com pessoas que são o que queremos ser. Muito mais facilmente iremos aprender com ela e tornarmo-nos como elas.

Mapa dos sonhos e das dificuldades

Falamos muito de paixões, de vocações e profissões de sonho, mas também de dificuldades. Mapeamos a situação atual deste grupo e percebemos como o dinheiro é um entrave tão comum entre todos. E percebemos que existem duas opções: uma é pensar em formas de ganhar mais, outra é pensar em formas de gastar menos, renunciando muitas vezes ao consumismo que tantas vezes nos assalta.
E questionámo-nos, ainda, sobre quanto dinheiro precisamos para concretizarmos os nossos sonhos. Será que o dinheiro é mesmo o maior limitador da nossa ação?

O Projeto de Vida

Deste mapeamento resultou um trabalho interessante que levaram para casa, com a sugestão agora de se juntarem novamente e se entreajudarem, para fazerem um projeto de vida. Pensando no objetivo final e nos pequenos passos a concretizar até lá.



Conclusão da experiência

Eu confesso que adorei a experiência! Como sabem, no passado trabalhei durante vários anos com jovens em situação de vulnerabilidade social e voltar a fazê-lo compilando agora outras experiências que fui tendo ao longo dos anos é maravilhoso! É como se honrasse todo o caminho para trás e o integrasse numa só Raquel 🦋

Isto faz-me lembrar que muitas vezes colocamos demasiada pressão nos cursos e na profissão que queremos seguir, como se tivesse que ser para a vida toda, e esta etapa é apenas o início duma jornada de evolução a que nos propomos.

Para além disso, reunir pessoas com um objetivo em comum e trabalhar em grupo faz-me sentir como um peixinho na água. Adoro as sinergias que se criam quando trabalhamos em grupo, quando partilhamos experiências a partir da voz do nosso coração! A tendência para o individualismo e para a competição tem-nos dificultado tantas vezes a vida e nestes momentos percebo o poder de um grupo e a oportunidade que nos oferece de crescermos e irmos muito mais longe, juntos!

Grata à TribArte, Isla Remota e Talleres Palermo, às minhas colegas Sara Silva e Melody por este momento de crescimento coletivo 🙏

Lê o feedback da TribArte sobre esta palestra.



Lista de recursos

No final facultamos uma lista de recursos online, desde artigos com exemplos de profissões remotas que se podem ter, a sites onde podem fazer cursos gratuitos online, e onde se podem encontrar oportunidades de trabalho remoto. Deixo-te aqui alguns exemplos desses recursos:




Exemplos de profissões que podem ser remotas

Vídeo da Remote Portugal: O que fazem os nómadas digitais?

Nomadismo Digital: Exemplos de atividades 


Lista de websites onde se podem encontrar oportunidades de trabalho remoto


https://www.upwork.com/

Recomendo o artigo As 5 únicas formas de ganhar dinheiro online dos TravelB4Settle, assim como o trabalho desenvolvido por eles nesta área.


Comunidade de Trabalho Remoto e Nomadismo Digital em Portugal

Remote Portugal




Podes ler mais sobre Nomadismo Digital nas stories do meu Instagram e no meu blogue, seguindo a etiqueta Como é ser Nómada.



Beijinhos e abraços!

Encontramo-nos na próxima história de nomadismo digital 😉

Raquel
Digital Nomad, Blogger, Traveller, House & Pet Sitter

abril 06, 2022

Camino de Santiago de Gran Canaria, 3 etapas

Partimos para mais uma aventura: Caminho de Santiago da Gran Canaria 👣
O Caminho de Santiago da Gran Canaria é uma das rotas pedestres mais bonitas e mais duras da Gran Canaria.
É um trilho de 66km em montanha e um desnível total de 2.750m. Atravessa a ilha de sul a norte, de Maspalomas a Gáldar, a primeira capital de Gran Canaria, onde está a Igreja Matriz de Santiago de Los Caballeros, a única sede Jacobea localizada fora do continente europeu.
Esta rota é um caminho entre vulcões, que atravessa um contraste de paisagens. Através deste caminho, temos a oportunidade de descobrir a ilha duma forma muito autêntica, e de nos envolvermos com a sua fauna e flora. É uma verdadeira viagem ao coração da ilha!

Fomos 5 amigas, a Sara vocês já conhecem, é a minha companheira de casa na Gran Canaria. A Mari é local aqui da ilha, a Melody é Alemã e a Stefy é Eslovaca. Ambas estão por cá a passar o inverno, enquanto trabalham remotamente, pela internet.

