agosto 18, 2020

Entrevista com Fernando Alvim


Olá, bem-vindos! Fui ao programa de televisão "É a Vida Alvim", do Canal Q, falar com o Fernando Alvim sobre Nomadismo Digital e sobre Viver e Viajar em Autocaravana. Mais uma oportunidade excelente para partilhar o nosso dia-a-dia e as nossas experiências como nómadas digitais e como viajantes a tempo inteiro.
Falei um pouco sobre a nossa experiência como trabalhadores remotos e ainda sobre os nossos projetos de trabalho online: a Pure Portugal Holidays, já que são eles que nos permitem ganhar dinheiro para trabalhar e viajar o mundo!
Gosto sempre de realçar que todo este estilo de vida vem de uma grande mudança de vida e faz parte de uma experiência de desenvolvimento pessoal.

Mais informação sobre nós e os projetos nos quais estamos envolvidos pode ser encontrada no site OverTrail.


Assiste aqui à minha entrevista completa com o tema Nómadas Digitais e Graffitis.



Gostavas de nos ouvir falar sobre como começámos a trabalhar remotamente e sobre como é viver, trabalhar e viajar a partir de uma autocaravana?


Sentimos agora que a nossa jornada pessoal e de experiência de trabalho remoto com o nomadismo digital já nos permite ter algumas histórias e lições para partilhar, por isso ficamos super felizes por partilhar experiências via presencial ou online.


Um pouco da nossa história

Ambos começámos por trabalhar nas nossas áreas de formação em empresas convencionais durante 10 anos. A Raquel formou-se e trabalhou em Psicologia Organizacional (Recursos Humanos) e nada faria crer que viesse a ser nómada digital. Trabalhar online foi um mero acaso para ela, embora não para o Daniel, que é programador.

Prescindimos de algumas coisas a que estávamos habituados e no caso da Raquel levou vários anos até se despedir do seu emprego, já que era um emprego bastante estável, onde se sentia bem e via grande parte das suas necessidades preenchidas. Mas havia ali algo que não encaixava bem. Foi à procura de respostas e o que mais a ajudou a autoconhecer-se foram as diversas experiências de voluntariado nacional e internacional que fez. A Raquel fez voluntariado em mais de 13 instituições. Podem conhecer um pouco mais no seu perfil de LinkedIn e saber mais sobre a nossa história na secção do site Quem Somos.

Pensamos que o facto de termos trabalhado de forma convencional anteriormente faz-nos percepcionar a vida e o nomadismo digital de uma forma madura, que pensamos ser interessante partilhar com escolas e faculdades, bem como com outros públicos de pessoas que pretendem mudar de vida.

Estas experiências com propósito são as que nos trazem mais matéria para trabalharmos sobre nós mesmos e pensamos que são cruciais para alguém que pretende mudar de vida e não quer dar um passo em falso, mas também para alguém que quer iniciar uma vida profissional, ou que quer escolher um determinado curso ou área a apostar e não sabe como é ser-se profissional daquela área.


Outras entrevistas

Podes assistir a outras entrevistas seguindo a pasta Entrevistas do Blogue, ou indo ao nosso site, à secção de Palestras.


Vídeo da nossa Van Tour

Caso tenhas interesse, vê ainda um vídeo de apresentação da nossa autocaravana: Tour da nossa Autocaravana.

Se tiveres interesse em assistir a outros vídeos mais inspiracionais da Raquel, segue a playlist de vídeos de desenvolvimento pessoal do nosso Canal de YouTube.



Descobre mais sobre nós e contacta-nos

Sabe mais sobre os temas dos quais podemos partilhar experiências no nosso site OverTrail.

Estamos disponíveis para partilhar a nossa experiência em formato digital ou presencial. Contacta-nos para info@overtrail.com.



Beijinhos e abraços e encontramo-nos na próxima entrevista! 😉


Raquel
Digital Nomad, Blogger, Traveller, House & Pet Sitter
OverTrail.com

agosto 14, 2020

O meu Detox Digital na Offline Portugal

Olá, bem-vindos! Escrevi este artigo para partilhar a minha experiência como participante e como voluntária num retiro de Digital Detox com a Offline Portugal, num local remoto em Aljezur, no sul de Portugal. Uma experiência de uma semana sem internet nem telemóvel, a fazer atividades como Yoga, Meditação, Surf, Música e Oficinas Artísticas e de Autodesenvolvimento, utilizando ferramentas que nos ajudam a desligar a nossa mente e a focarmo-nos no presente.

Neste artigo vou partilhar:

  1. Como conheci e o que é o Movimento Offline Portugal
  2. Por que decidi fazer um Detox Digital
  3. Como me candidatei ao voluntariado
  4. A Offline Portugal como uma experiência e não um retiro
  5. Como foi a minha experiência como participante e como voluntária
  6. Os meus melhores momentos
  7. Os meus piores momentos
  8. O que aprendi com esta experiência Offline
  9. Pós Offline Detox Digital: Impactos em mim e na minha rotina
  10. Pós Offline Detox Digital: Regressamos a casa e agora volta tudo ao "normal"?
  11. Material educativo para o bem-estar digital

1. Como conheci e o que é o Movimento Offline Portugal

Soube da Offline Portugal há uns meses, através da minha amiga Cristina Leite do projeto O meu poema para ti, e achei muito interessante o conceito, porque já vinha a sentir a necessidade de desligar das redes e da internet duma forma geral, de vez em quando. 

Offline Portugal é um movimento de consciência que convida à desconexão da tecnologia para a conexão connosco, com os outros e com a natureza. A Bárbara, fundadora deste projeto em Portugal, desenhou uma experiência para vivenciar este conceito e proporcionar uma semana sem telefones nem internet, com diferentes atividades e ferramentas que nos ajudam a desligar a nossa mente e a focarmo-nos no presente, expandido assim a nossa criatividade.

2. Por que decidi fazer um Detox Digital

Após 4 anos a trabalhar online, sem fins de semana nem férias, a viver em 9m2 de autocaravana com o meu companheiro de vida e de trabalho, este ano decidi que era mesmo importante incorporar no meu programa anual fazer um retiro em que me desligasse da internet e do mundo lá fora e conectar-me apenas com o meu mundo interior. Já há muito tempo que não fazia uma experiência destas e de facto é importante para que possamos parar com hábitos e padrões menos positivos que se instalam no nosso dia-a-dia e nos consomem a nossa energia. 

