agosto 18, 2020

Entrevista com Fernando Alvim


Olá, bem-vindos! Fui ao programa de televisão "É a Vida Alvim", do Canal Q, falar com o Fernando Alvim sobre Nomadismo Digital e sobre Viver e Viajar em Autocaravana. Mais uma oportunidade excelente para partilhar o nosso dia-a-dia e as nossas experiências como nómadas digitais e como viajantes a tempo inteiro.
Falei um pouco sobre a nossa experiência como trabalhadores remotos e ainda sobre os nossos projetos de trabalho online: a Pure Portugal Holidays, já que são eles que nos permitem ganhar dinheiro para trabalhar e viajar o mundo!
Gosto sempre de realçar que todo este estilo de vida vem de uma grande mudança de vida e faz parte de uma experiência de desenvolvimento pessoal.

Mais informação sobre nós e os projetos nos quais estamos envolvidos pode ser encontrada no site OverTrail.


Assiste aqui à minha entrevista completa com o tema Nómadas Digitais e Graffitis.



Gostavas de nos ouvir falar sobre como começámos a trabalhar remotamente e sobre como é viver, trabalhar e viajar a partir de uma autocaravana?


Sentimos agora que a nossa jornada pessoal e de experiência de trabalho remoto com o nomadismo digital já nos permite ter algumas histórias e lições para partilhar, por isso ficamos super felizes por partilhar experiências via presencial ou online.


Um pouco da nossa história

Ambos começámos por trabalhar nas nossas áreas de formação em empresas convencionais durante 10 anos. A Raquel formou-se e trabalhou em Psicologia Organizacional (Recursos Humanos) e nada faria crer que viesse a ser nómada digital. Trabalhar online foi um mero acaso para ela, embora não para o Daniel, que é programador.

Prescindimos de algumas coisas a que estávamos habituados e no caso da Raquel levou vários anos até se despedir do seu emprego, já que era um emprego bastante estável, onde se sentia bem e via grande parte das suas necessidades preenchidas. Mas havia ali algo que não encaixava bem. Foi à procura de respostas e o que mais a ajudou a autoconhecer-se foram as diversas experiências de voluntariado nacional e internacional que fez. A Raquel fez voluntariado em mais de 13 instituições. Podem conhecer um pouco mais no seu perfil de LinkedIn e saber mais sobre a nossa história na secção do site Quem Somos.

Pensamos que o facto de termos trabalhado de forma convencional anteriormente faz-nos percepcionar a vida e o nomadismo digital de uma forma madura, que pensamos ser interessante partilhar com escolas e faculdades, bem como com outros públicos de pessoas que pretendem mudar de vida.

Estas experiências com propósito são as que nos trazem mais matéria para trabalharmos sobre nós mesmos e pensamos que são cruciais para alguém que pretende mudar de vida e não quer dar um passo em falso, mas também para alguém que quer iniciar uma vida profissional, ou que quer escolher um determinado curso ou área a apostar e não sabe como é ser-se profissional daquela área.


Outras entrevistas

Podes assistir a outras entrevistas seguindo a pasta Entrevistas do Blogue, ou indo ao nosso site, à secção de Palestras.


Vídeo da nossa Van Tour

Caso tenhas interesse, vê ainda um vídeo de apresentação da nossa autocaravana: Tour da nossa Autocaravana.

Se tiveres interesse em assistir a outros vídeos mais inspiracionais da Raquel, segue a playlist de vídeos de desenvolvimento pessoal do nosso Canal de YouTube.



Descobre mais sobre nós e contacta-nos

Sabe mais sobre os temas dos quais podemos partilhar experiências no nosso site OverTrail.

Estamos disponíveis para partilhar a nossa experiência em formato digital ou presencial. Contacta-nos para info@overtrail.com.



Beijinhos e abraços e encontramo-nos na próxima entrevista! 😉


Raquel
Digital Nomad, Blogger, Traveller, House & Pet Sitter
OverTrail.com

agosto 14, 2020

O meu Detox Digital na Offline Portugal

Olá, bem-vindos! Escrevi este artigo para partilhar a minha experiência como participante e como voluntária num retiro de Digital Detox com a Offline Portugal, num local remoto em Aljezur, no sul de Portugal. Uma experiência de uma semana sem internet nem telemóvel, a fazer atividades como Yoga, Meditação, Surf, Música e Oficinas Artísticas e de Autodesenvolvimento, utilizando ferramentas que nos ajudam a desligar a nossa mente e a focarmo-nos no presente.