Podes ver mais fotografias e acompanhar a viagem pelos nossos stories do Instagram.



Preparação da viagem

Para nos preparar-nos para a viagem, pesquisamos alguns sites na internet, combinamos fazer algumas caminhadas de preparação juntas e discutimos o que levar na mochila.

O que levar na mochila

Se quiseres saber o que costumo levar na mochila para o Caminho de Santiago, recomendo-te leres o meu artigo: O meu Caminho a Santiago de Compostela e encontrarás mais informação sobre como te preparares para o Caminho.
Para este caminho especificamente, eu diria que um dos itens imprescindíveis a trazer é um casaco impermeável e corta-vento, com carapuço. Isto porque atravessamos zonas com temperaturas e condições atmosféricas muito diversas e, algumas delas, com muita exposição ao vento.

Onde dormir

Ao contrário de outros Caminhos de Santiago, na Gran Canaria não existe uma rede de hostels, ou de infraestruturas para o peregrino, o que complica um pouco mais o planeamento e encarece a estadia, porque temos que dormir em casas rurais.

Em Tunte dormimos no Rural Suite Santiago de Tunte, um apartamento para 7 pessoas com cozinha, que recomendamos muito.
A noite da 2ª para a 3ª etapa foi passada em Las Palmas, porque por motivos de trabalho não pudemos fazer os 3 dias seguidos. Por isso no fim de semana seguinte voltamos ao ponto de início da 3ª etapa, e começamos a caminhar daí.

Links de pesquisa úteis

Para me ajudar no planeamento da viagem, usei estes dois sites:
Local Guide Gran Canaria
Senderismo Gran Canaria



O nosso Caminho de Santiago, em 3 etapas

Fizemos o Caminho de Santiago no mês de Março, em 3 etapas:

1. Faro de Maspalomas - Tunte 28km
1.200m+ 340m-; 9h de caminhada

No primeiro dia apanhamos o autocarro de Las Palmas às 8:15 da manhã, em direção a Maspalomas.
Começamos no sul da ilha, com uma paisagem muito árida e cálida. A etapa mais longa e mais plana de todas. A menos bonita, na minha opinião, mas que foi importante para ver os contrastes e para apreciar muito mais as paisagens seguintes.

O caminho está todo muito bem sinalizado, à exceção dos primeiros 5km que se fazem por asfalto, dentro da cidade de Maspalomas. Quando saímos da cidade e entramos no barranco é que começou a haver sinalização e o caminho começou a ficar um pouco mais interessante.
Embora tenha algumas subidas, esta etapa é mais difícil pelo calor do que pela inclinação. Há muito sol, o caminho é maioritariamente em terra, com algum pó e a paisagem é muito desértica, por isso aconselha-se a levar roupa clara, chapéu, protetor solar, 2 litros de água e comida, até porque o primeiro ponto onde há água e comida à venda é em Fataga, a 22km de Maspalomas.




2. Tunte - Cruz de Tejeda 16km
1.050m+ 460m-; 7h30 de caminhada

O segundo dia começou em Tunte, uma vila muito local, onde jantamos e pernoitamos, e dali começamos logo a subir uma calçada antiga, tão característica dos Caminhos de Santiago, com vistas espetaculares! Os primeiros quilómetros foram sempre em subida íngreme, até ao topo das montanhas (+1.050m), mas com umas vistas tão bonitas, que não era penoso parar para respirar e apreciar a vista.
Por causa do nível de esforço e porque esta parte do caminho é realmente inspiradora, fomos a caminhar de forma muito individual, cada uma no seu silêncio e processo de interiorização. Foi engraçado como aconteceu tão naturalmente! Por um lado, não havia fôlego para conversar, e por outro aquela parte do caminho convidava mesmo ao retiro. A minha preferida, sem dúvida!



A Stefy não resiste comprar torrões canários, mas está a rir-se, porque sabe que lhe vai pesar mais um bocadito na mochila 😅


3. Cruz de Tejeda - Gáldar 21km
450m+ 1.800m-; 7h de caminhada

O terceiro dia começou com uma subida de 200m+ por 2km, mas depois foi praticamente sempre a descer, tendo sido um exercício mais exigente para os joelhos e para os gémeos, do que cardio.
Teve paisagens fantásticas do topo, com muito verde, mas no final já nos doíam as pontas dos dedos dos pés, porque estávamos sempre a descer. Houve uma parte da descida que foi mais exigente, de alguns metros, porque o piso resvalava um pouco, mas depois vimos um outro peregrino que foi por um caminho ao lado que parecia bem mais fácil. Da próxima vez já sabemos!