Sentia-me viciada nas redes sociais e nunca me conseguia desligar, sentir aquele sossego de estar no fim do mundo. Estranho, não é? Porque as pessoas imaginam sempre uma vida em imensa liberdade numa autocaravana, mas a verdade é que quando andamos com os computadores e a internet atrás a liberdade perde-se às vezes ali no meio... Amarras da nossa cabeça, sem dúvida, mas como a nossa cabeça comanda tudo o resto, temos que dar ouvidos ao que ela e o nosso corpo nos dizem... E de vez em quando é mesmo importante fazermos uma paragem, que pode ser um retiro ou uma experiência, para afastarmos as distrações e nos centrarmos apenas no essencial.

Foi então quando decidi participar nesta Experiência Offline em Portugal, como um Detox Digital pessoal e também com vista a uma potencial parceria com o meu projeto Pure Portugal Holidays, na secção de retiros e experiências. Achei que a melhor forma de o fazer seria numa colaboração de voluntariado, já que me iria permitir participar no retiro gratuitamente, por um lado, e por outro iria dar-me uma perspetiva mais aprofundada dessa possível colaboração.



3. Como me candidatei ao voluntariado

Foi bastante simples e fluído aliás, como toda a experiência em si.
Primeiro pesquisei bem o site da Offline Portugal para perceber o conceito. Li todas as páginas do site e os vídeos no canal de YouTube, para conhecer a Bárbara e ver se sentia empatia por ela e pelo projeto.

Não sabia se a Bárbara aceitava voluntários nos retiros e experiências de detox digital, mas enviei-lhe um email a explicar-lhe as minhas motivações, as razões pessoais e profissionais que me levavam a procurar um retiro deste género e propus ajudar naquilo que ela precisasse em troca da participação no retiro. A resposta foi rápida e muito positiva! A Bárbara estava mesmo a precisar de ajuda, porque as pessoas que a tinham ajudado noutras ocasiões estavam fora de Portugal e com a pandemia que vivemos do vírus Covid-19 não tinham possibilidade de vir ajuda-la. Então fui para a quinta um dia antes do retiro, para receber algumas orientações do que ia fazer, e saí um dia depois, para ajudar a fazer a limpeza e organização dos espaços e para fazermos a nossa revisão em equipa de como foi a experiência.

4. A Offline Portugal como uma experiência e não um retiro

Eu imaginava um retiro como os que tinha feito anteriormente, mas de facto o que nos é proporcionado aqui é uma experiência e por isso pode ser adequada a um público mais alargado, que no fundo pretende um espaço para se reconectar e se desenvolver como pessoa, mas que não tem que estar familiarizado com o yoga ou com outras práticas mais espirituais, e que pode combinar com férias na praia. Assim sendo, cada um entregará a esta experiência o nível de profundidade que quiser obter no final.

Durante a nossa semana tivemos atividades como: Yoga, Meditação, Caminhada, Música e Dança, Journaling, Workshop de Geometria Sagrada, sessões de Coaching e Jam session. Nos tempos livres cada um decidia o que queria fazer: uma caminhada na natureza, ler um dos livros da biblioteca, escrever, desenhar, apanhar sol, ou mesmo ir à praia.


5. Como foi a minha experiência como participante e como voluntária


A Rotina e as Tarefas

Durante este meu período mais de retiro cozinhei para os participantes e ajudei como anfitriã e guardiã do espaço. Acordava mais cedo e ia preparar o pequeno almoço, depois ia à atividade da manhã, que por norma era yoga ou uma caminhada. Depois tomávamos todos o pequeno almoço, arrumava a cozinha e deixava os espaços comuns limpos. O almoço e a tarde eram mais livres e era aí que eu tinha o meu tempo para ler, escrever e integrar toda esta experiência. Mais ao final da tarde participava na atividade programada, ajudava a preparar o jantar e a arrumar a cozinha e ficávamos todos na conversa à volta da mesa a trocarmos experiências.

A Equipa

Esta colaboração permitiu-me trabalhar também com o Manuel Areias, um artista de coração enorme, e com a Eva e a Jasmine, duas voluntárias alemãs, com quem aprendi imenso e estabeleci uma ligação de grande companheirismo!


Voluntária versus Participante

Foi muito bom sentir-me não só como participante numa perspetiva mais recetiva, mas como alguém que estava realmente comprometida com a experiência e queria vivê-la da forma mais intensa possível. Alguém que para além de responsável pelo espaço e refeições era uma aluna dedicada e motivada, sempre a espalhar entusiasmo pelas descobertas que ia fazendo. 

O cuidar do espaço parece por vezes um trabalho mais invisível e menos ativo, porque promovemos apenas o bem-estar geral, um espaço limpo e quente não só de temperatura mas de harmonia e acolhimento. Mas é uma condição base e estruturante para o trabalho de transformação pessoal que se pretende nestas experiências. E a sensação de ajudar a Bárbara a proporcionar esta experiência e esta viagem interior foi muito gratificante! 

Sinto que a minha motivação pessoal, o meu trabalho de desenvolvimento pessoal e a minha mudança de vida anteriores proporcionaram uma colaboração extremamente rica e senti que consegui dar suporte a vários níveis e que contribui, ao mesmo tempo, para a minha transformação pessoal e para uma transformação mais coletiva. E isso realiza-me imenso!

6. Os meus melhores momentos


Journaling

O Journaling é basicamente o hábito de registarmos diariamente os nossos pensamentos. É onde escrevemos os nossos sonhos, pensamentos, emoções, desejos, ideias, experiências e que podemos usar para refletir e aprendermos mais sobre nós mesmos.
Há anos que o faço, mesmo antes de ouvir falar neste nome, porque escrever é uma das minhas maiores fontes de inspiração e que me ajuda a conectar-me. Por isso, um dos meus melhores momentos foi mesmo ter diariamente este momento sozinha, a escrever. 

A Viagem Sonora

Num dos finais de tarde ouvimos juntos o álbum "Internal Flight" dos Estas Tonne e foi uma viagem absolutamente libertadora! Esta peça de 60min tem partes mais altas e baixas, com vibrações diferentes que provocam estados e sensações diferentes na nossa mente. Chorei praticamente o tempo todo, numa mistura de sentimentos de aflição, vulnerabilidade, libertação, gratidão e amor. Foi uma das melhores viagens que fiz sentada e lembrou-me de como a música pode ser tão libertadora e terapêutica!