Neste artigo vou partilhar:

  1. Como conheci e o que é o Movimento Offline Portugal
  2. Por que decidi fazer um Detox Digital
  3. Como me candidatei ao voluntariado
  4. A Offline Portugal como uma experiência e não um retiro
  5. Como foi a minha experiência como participante e como voluntária
  6. Os meus melhores momentos
  7. Os meus piores momentos
  8. O que aprendi com esta experiência Offline
  9. Pós Offline Detox Digital: Impactos em mim e na minha rotina
  10. Pós Offline Detox Digital: Regressamos a casa e agora volta tudo ao "normal"?
  11. Material educativo para o bem-estar digital

1. Como conheci e o que é o Movimento Offline Portugal

Soube da Offline Portugal há uns meses, através da minha amiga Cristina Leite do projeto O meu poema para ti, e achei muito interessante o conceito, porque já vinha a sentir a necessidade de desligar das redes e da internet duma forma geral, de vez em quando. 

Offline Portugal é um movimento de consciência que convida à desconexão da tecnologia para a conexão connosco, com os outros e com a natureza. A Bárbara, fundadora deste projeto em Portugal, desenhou uma experiência para vivenciar este conceito e proporcionar uma semana sem telefones nem internet, com diferentes atividades e ferramentas que nos ajudam a desligar a nossa mente e a focarmo-nos no presente, expandido assim a nossa criatividade.

2. Por que decidi fazer um Detox Digital

Após 4 anos a trabalhar online, sem fins de semana nem férias, a viver em 9m2 de autocaravana com o meu companheiro de vida e de trabalho, este ano decidi que era mesmo importante incorporar no meu programa anual fazer um retiro em que me desligasse da internet e do mundo lá fora e conectar-me apenas com o meu mundo interior. Já há muito tempo que não fazia uma experiência destas e de facto é importante para que possamos parar com hábitos e padrões menos positivos que se instalam no nosso dia-a-dia e nos consomem a nossa energia. 

Sentia-me viciada nas redes sociais e nunca me conseguia desligar, sentir aquele sossego de estar no fim do mundo. Estranho, não é? Porque as pessoas imaginam sempre uma vida em imensa liberdade numa autocaravana, mas a verdade é que quando andamos com os computadores e a internet atrás a liberdade perde-se às vezes ali no meio... Amarras da nossa cabeça, sem dúvida, mas como a nossa cabeça comanda tudo o resto, temos que dar ouvidos ao que ela e o nosso corpo nos dizem... E de vez em quando é mesmo importante fazermos uma paragem, que pode ser um retiro ou uma experiência, para afastarmos as distrações e nos centrarmos apenas no essencial.

Foi então quando decidi participar nesta Experiência Offline em Portugal, como um Detox Digital pessoal e também com vista a uma potencial parceria com o meu projeto Pure Portugal Holidays, na secção de retiros e experiências. Achei que a melhor forma de o fazer seria numa colaboração de voluntariado, já que me iria permitir participar no retiro gratuitamente, por um lado, e por outro iria dar-me uma perspetiva mais aprofundada dessa possível colaboração.



3. Como me candidatei ao voluntariado

Foi bastante simples e fluído aliás, como toda a experiência em si.
Primeiro pesquisei bem o site da Offline Portugal para perceber o conceito. Li todas as páginas do site e os vídeos no canal de YouTube, para conhecer a Bárbara e ver se sentia empatia por ela e pelo projeto.

Não sabia se a Bárbara aceitava voluntários nos retiros e experiências de detox digital, mas enviei-lhe um email a explicar-lhe as minhas motivações, as razões pessoais e profissionais que me levavam a procurar um retiro deste género e propus ajudar naquilo que ela precisasse em troca da participação no retiro. A resposta foi rápida e muito positiva! A Bárbara estava mesmo a precisar de ajuda, porque as pessoas que a tinham ajudado noutras ocasiões estavam fora de Portugal e com a pandemia que vivemos do vírus Covid-19 não tinham possibilidade de vir ajuda-la. Então fui para a quinta um dia antes do retiro, para receber algumas orientações do que ia fazer, e saí um dia depois, para ajudar a fazer a limpeza e organização dos espaços e para fazermos a nossa revisão em equipa de como foi a experiência.