Apesar de pensarmos que seria a etapa mais fácil, acabou por ser a mais difícil para todas, porque apanhamos uma tempestade com chuva e ventos de 80km/h! E como estávamos mesmo no topo das montanhas quando aconteceu a tempestade, quase voamos! 😅
Houve um momento em que pensamos mesmo em abortar missão e regressarmos de autocarro, mas decidimos insistir novamente e caminhar mais um pouco até à próxima vila e nessa altura, meio em jeito de brincadeira, meio a sério, pedimos a Santiago que nos desse um sinal. Se fosse para continuar traria sol, se fosse para virmos embora traria tempestade. E uns segundos depois veio sol e chuva ao mesmo tempo, olhamos para o céu e parecia que as nuvens se estavam a dissipar um pouco com o vento e pensamos: "bem, parece que isto é um sinal de que as coisas vão melhorar". E continuamos a caminhar até ao nosso destino final, a Gáldar.




Conclusão da experiência:

O Caminho é realmente uma boa metáfora da vida!
Às vezes estamos quase a desesperar, mas é bom lembrar que tudo passa e que depois da tempestade vem sempre a bonança, como diz o ditado.
Às vezes precisamos de nos entregarmos à experiência, de confiarmos e pensar que mesmo que aquele não seja o caminho mais fácil, é o nosso caminho. E que mesmo que estejamos a sofrer e que não faça sentido naquele momento, no final irá fazer tudo sentido e irá valer muito a pena!

Gostei muito e quero repetir, pelas paisagens, pelo caminho em si, pela experiência de viver o Caminho com outras pessoas!
Foi muito interessante caminhar com um grupo de mulheres tão maduras! Todas nós já vivemos momentos de transição na nossa vida. Conversamos muito sobre as nossas mudanças, sobre a jornada de cada uma em relação àquilo que para si é o propósito de vida e, sobretudo, divertimo-nos muito! 
Mesmo depois de uns bons quilómetros nos pés, ainda tínhamos fôlego para brincarmos e até para dançarmos 😄💃


E tu, gostavas de fazer este Caminho?

Envia-me um email para info@overtrail.com
e organizamos um grupo para vivermos esta aventura juntos! 
Anda daí!


Beijinhos e boas viagens!

Encontramo-nos na próxima história de caminhada 😉

Raquel
Digital Nomad, Blogger, Traveller, House & Pet Sitter

março 28, 2022

Mindful Workation para nómadas digitais na Gran Canaria

Como podemos ter uma vida equilibrada, conectada e consciente enquanto trabalhamos pela internet?

Escrevi este artigo para partilhar a minha experiência num retiro direccionado a Nómadas Digitais, que incluiu práticas de Mindfulness e Mastermind. Para quem está habituado a estes termos, eu chamaria a esta experiência de Mindful Workation para nómadas digitais, com Mastermind. Mas vou explicar abaixo cada um destes termos e em que consistiu, afinal, esta experiência.

O retiro aconteceu numa quinta lindíssima no sul da ilha da Gran Canaria, após uma conferência de dois dias: Thriving Nomads Conference 2022, com a qual também colaborei.

Esta experiência surgiu de uma colaboração entre os Thriving Nomads e Boderless Retreats e o objetivo do evento foi de juntar pessoas de todo o mundo que trabalham remotamente em projetos de impacto social e ambiental, para trocarem ideias e experiências, inspirações, e pô-las a trabalhar em conjunto, num modelo de vivência comunitária, onde se combina um estilo de vida de trabalho remoto com práticas de mindfulness e de bem-estar. 

Este artigo é para ti? Este artigo pode ser interessante se gostas de desenvolvimento pessoal duma forma geral, ou se recentemente começaste a trabalhar de casa, em teletrabalho, e estás a deparar-te com alguns desafios em termos de equilíbrio pessoal. Se procuras começar a trabalhar online, podes ter aqui alguma inspiração sobre este estilo de vida e com que comunidades te poderás relacionar.
Vou então explicar um pouco melhor estes conceitos, que integram várias áreas, e partilhar um pouco a minha experiência.