Música, Mantras e Improvisação vocal

Desde pequena que gosto de cantar. Frequentei 2 anos o conservatório de música nas aulas de piano, mas depois desisti, porque sentia que era demasiado clássico e solitário. Hoje vejo a música de uma forma mais artística e terapêutica. Uma ferramenta que une as pessoas num círculo, que as permite brincar e comunicar umas com as outras, chorar, libertar emoções, criar. A Bárbara, a Eva e o Manuel, são grandes fãs da música, por isso tivemos ali logo uma conexão muito forte. Não sabia disto e não ia a contar, mas foi uma agradável surpresa relembrar a minha paixão pela música e em especial pelo canto e pela improvisação. Cantámos várias vezes em círculo e de cada vez que cantávamos o meu coração carregava-se de energia! Já não me lembrava da última vez que cantei em círculo, mas talvez tenha sido mesmo quando estive a trabalhar na comunidade do Vale da Lama, também uma experiência inesquecível...

Cantar proporciona-me uma conexão comigo própria e com as pessoas que estão à minha volta de uma forma que é impossível fazer-se a falar. É uma outra forma de ligação mais criativa e harmoniosa, que nos faz sentir que de facto somos todos um... 🎵

A avozinha à volta dos tachos

Um dos participantes do retiro pediu-me uma sobremesa específica para a última noite, o que me fez encher de brio e de vontade de satisfazer o desejo! Quando estava a fazer a tal sobremesa, juntaram-se à minha volta para ver e ajudar a fazer e eu estava com aquele brilho nos olhos e cheia de gosto a dizer que isto ia ficar muito bom, etc. E foi quando alguém me disse que eu parecia a avozinha à volta dos tachos com os seus netinhos. E era de facto assim que eu me sentia: uma avozinha a fazer a sobremesa preferida dos seus meninos... Foi um dos melhores momentos, porque percebi o quão para mim é importante servir, independentemente da tarefa a que me proponho fazer. E percebi que tenho vindo a explorar diferentes formas de expressar este amor que tenho para dar, sempre com o objetivo de reunir as pessoas e de promover a harmonia. 

O regresso ao ventre da minha mãe

No final duma meditação ativa que fizemos estávamos ofegantes, porque tínhamos estado a fazer uma dança durante vários minutos. A Bárbara sugeriu deitarmo-nos de barriga para baixo e ouvirmos o nosso coração. Era de manhã e o sol estava a bater diretamente no nosso corpo. Fechei os olhos e via uma cor alaranjada do sol, ouvia o meu coração e, de repente, começou a dar uma música com uma mulher a cantar a solo, que parecia embalar-me. Eu estava ali, quente, dentro da barriga da minha mãe e ela estava a cantar-me uma música de embalar. Foi um momento simplesmente maravilhoso!


7. Os meus piores momentos

Não tive propriamente momentos maus durante esta experiência à exceção dos pensamentos menos positivos que por vezes me assombram e não me deixam viver a experiência no seu maior potencial e no presente. Refiro-me a inseguranças, crenças sobre aquilo que somos ou que deveríamos ser e pensamentos duma forma geral que nos desviam do momento presente.

Em termos de programa, a Ecstatic Dance foi a atividade que menos vibrou comigo. Não consegui libertar-me através da dança como consegui através da viagem sonora ou do canto, da música, ou do yoga e por isso gostei da experiência, mas não desfrutei com a mesma profundidade. Mas é assim mesmo, há imensas atividades e ferramentas que servem para nos ajudar a focarmos mais no presente e uma Experiência Offline destas pode abrir-nos as portas para outras formas que desconhecíamos e que também vibram connosco, outras que não vibram tanto. E às vezes não vibram à primeira, temos que experimentar várias vezes e em diferentes contextos. Lembro-me que com o yoga foi assim e agora é uma prática que preciso de ter diariamente e não há nada que a substitua!


8. O que aprendi com esta experiência Offline


Lá fora tudo se mantém igual e não perdi nada

Pensei que ia ser mais difícil passar uma semana sem o telemóvel. Desde que tenho telemóvel nunca passei tanto tempo sem ele! Mas no final da semana offline tudo estava igual lá fora e nada de importante tinha acontecido que tivesse perdido e cá dentro tinha acontecido uma verdadeira revolução!
Não há que ter medo de desligar, porque não há nada no mundo que possa ser maior do que aquilo que acontece dentro de cada um de nós. Por isso faz muito sentido investirmos o nosso tempo em nós, naquilo que permite a nossa constante evolução. 


É preciso desconectar para nos conectar à criatividade

Durante esta semana senti bem na pele o poder que as rotinas têm no nosso bem-estar e como podem favorecer ou prejudicar a nossa criatividade. Sempre me achei uma pessoa pouco criativa, por ser mais estruturada e metódica, mas a música e a escrita têm efeitos em mim muito libertadores e criativos! Preciso é de criar rotinas onde estes elementos estejam presentes de uma forma assídua. O importante é desligarmos as distrações, estarmos presentes e o essencial revela-se mesmo à frente dos nossos olhos...


A minha companhia dá-me entretenimento sem fim

Em pequenina eu era muito introvertida e na adolescência mudei. Ainda hoje meto conversa com qualquer pessoa de qualquer idade, seja ela uma conversa mais trivial ou mais profunda. Preciso muito de pessoas, mas é sobretudo sozinha que integro as minhas aprendizagens e me energizo e preciso deste tempo sozinha diariamente para me sentir bem. 
O facto de estar offline permitiu-me lembrar de como a minha própria companhia pode ser tão divertida e até absorvente! Basta-me ter papel e caneta, um livro e um sítio para caminhar na natureza e eu passo dias entretida! E mais do que entretida, feliz por estar na minha companhia!


Ser voluntária e participante proporciona uma experiência de desenvolvimento pessoal ainda mais rica

Por um lado é uma lição de como podemos fazer sempre aquilo que queremos fazer, seja de uma forma ou de outra. A falta de dinheiro raramente é uma limitação real para fazermos aquilo que realmente queremos fazer ou sentir. Por outro lado, uma experiência com várias dimensões torna a nossa jornada pessoal mais intensa e aprendemos mais sobre nós duma forma mais alargada.