4. A Offline Portugal como uma experiência e não um retiro

Eu imaginava um retiro como os que tinha feito anteriormente, mas de facto o que nos é proporcionado aqui é uma experiência e por isso pode ser adequada a um público mais alargado, que no fundo pretende um espaço para se reconectar e se desenvolver como pessoa, mas que não tem que estar familiarizado com o yoga ou com outras práticas mais espirituais, e que pode combinar com férias na praia. Assim sendo, cada um entregará a esta experiência o nível de profundidade que quiser obter no final.

Durante a nossa semana tivemos atividades como: Yoga, Meditação, Caminhada, Música e Dança, Journaling, Workshop de Geometria Sagrada, sessões de Coaching e Jam session. Nos tempos livres cada um decidia o que queria fazer: uma caminhada na natureza, ler um dos livros da biblioteca, escrever, desenhar, apanhar sol, ou mesmo ir à praia.


5. Como foi a minha experiência como participante e como voluntária


A Rotina e as Tarefas

Durante este meu período mais de retiro cozinhei para os participantes e ajudei como anfitriã e guardiã do espaço. Acordava mais cedo e ia preparar o pequeno almoço, depois ia à atividade da manhã, que por norma era yoga ou uma caminhada. Depois tomávamos todos o pequeno almoço, arrumava a cozinha e deixava os espaços comuns limpos. O almoço e a tarde eram mais livres e era aí que eu tinha o meu tempo para ler, escrever e integrar toda esta experiência. Mais ao final da tarde participava na atividade programada, ajudava a preparar o jantar e a arrumar a cozinha e ficávamos todos na conversa à volta da mesa a trocarmos experiências.

A Equipa

Esta colaboração permitiu-me trabalhar também com o Manuel Areias, um artista de coração enorme, e com a Eva e a Jasmine, duas voluntárias alemãs, com quem aprendi imenso e estabeleci uma ligação de grande companheirismo!


Voluntária versus Participante

Foi muito bom sentir-me não só como participante numa perspetiva mais recetiva, mas como alguém que estava realmente comprometida com a experiência e queria vivê-la da forma mais intensa possível. Alguém que para além de responsável pelo espaço e refeições era uma aluna dedicada e motivada, sempre a espalhar entusiasmo pelas descobertas que ia fazendo. 

O cuidar do espaço parece por vezes um trabalho mais invisível e menos ativo, porque promovemos apenas o bem-estar geral, um espaço limpo e quente não só de temperatura mas de harmonia e acolhimento. Mas é uma condição base e estruturante para o trabalho de transformação pessoal que se pretende nestas experiências. E a sensação de ajudar a Bárbara a proporcionar esta experiência e esta viagem interior foi muito gratificante! 

Sinto que a minha motivação pessoal, o meu trabalho de desenvolvimento pessoal e a minha mudança de vida anteriores proporcionaram uma colaboração extremamente rica e senti que consegui dar suporte a vários níveis e que contribui, ao mesmo tempo, para a minha transformação pessoal e para uma transformação mais coletiva. E isso realiza-me imenso!

6. Os meus melhores momentos


Journaling

O Journaling é basicamente o hábito de registarmos diariamente os nossos pensamentos. É onde escrevemos os nossos sonhos, pensamentos, emoções, desejos, ideias, experiências e que podemos usar para refletir e aprendermos mais sobre nós mesmos.
Há anos que o faço, mesmo antes de ouvir falar neste nome, porque escrever é uma das minhas maiores fontes de inspiração e que me ajuda a conectar-me. Por isso, um dos meus melhores momentos foi mesmo ter diariamente este momento sozinha, a escrever. 

A Viagem Sonora

Num dos finais de tarde ouvimos juntos o álbum "Internal Flight" dos Estas Tonne e foi uma viagem absolutamente libertadora! Esta peça de 60min tem partes mais altas e baixas, com vibrações diferentes que provocam estados e sensações diferentes na nossa mente. Chorei praticamente o tempo todo, numa mistura de sentimentos de aflição, vulnerabilidade, libertação, gratidão e amor. Foi uma das melhores viagens que fiz sentada e lembrou-me de como a música pode ser tão libertadora e terapêutica!

Música, Mantras e Improvisação vocal

Desde pequena que gosto de cantar. Frequentei 2 anos o conservatório de música nas aulas de piano, mas depois desisti, porque sentia que era demasiado clássico e solitário. Hoje vejo a música de uma forma mais artística e terapêutica. Uma ferramenta que une as pessoas num círculo, que as permite brincar e comunicar umas com as outras, chorar, libertar emoções, criar. A Bárbara, a Eva e o Manuel, são grandes fãs da música, por isso tivemos ali logo uma conexão muito forte. Não sabia disto e não ia a contar, mas foi uma agradável surpresa relembrar a minha paixão pela música e em especial pelo canto e pela improvisação. Cantámos várias vezes em círculo e de cada vez que cantávamos o meu coração carregava-se de energia! Já não me lembrava da última vez que cantei em círculo, mas talvez tenha sido mesmo quando estive a trabalhar na comunidade do Vale da Lama, também uma experiência inesquecível...