Neste artigo vou partilhar:

  1. O que me levou a participar nesta experiência
  2. Workation para nómadas digitais, o que é?
  3. Mindful Workation com Mastermind, em que consiste?
  4. Os meus melhores momentos
  5. O que aprendi com esta experiência
  6. Como manter o espaço de retiro vivo por mais tempo?
  7. Conclusões

1. O que me levou a participar nesta experiência

Como sabes, há vários anos que tenho vindo a viajar e a explorar projetos de impacto social e ambiental, comunidades sustentáveis, práticas de bem-estar no corpo e mente, sempre nesta missão de ir construindo o meu próprio estilo de vida.

Quando soube que o meu amigo João Mendes e a sua equipa dos Thriving Nomads estavam a planear organizar um evento para nómadas digitais, onde iriam integrar todas estas dimensões, achei que era a minha cara e imediatamente prontifiquei-me a ajudar na organização.


2. Workation para nómadas digitais, então o que é?

Um nómada digital é alguém que, porque trabalha pela internet e não depende duma localização geográfica fixa, utiliza essa liberdade para viajar de forma contínua.

A palavra workation vem de work (trabalho) + vacation (férias) e, no fundo, pretende ser um programa para quem trabalha remotamente poder ter uma experiência de grupo que combina momentos de trabalho e de férias em conjunto.

Estes programas surgem muitas vezes para combater o sentimento de solidão de quem trabalha online, muitas vezes sozinho em casa, e também como uma expansão da rede de contactos e networking para empreendedores e freelancers.




3. Mindful Workation com Mastermind, em que consiste?

A ideia foi então associar a uma Workation um programa de Mastermind, ou seja, momentos de partilha e colaboração entre os projetos dos participantes. Cada pessoa traz um objetivo de trabalho para cumprir no final daquele tempo e usa as sessões de Mastermind para trocar experiências e visões, fazer parcerias e criar, sobretudo, um sentimento de compromisso de grupo.

Num espaço como este, onde a inteligência e o poder coletivos são efetivamente alavancados, o crescimento torna-se inevitável. Alguns decidiram concentrar-se em temas profissionais, como desenvolver um projeto de marketing social, ou desenvolver novas áreas para o seu negócio, enquanto outros se concentraram em temas mais pessoais, como por exemplo a criação de um blogue pessoal. 
No último dia do retiro reuniram-se para partilhar resultados, dar feedback uns aos outros e definir o que fazer daqui para frente. 

Destes dias de trabalho na quinta surgiram vários novos projetos e ideias. Nomeio, por exemplo, o blogue pessoal da Caroline. Já há muito tempo que a Caroline queria criar um blogue pessoal para partilhar as suas experiências, mas faltava-lhe o impulso. Sabia exatamente o que precisava, tinha o material que precisava, mas faltava-lhe criar esse espaço na sua vida e algo que a "obrigasse". A workation foi o momento certo para o fazer!

Todos aprenderam uns com os outros e saíram mais ricos desta experiência.




Tivemos ainda uma palestra presencial do Daniel Herrera da Comunify sobre a gestão de comunidades de impacto positivo em plataformas descentralizadas. Pertinente, nos tempos que correm, sabermos que existem plataformas sobre as quais temos mais poder e controlo, não estando à mercê dos grandes grupos de controlo de informação.




Associamos ainda momentos de práticas Mindfulness, como por exemplo, Meditação, QiGong, Breathwork, Mindful Walk, Ecstactic dance, envolvidas num espaço seguro, desenhado para promover a empatia, a conexão e o trabalho de grupo, tão característicos de um Retiro.




É um programa inédito, que uniu o projeto Thriving Nomads com Boderless Retreats. O primeiro focado mais nas atividades de mastermind entre projetos de impacto social e ambiental e o segundo mais focado na integração desta componente mais de negócio com um estilo de vida saudável no corpo e mente.
Um match verdadeiramente explosivo e essencial para viver uma vida equilibrada!



4. Os meus melhores momentos

Houve um dia especialmente maravilhoso, desde que acordei até que me fui deitar.
Começamos o dia com breathwork e, após esse trabalho de respiração, senti-me em paz. Consegui fazer o meu Journaling à tarde, ao sol, e terminámos o dia a cantar e a dançar.
O momento mais alto foi entre a equipa de organização, tendo sido já os últimos a fecharem a "pista de dança", abraçados a cantarmos de forma emocionada a música "New York New York", de Frank Sinatra. Foi um "well done team"! Estamos Juntos!
É muito bom quando a malta que organiza está realmente a vibrar e a desfrutar daquilo que organizou!