Já fiz voluntariado durante vários anos e com muitas organizações (podes conhecer algumas dessas experiências de trabalho e voluntariado aqui), mas já não fazia há algum tempo e esta experiência fez-me relembrar aquela sensação de entrega generosa e gratuita. Por muito que gostemos do nosso trabalho e que ele contribua para um mundo melhor, essa entrega mais espontânea e de pura generosidade é insubstituível! E não precisa de ser uma ação institucionalizada, através de uma organização, mas pode ser simplesmente uma ação generosa que fazemos no nosso dia-a-dia. Muitas vezes, ao dar ao outro exploramos novas formas de expressarmos o nosso amor e é ai que descobrimos mais qualquer coisa sobre nós. E é esta descoberta das coisas mais simples que me mantém viva e apaixonada pela vida!


Tudo se resume ao amor

Toda a nossa ação se resume ao amor que colocamos nas coisas. Lembro-me de um momento muito bom que tive quando de tarde foram todos para a praia e eu preferi ficar na casa a descansar e a antecipar a preparação do jantar. Fiz uma sobremesa durante a tarde e lembro-me bem da sensação que estava a sentir quando pensava que iriam chegar cheios de fome da praia e que o jantar ia ser reforçado, com direito a sobremesa e tudo. E senti uma satisfação enorme e um prazer por poder alimentar todas as nossas bocas, sobretudo com imenso amor... 💗 E pensei que não há nada mais essencial do que darmos de comer. É básico na nossa existência e tantas vezes tomamos por certo...

Saí desta experiência a sentir que de facto o nosso trabalho / colaboração em cada coisa que fazemos é uma manifestação de amor, por isso é mesmo importante que façamos algo que gostamos e sobretudo que esteja alinhado com os nossos princípios, valores e causas.


9. Pós Offline Detox Digital: impactos em mim e na minha rotina


Rotinas Detox Digital

Durante a semana da experiência peguei num livro da biblioteca da Offline Portugal sobre Detox Digital, que dá várias dicas de hábitos que podemos instalar na nossa rotina, com vista a estarmos mais presentes no momento e a desconectarmo-nos mais da internet. Peguei em várias dicas do livro e incorporei-as na minha rotina habitual que já tenho. Como exemplo, fiz uma revisão às notificações das redes sociais e emails e passei a ligar a internet no telemóvel só quando preciso de aceder ao aparelho. De resto está dentro duma caixa para que eu não o veja, nem veja as luzes das notificações a piscarem 😉

Experiências e retiros mais regulares

Estas experiências de transformação pessoal em comunidade fazem-me sempre sentir mais calma, mais compreensiva e mais conectada com a minha energia feminina. E mais humilde porque estamos todos em processo, a aprendermos uns com os outros. 

Uma coisa que o estado de pandemia em que vivemos me ofereceu foi tempo para aprofundar o lado essencial dos meus sonhos. Foi redescobrir o que me faz levantar todos os dias de manhã e ter os meus melhores 5 minutos a descobrir o que de maravilhoso vou fazer neste novo dia. Esta descoberta pessoal é o que me move e poder fazer isso em processo de grupo é ir ao céu e voltar! A minha dádiva é proporcionar este espaço emocional e físico seguro, harmonioso e acolhedor, partilhar a minha experiência de desenvolvimento pessoal e de mudança de vida, de encontro ao minimalismo.

Quero fazer mais experiências destas, neste formato de troca de saberes e de ajuda e explorar este meu gosto e dom de cuidar dos espaços e dos outros nos seus processos de transformação pessoal.

Tentarei certificar-me que incluo o Yoga, a Escrita, a Música, a Comunidade e eventos de Transformação Pessoal nas minhas prioridades, para que não fique demasiado tempo sem estas fontes de alimentação pessoal.

Por isso, ao longo da nossa rota de autocaravana irei procurar mais experiências destas e de comunidades onde eu possa estabelecer uma relação mais profunda. Que não sejamos apenas pessoas que se cruzam numa aula de yoga, mas que sejamos pessoas em processo de desenvolvimento pessoal e comunitário. Namastê 🙏



10. Pós Offline Detox Digital: Regressamos a casa e agora volta tudo ao "normal"?

Depois de terminada a Experiência, a nossa equipa foi passar a tarde junta, na praia, e pudemos conversar e integrar a experiência de cada uma: pensar no que correu bem e no que poderia ter sido melhor. A Jasmine já não estava em Portugal nessa altura, mas fui eu, a Bárbara e a Eva. Acho sempre tão importante este momento como toda a viagem da experiência. Para que serve vivermos a experiência se não a integrarmos depois na nossa vida?



INLINE Home Design

Por este motivo, a Bárbara iniciou agora um novo serviço da Offline que se chama INLINE Home Design (site disponível brevemente), que pretende ser um Serviço de Consultoria a pessoas que estejam a ter dificuldades com o teletrabalho. Por outro lado, a ideia também é continuar em contacto com os participantes destas experiências e, se necessário, ajuda-los nas suas rotinas diárias em casa e também na reorganização dos espaços pessoal e de trabalho.

Uma das coisas que mais me agradaram na Bárbara foi esta preocupação com "e o que acontece depois quando os participantes saírem daqui e voltarem para as suas casas?" Acho sempre estas experiências maravilhosas, nem que sejam só pelo período em que duram. A verdade é que o esforço de integração das experiências nas nossas rotinas depende sobretudo do nosso esforço individual e de quanto quisemos dar àquelas experiências. Mas este processo pode ser difícil e às vezes a ajuda certa no momento certo, com as ferramentas certas fazem acontecer o que nunca tínhamos conseguido antes...

Multidisciplinaridade na abordagem

Outra questão importante que a Bárbara tem em mente na Offline Portugal é a multidisciplinaridade da abordagem. As atividades do programa são dinamizadas não só por ela, mas por várias pessoas com quem tem ligação e que estão mais especializadas em cada uma das áreas. Uma das preocupações que a Bárbara tem é de trabalhar em equipa e tem muito interesse em trabalhar com outros profissionais, nomeadamente na área da saúde mental, com o desejo de unir o mundo mais espiritual com o científico, porque somos todos parte dessas várias realidades e uma visão e intervenção mais complementar pode ser mesmo um fator integrador de sucesso!