Cantar proporciona-me uma conexão comigo própria e com as pessoas que estão à minha volta de uma forma que é impossível fazer-se a falar. É uma outra forma de ligação mais criativa e harmoniosa, que nos faz sentir que de facto somos todos um... 🎵

A avozinha à volta dos tachos

Um dos participantes do retiro pediu-me uma sobremesa específica para a última noite, o que me fez encher de brio e de vontade de satisfazer o desejo! Quando estava a fazer a tal sobremesa, juntaram-se à minha volta para ver e ajudar a fazer e eu estava com aquele brilho nos olhos e cheia de gosto a dizer que isto ia ficar muito bom, etc. E foi quando alguém me disse que eu parecia a avozinha à volta dos tachos com os seus netinhos. E era de facto assim que eu me sentia: uma avozinha a fazer a sobremesa preferida dos seus meninos... Foi um dos melhores momentos, porque percebi o quão para mim é importante servir, independentemente da tarefa a que me proponho fazer. E percebi que tenho vindo a explorar diferentes formas de expressar este amor que tenho para dar, sempre com o objetivo de reunir as pessoas e de promover a harmonia. 

O regresso ao ventre da minha mãe

No final duma meditação ativa que fizemos estávamos ofegantes, porque tínhamos estado a fazer uma dança durante vários minutos. A Bárbara sugeriu deitarmo-nos de barriga para baixo e ouvirmos o nosso coração. Era de manhã e o sol estava a bater diretamente no nosso corpo. Fechei os olhos e via uma cor alaranjada do sol, ouvia o meu coração e, de repente, começou a dar uma música com uma mulher a cantar a solo, que parecia embalar-me. Eu estava ali, quente, dentro da barriga da minha mãe e ela estava a cantar-me uma música de embalar. Foi um momento simplesmente maravilhoso!


7. Os meus piores momentos

Não tive propriamente momentos maus durante esta experiência à exceção dos pensamentos menos positivos que por vezes me assombram e não me deixam viver a experiência no seu maior potencial e no presente. Refiro-me a inseguranças, crenças sobre aquilo que somos ou que deveríamos ser e pensamentos duma forma geral que nos desviam do momento presente.

Em termos de programa, a Ecstatic Dance foi a atividade que menos vibrou comigo. Não consegui libertar-me através da dança como consegui através da viagem sonora ou do canto, da música, ou do yoga e por isso gostei da experiência, mas não desfrutei com a mesma profundidade. Mas é assim mesmo, há imensas atividades e ferramentas que servem para nos ajudar a focarmos mais no presente e uma Experiência Offline destas pode abrir-nos as portas para outras formas que desconhecíamos e que também vibram connosco, outras que não vibram tanto. E às vezes não vibram à primeira, temos que experimentar várias vezes e em diferentes contextos. Lembro-me que com o yoga foi assim e agora é uma prática que preciso de ter diariamente e não há nada que a substitua!


8. O que aprendi com esta experiência Offline


Lá fora tudo se mantém igual e não perdi nada

Pensei que ia ser mais difícil passar uma semana sem o telemóvel. Desde que tenho telemóvel nunca passei tanto tempo sem ele! Mas no final da semana offline tudo estava igual lá fora e nada de importante tinha acontecido que tivesse perdido e cá dentro tinha acontecido uma verdadeira revolução!
Não há que ter medo de desligar, porque não há nada no mundo que possa ser maior do que aquilo que acontece dentro de cada um de nós. Por isso faz muito sentido investirmos o nosso tempo em nós, naquilo que permite a nossa constante evolução. 


É preciso desconectar para nos conectar à criatividade

Durante esta semana senti bem na pele o poder que as rotinas têm no nosso bem-estar e como podem favorecer ou prejudicar a nossa criatividade. Sempre me achei uma pessoa pouco criativa, por ser mais estruturada e metódica, mas a música e a escrita têm efeitos em mim muito libertadores e criativos! Preciso é de criar rotinas onde estes elementos estejam presentes de uma forma assídua. O importante é desligarmos as distrações, estarmos presentes e o essencial revela-se mesmo à frente dos nossos olhos...