5. O que aprendi com esta experiência

A importância de nutrir a equipa

Uma das coisas que fizemos diariamente foi um check-in rápido da equipa. Todos os dias de manhã encontravamo-nos para nos organizarmos em termos de tarefas e ver como cada um de nós estava.
Penso que ter momentos em que nutrimos a equipa de organização é muito importante, porque essa nutrição e conexão irá expandir-se também para o grupo. Ninguém consegue oferecer nada que não tenha em si mesmo, portanto nutrirmo-nos a nós primeiro faz muito sentido, para que possamos nutrir as pessoas que estão à nossa volta.
Na minha opinião, esta deveria ser a forma como todas as empresas vêem os seus colaboradores...


A importância da Organização também participar

Um dos aspetos positivos mencionados pelos participantes desta experiência foi o facto da equipa de organização ter participado nas atividades e, para mim, é assim que faz sentido e é assim que se cria um espaço seguro e de empatia, fazendo todos parte do processo de crescimento coletivo. Dando o nosso exemplo, entregando aquilo que fomos aprendendo e estando disponíveis para receber e aprender, como qualquer outro participante.

Para mim, organizar um retiro é viver uma experiência enquanto comunidade de crescimento. E nós somos apenas as pessoas que proporcionam e seguram o espaço para que a magia possa acontecer.


Organizar retiros

Como estive a participar na fase anterior ao retiro acontecer, na procura do espaço, logística da alimentação, espaço, etc, acompanhei mais de perto este trabalho. E, durante o próprio retiro, aprendi muito com as dicas valiosas da Boderless Retreats, que tem uma forma de criar e abordar os retiros que ressoa muito comigo.


A comunidade é o elemento mais importante

Muito mais do que as condições do espaço, a comida ou as mordomias, as pessoas valorizam a experiência em comunidade. Pertencerem a algo, sentirem-se bem recebidas, aceites, sentirem que têm ali um espaço em que podem ser elas próprias, podem participar, crescer, expandir e estabelecerem relações mais profundas.
Sem destituir a importância duma boa qualidade de serviço, aquilo que fica na memória das pessoas é a conexão e a emoção. É aquilo que conseguiram trocar através do seu campo emocional. É disso que vêm à procura e é disso que se vão lembrar quando regressarem a casa.



5. Como manter o espaço de retiro vivo por mais tempo?

Como podemos trazer este estado e estes insights que temos num retiro, para a nossa vida do dia-a-dia? 

Um dos desafios é sempre o depois, como continuar esta dinâmica, este espaço seguro e de colaboração que aqui criamos? 

Esta tem sido uma questão que tem desafiado a Boderless Retreats a pensar em formas de manter esta comunidade viva fora do espaço de um retiro. Para além destes retiros que combinam trabalho com mindfulness, já começou também a fazer experiências de coliving de 3 semanas, para pessoas que conseguem conciliar o trabalho online com este tempo de retiro, fazendo uma experiência menos intensa do que um retiro, mas mais duradoura e aproximada ao ritmo de vida do dia-a-dia.

Se quiseres saber mais sobre colivings, recomendo vivamente o artigo dos TravelB4Settle: O que é um Coliving? - Melhor alojamento para nómadas digitais.


Outra dinâmica que parece ajudar a sustentar estas práticas é a criação de comunidades online, onde as pessoas se podem continuar a conectar e a crescer em conjunto, mesmo não estando juntas fisicamente e em contexto de retiro. Hoje em dia, com as ferramentas que temos, já existem muitas comunidades online a funcionarem, que servem esse propósito.


6. Conclusões

Este é um conceito bastante diferente do que estou habituada nos retiros em que tenho participado. Aqui há uma combinação de negócio e empreendedorismo com práticas de mindfulness e, por isso, muitas pessoas que vêm a estas workations podem não estar tão familiarizadas com estas práticas de bem-estar pessoal ou até espiritual. Eu diria que aqui o objetivo não é aprofundar espiritualidade, mas sim dar ferramentas práticas que podem ser usadas no dia-a-dia, que ajudam à capacidade de foco, de tomada de decisão, etc. E, portanto, é uma experiência onde qualquer pessoa não ligada a estas práticas poderá enquadrar-se.

Identifiquei-me muito com a forma de trabalhar e a visão da Boderless Retreats e fez-me muito sentido utilizar as atividades de Mindfulness para apoiar a criação de projetos e sinergias de grupo. Senti que a criação de um espaço seguro ao longo da jornada gerou mais conexão entre os participantes. Utilizando este ambiente, este potencial de empatia, este suporte, confiança, para colaborarem juntos e criarem algo em conjunto e se ajudarem mutuamente faz, para mim, uma diferença muito grande em relação a outros retiros que já fiz. Esta experiência foi, para mim, um crescimento coletivo. A criação duma comunidade de trabalho curadora!