11. Material educativo para o bem-estar digital

Este tema ainda não é muito falado em Portugal, porque aqui ainda estamos a descobrir o trabalho online ou o teletrabalho, mas já é uma realidade presente para muita gente no mundo inteiro. Tem imensas vantagens, mas também tem perigos inerentes que são importantes de serem tidos em conta. Tal como aprendemos a desempenhar as nossas profissões, também devemos aprender a trabalhar online ou remotamente. É uma forma de viver e trabalhar que não é para toda a gente e é preciso aprender a gerirmos o tempo e espaço na nossa vida. Nunca nos ensinaram isso, assim como nunca nos ensinaram a respirar, mas são das aprendizagens mais importantes que podemos fazer por nós e pela nossa saúde mental e física!

No canal de Youtube da Offline Portugal podem ver vários vídeos sobre o tema e conhecer um pouco mais do trabalho da Bárbara. Eu aconselharia o video Digital Welness in Times of Crises se tiverem interesse em saber mais sobre o conceito da Offline. Neste video a Bárbara conta o seu percurso e relação com a tecnologia desde os seus 15 anos.

Também achei muito interessante a entrevista no podcast Kológica da Atriz Vera Kolodzig sobre o digital detox.




Beijinhos e abraços e sejam felizes!

Encontramo-nos na próxima história de desenvolvimento pessoal 😉

Raquel
Digital Nomad, Blogger, Traveller, House & Pet Sitter

julho 20, 2020

Voltar aos lugares onde fomos felizes funciona?

Olá, bem-vindos!
Já vos aconteceu quererem voltar a ter uma experiência que vos fez muito feliz no passado?
E que tal? Conseguiram sentir a mesma coisa?
Eu sempre que tentei saiu-me furado. Acho que é impossível voltarmos a sentir exatamente a mesma coisa perante o mesmo estímulo, uns anos mais tarde.

Lembro-me, por exemplo, de sítios que visitei mais do que uma vez. Se a primeira foi deslumbrante, a segunda já não teve o mesmo impacto. Por um lado porque já não é novidade. Por outro porque ia com expectativa de sentir uma coisa que não se repetiu e não se repete porque entretanto os meus olhos viram outras coisas, o meu coração sentiu outras coisas e portanto o meu filtro já não é o mesmo. Ora, a minha resposta a um estímulo também não pode ser...

Mais uma razão para aproveitarmos o momento único do presente!

Mas não desesperem! Tudo é do tamanho que estamos prontos para lhe dar, por isso a emoção vai lá estar para a vivermos quando menos esperamos...

PS - Desculpem o suspiro do Daniel. Ah! Ah! Ah!


Beijinhos e abraços e encontramo-nos na próxima história!

Raquel
Digital Nomad, Blogger, Traveller, House & Pet Sitter
https://overtrail.com

julho 13, 2020

De que forma o Minimalismo me ajuda a mudar de vida


Olá, bem-vindos!
Uma das coisas que mais me ajudou a mudar a minha vida foi ter percebido que o mais importante não se compra com dinheiro. Este processo de downsizing tem sido importante para mim: o caminho do minimalismo. O perceber o que realmente nos faz sentirmos felizes, desconstruir ideias que possamos ter daquilo de que realmente precisamos. Tal como num vídeo anterior eu falava que se calhar não era a cenoura o que eu procurava, mas sim a sensação crocante da cenoura, também em muitas das necessidades que pensamos ter está a procura duma sensação que podemos ter de outras formas, que nem sempre as estamos a ver. E se precisarmos de menos para viver seremos mais livres de escolhermos o nosso caminho..

Tal como nas caminhadas do monte, também na caminhada da vida, quanto mais leve for a nossa mochila, mais ágeis e mais longe conseguiremos chegar.

O segredo para a libertação não é conseguir ter mais, mas sim conseguir viver com menos...


NOTA: O vídeo que falo sobre a cenoura pode ser visualizado aqui:
https://youtu.be/hoaBaIJByzA


Beijinhos e abraços e encontramo-nos na próxima história!

Raquel
Digital Nomad, Blogger, Traveller, House & Pet Sitter
https://overtrail.com

julho 06, 2020

Para reescrever a nossa história é preciso evoluir...

Olá, bem-vindos!
Há uns anos atrás viajei para um país que para muitos é visto como um paraíso. Contactei varias organizações locais e porque é um país com pouco acesso a bens disponibilizei-me para levar coisas de Portugal. Recebi uma lista dessas coisas e quando dei conta estavam lá medicamentos para a depressão e ansiedade.
Aquilo intrigou-me imenso! Como é que alguém vai viver para este paraíso e precisa deste tipo de medicamentos?

Quando vou para o campo, por exemplo, sinto que o meu batimento cardíaco baixa, sinto-me mais feliz, por isso digo muitas vezes que se uma pessoa está stressada na cidade cura-se a ir viver para o campo.

Mas aí é que está! Descobri que aquela sensação maravilhosa que temos de que "eu vivia aqui feliz para sempre" tem um prazo curto de duração. Quando mudamos de vida para um outro lugar levamos tudo connosco. Tudo, mesmo tudo! Os nossos pensamentos, hábitos, sentimentos, as nossas ansiedades. Até já vi workaholics no campo, sem tempo para conversarem com as pessoas!

É verdade que uma experiência nova nos dá um livro novo para começarmos a escrever uma nova história do início, mas se usarmos a mesma caneta de sempre sem lhe mudarmos a carga, vamos reescrever a mesma história...

Para reescrever a nossa história é preciso evoluir...


Beijinhos e abraços e encontramo-nos na próxima história!

Raquel
Digital Nomad, Blogger, Traveller, House & Pet Sitter
https://overtrail.com

junho 29, 2020

Como encontrar a nossa paixão no trabalho


Olá, bem-vindos!
Há uns dias estava a ler sobre encontrar a Paixão naquilo que queremos fazer, no nosso trabalho, e alguém dizia que a Paixão não se encontra naquilo que adoramos fazer, mas no que continuamos a mostrar / fazer mesmo quando as coisas não correm da forma esperada. Isto porque é muito certo que as coisas não vão correr sempre bem...

E não é assim também com os assuntos do Amor? 😉


Beijinhos e abraços e encontramo-nos na próxima história!

