fevereiro 17, 2021

Desenhando o lifestyle

Eu e o Daniel temos estado a conversar muito sobre lifestyle, o estilo de vida que queremos viver. Há mais de um ano que discutimos isto, mas continuamos ainda a desenhar e a acertar algumas partes do puzzle .

É engraçado como muitas vezes pensamos na felicidade como algo que queremos atingir: ter um determinado cargo, carreira, uma casa, carro, conseguir atingir um objetivo. É verdade que quando conseguimos atingir algo que queríamos há muito isso traz-nos uma satisfação enorme. E quanto mais suámos para o conseguir, mais tempo dura a sensação de realização que sentimos quando realmente conseguimos. Mas e depois?

Tal como nas dietas, não importa o que se faz em dias de festa, mas sim o que se faz todos os dias! E por isso, cada vez mais me convenço da importância de construirmos o estilo de vida que desejamos ter, os pensamentos e sentimentos que queremos para nós. Em vez de pensar no que quero ter, é pensar em como me quero sentir durante o dia, todos ou grande parte dos dias da minha vida, conhecer-me e perceber que ingredientes são imprescindíveis para mim e em que percentagens preciso que estejam presentes no meu dia-a-dia. E uma vida plena, diria eu, é uma vida onde conseguimos assegurar esses ingredientes duma forma mais ou menos constante, na maior parte do tempo da nossa vida.

Por isso, a ideia de aguentar uma realidade que nos faz mal durante não sei quantos anos para no futuro conseguirmos determinada coisa, bem-estar e paz parece-me cada vez mais ilusória. Se nunca treinámos ter uma vida plena, o que é que nos leva a crer que o vamos conseguir fazer no futuro? Por termos mais tempo? Por não sermos "obrigados" a estar na situação em que estamos? Se nos vemos assim no presente, no futuro, o que provavelmente irá acontecer, é que nos veremos igualmente obrigados a estar numa outra situação qualquer. O que irá muito provavelmente acontecer é que quando lá chegarmos já passou tanto tempo, que quando nos for possível finalmente usufruir dessa vida atrás de sacrifício, o que fica é mágoa, arrependimento, falta de energia e sobretudo, uma memória gravada no nosso corpo de impotência.


Mais uma vez, o que conta não são os dias de festa, mas os restantes dias do ano. Se aprendemos a viver uma vida miserável vamos ser miseráveis, mesmo depois de termos a possibilidade de o deixarmos de ser! Porque tudo é músculo e tudo é treino, e se passamos décadas a fazer e a ser algo que não gostamos e a termos uma vida com a qual não nos identificamos, vai ser muito mais difícil mudar este mind set e inclusivamente ter um estilo de vida que gostamos, mesmo quando já o podemos fazer.

Olho sempre muito para os nossos anciãos, pessoas mais velhas que já passaram pelo que nós passamos agora e que nos mostram o desfecho de muitas histórias.

Assisto à vida de pessoas que já estão numa fase mais adiantada da vida, que o que mais queriam de volta era o tempo e saúde. Pessoas que toda a vida andaram a construir o futuro, mas pouco construíram no presente. E chegam ao fim dos seus dias com uma sensação de que gostariam de ter aproveitado mais, e aproveitar mais não era fazer mais coisas. Era fazer sobretudo menos. Desfrutar daquilo que mais gostam e daquilo que fazia sentido na altura experienciar, mas que com o passar do tempo deixou de fazer sentido. Porque o tempo não volta atrás...

Mas hoje, mesmo com todas as possibilidades de ainda o fazer, ficam presas nas suas próprias amarras. Nas amarras da memória de tudo aquilo que foi a sua vida e que desperdiçaram. E continuam nesse registo de impotência, a desperdiçar, mesmo tendo alternativa hoje de fazer diferente...


E é por isso que não precisamos de esperar para termos uma vida que merecemos e que dá gosto vivermos. Porque ela está ao nosso dispor, de dentro para fora, muitas vezes em pequenas mudanças no nosso dia-a-dia, nas pessoas com quem nos relacionamos, nos nossos hábitos, no permitirmo-nos dedicar um tempinho do nosso dia só para nós, para nos presentearmos com aquilo que mais gostamos em vez de seguirmos a correr para apagar o próximo fogo.

O convite é bem mais para dentro: escolher o que quero sentir e pensar, o que já está à minha disposição para ter essa vida maravilhosa e fazer pequenas adaptações consistentes ao que penso que posso melhorar. Dito assim até parece fácil, mas é trabalho para uma vida (ou mais vidas) ;)


É fácil ser saudoso em relação ao passado mas, para todos, o tempo de ser feliz e de construir o presente é agora, seja lá em que circunstância da nossa vida estivermos!


Encontramo-nos na próxima história de desenvolvimento pessoal 😉

Raquel
Digital Nomad, Blogger, Traveller, House & Pet Sitter
OverTrail.com



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Raquel Ribeiro. Com tecnologia do Blogger.