Admiro, sobretudo, a forma de estar simples, humilde e focada no que é essencial da Boderless Retreats. No exemplo de vida simples e de cooperação. Tenho uma profunda admiração pelo trabalho que estão a fazer, pela forma como o fazem, muito centrada na experiência coletiva. 

Resta-me agradecer à Boderless Retreats e aos Thriving Nomads pela oportunidade de estar presente numa experiência tão única e tão rica como esta!



Se procuras outras experiências de retiro ligadas ao Nomadismo Digital, recomendo-te leres os meus artigos:

A minha experiência nas Quatro Anas


Se quiseres saber mais sobre esta viagem a Gran Canaria convido-te a leres o meu artigo:

Vida de um Nómada Digital na Gran Canaria



Beijinhos e abraços!

Encontramo-nos na próxima história de desenvolvimento pessoal 😉

Raquel
Digital Nomad, Blogger, Traveller, House & Pet Sitter

janeiro 14, 2022

Visita a Tenerife norte

Estivemos alguns dias em Tenerife, mas o nosso destino final, onde iremos passar alguns meses é a ilha de Gran Canaria. 
Eu já tinha visitado Tenerife há alguns anos, por isso agora focamo-nos mais na parte norte e em lugares menos badalados pelo turismo.

Começamos por ficar alojados na capital, Santa Cruz de Tenerife, na casa de um casal de venezuelanos, que vieram para cá há um ano e meio à procura duma vida melhor, e que estavam a alugar um quarto para fazer mais uns trocos. Do que mais falavam maravilhados, era da segurança nas Canárias e de repente sentimos o privilégio que é vivermos na Europa...


Falando então de Tenerife, gostamos da capital, embora nos tenha feito alguma confusão o barulho dos carros e a densidade populacional. Por norma passamos muito tempo em zonas mais rurais, gostamos muito do silêncio, e as cidades espanholas podem ser muito concentradas. Normalmente são muito eficientes, o que nos agrada bastante, mas também podem ser barulhentas, especialmente se tiverem avenidas largas dentro da cidade.
Apanhamos a altura dos Reis e logo a seguir o início dos saldos, por isso havia filas para entrar nas lojas de rua e até nos shoppings.
Mas a cidade é bonita, tem algum glamour e uma excelente temperatura 😎


Escapamos um pouco a este frenesim e apanhamos um autocarro para fazer um percurso pedestre no Parque Rural de Anaga, Reserva da Biosfera. Ficamos surpreendidos com a paisagem tão verde e com as montanhas. Vimos caminhantes de mochila às costas, que pareciam estar a fazer rotas de vários dias e "picou-me" logo o bichinho do Caminho de Santiago 👣


Ficamos surpreendidos também com a linha de autocarros super eficiente pela ilha! Da outra vez aluguei carro e sempre pensei que para visitar a ilha teria que ser assim, mas há autocarros a passarem pelos pontos turísticos da ilha, e como eles conduzem com muita fluidez, chega-se lá num instantinho... O pior é para quem enjoa nas viagens, como eu 😅


Fomos também a San Cristóbal de la Laguna, que fica apenas a 15min de bus da capital e é a segunda cidade mais populosa de Tenerife. Foi declarada Património da Humanidade pela Unesco em 1999, por ser exemplo único de cidade colonial não murada.
Bonita e charmosa, com largas ruas pedonais, mas estavam menos 7C do que na capital 🥶 Gostamos muito, mas visitamos rapidinho.


Fomos ainda visitar a Candelária, por causa da Basílica, e demos com um presépio de rua espetacular, talvez o maior que vi até hoje! Para nós é estranho pensar no Natal estando de manga curta, mas eu prefiro assim!
Não posso negar que o mais espetacular é mesmo a temperatura, a rondar entre os 17C de mínima e os 24C de máxima 😎
Sempre pensei nas Canárias como destino para o verão, mas isto vale a pena é no inverno, por todos os motivos!


Seguimos então para a Gran Canaria, para "estacionar" por lá durante os próximos meses. Estamos ansiosos por estabelecer rotina e conhecer a comunidade local e de nómadas de Gran Canaria 💪😎

Beijinhos e abraços e encontramo-nos na próxima história! 


Raquel 

Digital Nomad, Blogger, Traveller, House & Pet Sitter 

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Raquel Ribeiro. Com tecnologia do Blogger.