Raquel
Digital Nomad, Blogger, Traveller, House & Pet Sitter
https://overtrail.com

junho 22, 2020

Autodescoberta é como um bebé em crescimento


Olá, bem-vindos!
Mais um devaneio da minha veia mais inspiradora... :)
O processo de autodescoberta é como assistir ao crescimento de um bebé. É bom tirarmos-lhe fotografias todos os dias para que possamos celebrar o seu crescimento, conquista a conquista. Quando cresce, amadurece e até já sabe o que quer há uma sensação de missão cumprida! E, ao mesmo tempo, vem aquela saudade: Ah, como era bom quando era pequenino e tudo o que descobria trazia um brilho especial no olhar! E é aí que voltamos a querer desenvolver uma nova competência, ou um novo sonho e lá vamos nós para a montanha russa da autodescoberta outra vez... :)


Beijinhos e abracinhos,

Raquel

junho 08, 2020

Para ser feliz é preciso estar disposto a evoluir...

Olá, bem-vindos! 
Vim duma caminhada com uns pensamentos que gostava de partilhar e que têm a ver com a forma como sinto que tenho conduzido a minha vida na direcção dos sonhos. E algumas questões surgiram-me: 
Para que servem os sonhos? 
Será que os sonhos mudam? 
Será que aquilo que sonhamos ser ou ter é mesmo aquilo que realmente procuramos? 
E quanto atingimos, será que vivemos finalmente a máxima "E foram felizes para sempre"? 

Falo do sentimento de frustração quando sentimos que não estamos a fazer nada na direcção dos nossos sonhos e do sentimento maravilhoso de autorealização quando olhamos para a quantidade de passos que já demos no passado e quando sentimos que estamos no caminho. 

Depois de darmos os primeiros passos para a nossa vida de sonho espera-nos uma longa e desafiante jornada de autoconhecimento. Não digo com isto que já que nunca acaba mais vale não fazer nada, mas sim que quando o bichinho da vontade de mudar desperta em nós já é sinal de que uma longa jornada interior nos está a ser pedida... E essa jornada não tem que exigir que se despeça do trabalho, ou mude de país, não precisa duma mudança de vida radical. Mas independentemente do lugar onde estivermos e de como escolhermos estar e a viver a nossa vida, essa jornada vai prosseguir. Não há forma de a controlar... 

Ter sonhos é sinal de que temos necessidade de crescer numa determinada direcção. Não é sinal de que vamos ser felizes quando lá chegarmos. Na verdade, quando lá chegarmos estaremos no ponto de partida duma nova viagem. Então os sonhos não são vistos como estações finais, mas sim estações de descanso e de celebração ao longo desta jornada de crescimento pessoal! 

Felicidade não é atingirmos um patamar, é "curtir" a viagem e cada aprendizagem que acrescentamos à nossa bagagem. 

Para se ser feliz é preciso estar disposto a evoluir internamente... 


Beijinhos e abracinhos,

Raquel


junho 04, 2020

Sobre estas questões da Mudança de Vida

Apesar de vários de nós terem tido a experiência (ou aprendido pela experiência de outros) e terem percebido que não adianta mudar de vida sem mudar o nosso mindset porque as questões que nos atormentavam continuam a vir atrás de nós para serem resolvidas, muitos continuam a sonhar e a achar que vai ser diferente connosco e da próxima vez.
E eu penso que essa ilusão continua a acontecer para nos fazer sobretudo agir e desenvolver. E é aí que nos apercebemos o quão importante é ir atrás dos sonhos, não porque vamos ter finalmente a vida que queremos e vamos ser a pessoa que queremos, mas porque percebemos que afinal a sensação de felicidade, plenitude e autorealizacao não está quando chegamos ao destino mas sim quando percebemos o quanto crescemos para tentar chegar até lá!
E novos sonhos emergem para que possamos ascender a mais um grau na nossa evolução como aprendiz...


junho 03, 2020

Entrevista sobre Viajar em Autocaravana

Olá! Integrado no festival Backpackers Summer Fest do "Viajantes Minimalistas" fui falar sobre a nossa experiência de Viver e Viajar em Autocaravana 🚐
Para quem não viu e para mais fácil acesso publico aqui a entrevista:
Entrevista sobre Viajar em Autocaravana

Os pontos que tocámos foram, nomeadamente:
- Quem Somos e o que fazemos
- Porquê a autocaravana?
- Tribos Autocaravanistas
- Como é viver numa autocaravana
- Vantagens e Desafios do autocaravanismo
- Estilo de vida minimalista: Aprendizagens
- Ser autocaravanista em Portugal e noutros países da Europa
- Como escolher a autocaravana mais indicada para mim
- Onde comprar, alugar ou converter uma autocaravana

Anexamos ainda um vídeo de apresentação da nossa autocaravana
Tour da nossa Autocaravana


Feedback
Foi absolutamente maravilhoso ter a oportunidade de partilhar um pouco da minha experiência não só como viajante em autocaravana, mas como viajante desta estrada que é a vida.
Sem dúvida de que o meu propósito de vida se liga também à comunicação e à partilha, não fosse o sentimento de celebração e de realização pessoal que estou a sentir neste momento!
Muito obrigada pelo interesse e pelo feedback tão positivo 🙏

Recomendo aderir ao grupo dos Viajantes Minimalistas para mais histórias minimalistas:
Grupo de Facebook Viajantes Minimalistas

Beijinhos e abraços e encontramo-nos na próxima história!

Raquel

maio 04, 2020

Experiência de TaiChi e Qigong

Ontem ao final do dia recebi um workshop online com aula de TaiChi e Qigong, pelo meu querido amigo Rui Sarmento.
Tinha experimentado há uns anos atrás, mas tal como o Yoga, na altura não me tinha despertado muito interesse. Precisava de algo com mais movimento. Suar, para mim, significava que tinha efetivamente trabalhado.


Mas agora que a idade passa, também passamos a preferir mais qualidade e menos intensidade 😉 e de facto é uma prática muito completa, porque estes exercícios estimulam uma melhor circulação e equilíbrio da energia no nosso corpo e a verdade é que saímos da aula rejuvenescidos! Lembro-me que havia um exercício em que levantava os pés e inclinava o corpo e parecia que estava a voar 🧚‍♀️
Mas o que fiquei mais impressionada foi mesmo o facto de conseguirmos trabalhar tanto a mente como os músculos com estes exercícios tão simples e harmoniosos.