A minha companhia dá-me entretenimento sem fim

Em pequenina eu era muito introvertida e na adolescência mudei. Ainda hoje meto conversa com qualquer pessoa de qualquer idade, seja ela uma conversa mais trivial ou mais profunda. Preciso muito de pessoas, mas é sobretudo sozinha que integro as minhas aprendizagens e me energizo e preciso deste tempo sozinha diariamente para me sentir bem. 
O facto de estar offline permitiu-me lembrar de como a minha própria companhia pode ser tão divertida e até absorvente! Basta-me ter papel e caneta, um livro e um sítio para caminhar na natureza e eu passo dias entretida! E mais do que entretida, feliz por estar na minha companhia!


Ser voluntária e participante proporciona uma experiência de desenvolvimento pessoal ainda mais rica

Por um lado é uma lição de como podemos fazer sempre aquilo que queremos fazer, seja de uma forma ou de outra. A falta de dinheiro raramente é uma limitação real para fazermos aquilo que realmente queremos fazer ou sentir. Por outro lado, uma experiência com várias dimensões torna a nossa jornada pessoal mais intensa e aprendemos mais sobre nós duma forma mais alargada.

Já fiz voluntariado durante vários anos e com muitas organizações (podes conhecer algumas dessas experiências de trabalho e voluntariado aqui), mas já não fazia há algum tempo e esta experiência fez-me relembrar aquela sensação de entrega generosa e gratuita. Por muito que gostemos do nosso trabalho e que ele contribua para um mundo melhor, essa entrega mais espontânea e de pura generosidade é insubstituível! E não precisa de ser uma ação institucionalizada, através de uma organização, mas pode ser simplesmente uma ação generosa que fazemos no nosso dia-a-dia. Muitas vezes, ao dar ao outro exploramos novas formas de expressarmos o nosso amor e é ai que descobrimos mais qualquer coisa sobre nós. E é esta descoberta das coisas mais simples que me mantém viva e apaixonada pela vida!


Tudo se resume ao amor

Toda a nossa ação se resume ao amor que colocamos nas coisas. Lembro-me de um momento muito bom que tive quando de tarde foram todos para a praia e eu preferi ficar na casa a descansar e a antecipar a preparação do jantar. Fiz uma sobremesa durante a tarde e lembro-me bem da sensação que estava a sentir quando pensava que iriam chegar cheios de fome da praia e que o jantar ia ser reforçado, com direito a sobremesa e tudo. E senti uma satisfação enorme e um prazer por poder alimentar todas as nossas bocas, sobretudo com imenso amor... 💗 E pensei que não há nada mais essencial do que darmos de comer. É básico na nossa existência e tantas vezes tomamos por certo...

Saí desta experiência a sentir que de facto o nosso trabalho / colaboração em cada coisa que fazemos é uma manifestação de amor, por isso é mesmo importante que façamos algo que gostamos e sobretudo que esteja alinhado com os nossos princípios, valores e causas.


9. Pós Offline Detox Digital: impactos em mim e na minha rotina


Rotinas Detox Digital

Durante a semana da experiência peguei num livro da biblioteca da Offline Portugal sobre Detox Digital, que dá várias dicas de hábitos que podemos instalar na nossa rotina, com vista a estarmos mais presentes no momento e a desconectarmo-nos mais da internet. Peguei em várias dicas do livro e incorporei-as na minha rotina habitual que já tenho. Como exemplo, fiz uma revisão às notificações das redes sociais e emails e passei a ligar a internet no telemóvel só quando preciso de aceder ao aparelho. De resto está dentro duma caixa para que eu não o veja, nem veja as luzes das notificações a piscarem 😉

Experiências e retiros mais regulares

Estas experiências de transformação pessoal em comunidade fazem-me sempre sentir mais calma, mais compreensiva e mais conectada com a minha energia feminina. E mais humilde porque estamos todos em processo, a aprendermos uns com os outros. 

Uma coisa que o estado de pandemia em que vivemos me ofereceu foi tempo para aprofundar o lado essencial dos meus sonhos. Foi redescobrir o que me faz levantar todos os dias de manhã e ter os meus melhores 5 minutos a descobrir o que de maravilhoso vou fazer neste novo dia. Esta descoberta pessoal é o que me move e poder fazer isso em processo de grupo é ir ao céu e voltar! A minha dádiva é proporcionar este espaço emocional e físico seguro, harmonioso e acolhedor, partilhar a minha experiência de desenvolvimento pessoal e de mudança de vida, de encontro ao minimalismo.