Muito grata Rui, pelo teu tempo e dedicação 🙏

Fotografia tirada numa praia em Danang, no Vietnam

abril 28, 2020

Desperta para o teu propósito - pronto para abdicar?

Há uns dias estava a ler alguns artigos sobre a Sofia de Assunção, uma coach que sigo e gosto muito de ler, e ela escrevia sobre o propósito de vida, um tema que tenho andado a dar mais atenção ultimamente.
Ela escrevia sobre as várias razões que nos podem fazer afastarmo-nos do nosso propósito, sejam elas basearmos a nossa vida naquilo que são as definições das outras pessoas, seja alimentarmos mitos e mentiras à sombra de um sentimento de auto-vitimização, seja mesmo desconhecermos o que nos move. Mas houve uma razão que se destacou para mim que foi a de não querer pagar o preço que a nossa verdade acarreta.

Depois de vários anos num processo contínuo de auto-descoberta consegui aceder ao que me movia e finalmente, a dada altura, consegui remover os obstáculos que travavam o meu salto, mas continuava a ser muito difícil dá-lo. Lembro-me bem desse momento e lembro-me de pensar que agora estava a mais de meio da ponte. O percurso que tinha feito até lá já estava em ruínas. Sem me aperceber o meu passado já não era um presente, era impossível voltar atrás, ou como é que eu iria explicar a mim mesma este retrocesso? O caminho era para a frente, seja lá o que se viesse a apresentar, e só pagando o preço dessa verdade me permitiria dar o último salto que precisava. Estava preparada, era hora de arriscar.

Fazer uma escolha significa sempre abdicar. Abdicar da "segurança" do conforto e do conhecido, por muito que o conhecido não seja o que ambicionamos. Mas sabemos com o que contar e isso traz-nos muitas vezes uma sensação de segurança.

O que te falta a ti para arriscares a viver a tua verdade?


abril 24, 2020

Quarentena, para que serves?

Há dias estava a ler um artigo da Sofia de Assunção, uma coach que gosto muito de seguir, e ela escrevia sobre todo o ruído que tem sentido à volta destes tempos de quarentena e fez-me tanto sentido que resolvi partilhar.
O título do artigo chama-se "E se eu não quiser voltar ao normal?"

De facto, se por um lado este é um excelente momento para nos dedicarmos a fazermos aquelas coisas que há que tempos queríamos mas nunca mais as fazíamos porque não tínhamos tempo, a verdade é que este também é um momento de parar de fazermos coisas e estarmos apenas presentes. Aquela coisa que custa tanto para muitos: o não estarmos constantemente a produzir. Porque "parar é morrer".
Às vezes parar pode ser crescer! E nem todo o crescimento é possível de ser medido e produzir alterações visíveis à nossa volta! E não deixa de ser a peça mais estruturante de nós mesmos e que nos permite sermos o melhor de nós... Afinal não é disso que se trata a vida?

Se por um lado tenho sentido uma vontade imensa de aproveitar a fazer essas tais coisas, por outro lado tenho sentido muita vontade de ler mais sobre desenvolvimento pessoal, de me conectar comigo, de aproveitar este tempo para me redefinir e redefinir o caminho que quero seguir. Para mim as paragens servem para isso mesmo, para vermos o que está bem e o que está menos bem na nossa vida e vermos o que podemos fazer para estarmos melhor. Servem, no fundo, para nos obrigarem a tomarmos as rédeas do nosso percurso, quando às vezes no corre corre da vida isso não é tão fácil fazer-se. E por mais cursos e conselhos que existam, no final quem irá saber o que é melhor para nós, somos nós mesmos, com a nossa sabedoria interna.
E é esta sabedoria interna que nos faz direccionar para uma vida significativa, alinhada com os nossos valores e propósito. E é nesta coerência entre o que se sente cá dentro e o que se vive lá fora que a tão querida felicidade dá o seu estado de graça 💓


abril 14, 2020

Quem escolhe o conselheiro, já escolheu o conselho

Tenho aproveitado para ler mais e sobretudo ler livros de desenvolvimento pessoal. Gosto muito de ler Jorge Bucay, porque os livros dele têm muitos contos com metáforas e tornam a minha leitura desafiante e cheia de insights.

Quando li esta frase estava a pensar que realmente quando queremos muito fazer uma determinada coisa (ou não fazer), mas falta-nos coragem ou outro atributo ou circunstância qualquer, temos tendência a procurar falar com pessoas que achamos que nos vão dizer o que queremos ouvir. Por isso, quando estamos com dúvidas sobre a opção a escolher, uma das formas de a encontrar a nossa resposta é olhar para quem nos dirigimos a pedir ajuda.

Como sempre, a resposta está mais cá dentro do que lá fora :)
Maravilhoso Rooftop do H-Suites Aparthotel onde estivemos em Danang, Vietnam

abril 13, 2020

Receita desodorizante natural, em 5min!

Eu uso esta receita para fazer o meu desodorizante há vários anos e funciona mesmo!
Já que a malta está a curtir a culinária, aqui vai mais um desafio, mas bem mais fácil que os anteriores.

Então é só juntar 2 colheres de sopa de amido de milho (maizena) e outras 2 de bicarbonato de sódio. Mexer com a colher e ir misturando um bocadinho de azeite, aos poucos, e depois água. Eu faço a olho, mas diria que é talvez meia colher de azeite e depois mais 1 ou 2 colheres de água, até obter uma consistência homogénea e firme.
O azeite pode ser substituído / adicionado ao óleo de coco. Eu adiciono mais água do que azeite porque o azeite em demasia pode depois manchar a roupa.


Quando estiver a consistência perfeita podem adicionar umas 4 ou 5 gotas de óleo essencial e mexer e voila! Têm desodorizante para um mês!

Super fácil, barato e natural 😊


março 29, 2020

Receita iogurte natural que faço em casa

Há várias formas de o fazer e há quem use iogurteiras, etc. Eu faço da forma mais simples.

Compro o melhor leite (vegetal ou animal) e o melhor iogurte natural que encontrar e depois é só colocar 1 litro de leite a aquecer no fogão até chegar quase o momento do leite ferver, mas sem deixar ferver. Deixar arrefecer uns 10 minutos até o leite ficar a uma temperatura alta mas que dê para aguentar o dedo até 10 segundos sem nos queimar.