Quero fazer mais experiências destas, neste formato de troca de saberes e de ajuda e explorar este meu gosto e dom de cuidar dos espaços e dos outros nos seus processos de transformação pessoal.

Tentarei certificar-me que incluo o Yoga, a Escrita, a Música, a Comunidade e eventos de Transformação Pessoal nas minhas prioridades, para que não fique demasiado tempo sem estas fontes de alimentação pessoal.

Por isso, ao longo da nossa rota de autocaravana irei procurar mais experiências destas e de comunidades onde eu possa estabelecer uma relação mais profunda. Que não sejamos apenas pessoas que se cruzam numa aula de yoga, mas que sejamos pessoas em processo de desenvolvimento pessoal e comunitário. Namastê 🙏



10. Pós Offline Detox Digital: Regressamos a casa e agora volta tudo ao "normal"?

Depois de terminada a Experiência, a nossa equipa foi passar a tarde junta, na praia, e pudemos conversar e integrar a experiência de cada uma: pensar no que correu bem e no que poderia ter sido melhor. A Jasmine já não estava em Portugal nessa altura, mas fui eu, a Bárbara e a Eva. Acho sempre tão importante este momento como toda a viagem da experiência. Para que serve vivermos a experiência se não a integrarmos depois na nossa vida?



INLINE Home Design

Por este motivo, a Bárbara iniciou agora um novo serviço da Offline que se chama INLINE Home Design (site disponível brevemente), que pretende ser um Serviço de Consultoria a pessoas que estejam a ter dificuldades com o teletrabalho. Por outro lado, a ideia também é continuar em contacto com os participantes destas experiências e, se necessário, ajuda-los nas suas rotinas diárias em casa e também na reorganização dos espaços pessoal e de trabalho.

Uma das coisas que mais me agradaram na Bárbara foi esta preocupação com "e o que acontece depois quando os participantes saírem daqui e voltarem para as suas casas?" Acho sempre estas experiências maravilhosas, nem que sejam só pelo período em que duram. A verdade é que o esforço de integração das experiências nas nossas rotinas depende sobretudo do nosso esforço individual e de quanto quisemos dar àquelas experiências. Mas este processo pode ser difícil e às vezes a ajuda certa no momento certo, com as ferramentas certas fazem acontecer o que nunca tínhamos conseguido antes...

Multidisciplinaridade na abordagem

Outra questão importante que a Bárbara tem em mente na Offline Portugal é a multidisciplinaridade da abordagem. As atividades do programa são dinamizadas não só por ela, mas por várias pessoas com quem tem ligação e que estão mais especializadas em cada uma das áreas. Uma das preocupações que a Bárbara tem é de trabalhar em equipa e tem muito interesse em trabalhar com outros profissionais, nomeadamente na área da saúde mental, com o desejo de unir o mundo mais espiritual com o científico, porque somos todos parte dessas várias realidades e uma visão e intervenção mais complementar pode ser mesmo um fator integrador de sucesso!


11. Material educativo para o bem-estar digital

Este tema ainda não é muito falado em Portugal, porque aqui ainda estamos a descobrir o trabalho online ou o teletrabalho, mas já é uma realidade presente para muita gente no mundo inteiro. Tem imensas vantagens, mas também tem perigos inerentes que são importantes de serem tidos em conta. Tal como aprendemos a desempenhar as nossas profissões, também devemos aprender a trabalhar online ou remotamente. É uma forma de viver e trabalhar que não é para toda a gente e é preciso aprender a gerirmos o tempo e espaço na nossa vida. Nunca nos ensinaram isso, assim como nunca nos ensinaram a respirar, mas são das aprendizagens mais importantes que podemos fazer por nós e pela nossa saúde mental e física!

No canal de Youtube da Offline Portugal podem ver vários vídeos sobre o tema e conhecer um pouco mais do trabalho da Bárbara. Eu aconselharia o video Digital Welness in Times of Crises se tiverem interesse em saber mais sobre o conceito da Offline. Neste video a Bárbara conta o seu percurso e relação com a tecnologia desde os seus 15 anos.

Também achei muito interessante a entrevista no podcast Kológica da Atriz Vera Kolodzig sobre o digital detox.




Beijinhos e abraços e sejam felizes!

Encontramo-nos na próxima história de desenvolvimento pessoal 😉

Raquel
Digital Nomad, Blogger, Traveller, House & Pet Sitter
Raquel Ribeiro. Com tecnologia do Blogger.