Passo o leite para um tupperware hermético de vidro e junto um iogurte natural e mexo.
Depois é fechar e embrulhar o tupperware em vários panos e cobertores e deixa-lo hibernar para o dia seguinte. Há pessoas que o colocam dentro do forno desligado de um dia para o outro e que também funciona bem.

No dia seguinte abro e tem este aspeto da fotografia. Mexo com uma colher e levo ao frigorífico e está pronto a consumir. Super fácil!


Quando esta dose estiver a terminar, podem retirar 2 ou 3 colheres deste iogurte para fazer o próximo com mais 1 litro de leite!

Dica: Se gostarem de iogurtes espessos devem usar leites mais gordos ou iogurte grego. Há quem também use agar agar.

março 26, 2020

Testemunho Viagem ao Vietnam

Olá! Venho falar sobre as expectativas que tínhamos em relação ao Vietnam e o que encontrámos, numa altura em que o mundo parou com a pandemia do coronavirus.

Para começar, encontrámos um país bem mais desenvolvido do que pensávamos e muito limpo!
Fomos muito bem recebidos pelos Vietnamitas, um povo muito despachado e que nos acolhe de braços abertos, quanto mais não seja para nos vender qualquer coisita 😂

Encontrámos um povo bem diferente dos que já tínhamos visitado na Ásia e diferente do que imaginávamos: muito ativo e bastante sociável, mais barulhento do que os países vizinhos e muito empreendedor, com muito bom olho para o negócio!


Percurso e lugares visitados
Estivemos cerca de 1 mês no Vietnam e visitámos apenas Hue, Hoi An e Danang. Pode parecer que visitámos pouco num mês, mas desde que somos nómadas digitais não temos pressa de visitar os locais a correr, mas usamos muito mais o "slow travel". Para saber mais sobre como é a nossa vida de nómadas digitais, acede às publicações no blogue Como é ser nómada digital.

Os nossos planos eram ficar um mês e meio no Vietnam, sendo que seria um mês em Hoi An e o restante tempo a viajar por outros locais, mas quando chegámos a Hoi An deparámo-nos com uma cidade encantadora, mas demasiado turística. Com muita gente e preços para turista. Ficámos uma semana e depois fomos para Danang, que foi uma agradável surpresa para nós. Embora pensássemos que Danang fosse uma cidade moderna, com turismo de praia e de noite e muitos nómadas digitais que gostam de festa, a verdade é que naquele momento pareceu-nos um destino mais calmo e mais local do que Hoi An e com preços muito mais acessíveis para uma estadia mais prolongada.
Também ao final de 2 meses a viajarmos pela Ásia já sentíamos a necessidade de assentar num sítio, trabalhar e descansar da viagem.
Tínhamos arranjado apartamentos com excelente relação qualidade preço, quando o coronavirus começou a atacar na Europa e a entrar em Portugal. Ainda estivemos a ponderar ficar até a onda passar, mas de facto já não fazia sentido ficar lá quando a família poderia precisar de nós em Portugal.
Para saber mais sobre a experiência de regresso a Portugal em plena pandemia e sobre outros sítios onde estivemos no Vietnam, acede aos artigos da secção Viagens Ásia: Vietnam.


Expectativas versus o que encontrámos e sentimos
  • As nossas expectativas
A nossa expectativa inicial era de ver muito mundo rural, tradições antigas, lugares e pessoas autênticas, por causa de alguns vídeos que tínhamos visto na internet anteriormente.
De facto encontrámos, mas não de uma forma tão fácil como imaginávamos.
  • Produção descentralizada, mais manual e menos industrializada
O que nos pareceu é que a produção é bastante descentralizada. Cada pessoa tem o seu próprio pequeno negócio, por isso precisam de estar todas muito próximas das estradas principais para poderem fazer negócio. Por esta razão vimos muitas técnicas tradicionais ainda a perpetuarem no tempo e reparámos que o sabor da comida era bastante bom em qualquer sítio que comprássemos. A produção nacional não nos pareceu muito industrializada ou mecanizada, mas feita sim em modo mais manual, o que também faz com que os preços não sejam tão baixos quanto esperávamos.
  • País em grande expansão: o Turismo
Por outro lado encontrámos um país em grande expansão, que está a ver o turismo como uma saída de ouro. Rapidamente percebemos o movimento de crescimento exponencial e aparentemente sem controlo das cidades e a influência do turismo já bastante presente.
Lembro-me do exemplo das senhoras que vendem fruta nos cestos tradicionais. Neste momento em Hoi An e noutros locais turísticos elas fazem mais dinheiro a venderem fotografias a transportarem os cestos do que realmente a venderem fruta... O que reflecte bem o impacto da nossa presença como turistas em cada sítio por onde passamos.

Gostámos imenso do "despacho" dos Vietnamitas, das ideias empreendedoras deles, principalmente no que toca ao turismo. A forma como conseguem observar os seus pontos fortes e de interesse turístico e "empacotar" essa sabedoria numa experiência que vende é simplesmente fantástica!

Porém, esta visão permanente de procura de negócio fez-nos sentir muitas vezes vistos apenas como um cifrão. E apesar de estarmos algumas semanas em cada sítio, fazermos compras no mercado várias vezes, etc, sentimos que nunca conseguimos passar a barreira de turista e começarmos a sermos vistos como alguém mais "local". O facto deles viverem muito dependentes do turismo nalguns locais altera muito a experiência e a forma como nos vêem. Sentimo-nos sempre muito bem tratados, mas constantemente numa relação comercial. Obviamente que em muitos outros países passamos mais despercebidos como turistas e na Ásia vê-se bem que não somos asiáticos e isso influencia em muito a experiência!
Mas a verdade é que também nunca consegui estabelecer uma relação mais próxima com um asiático. Penso que as culturas são tão diferentes das nossas, que seria preciso um longo tempo de adaptação e de conhecimento da cultura para conseguir integrar-me e ter uma relação mais próxima.
Um desafio a tentar numa próxima visita à Ásia :)
  • Zona Norte, talvez uma realidade diferente?
Porém, ouvimos dizer que a zona norte é bastante diferente e muita gente diz que é lindíssima! Provavelmente seria uma zona muito interessante para visitarmos, mas também era mais próxima da China e por causa do surto de vírus mantivemo-nos sempre longe.



Aprendizagens e Considerações finais
Embora tenhamos gostado bastante desta experiência de 3 meses a viajar pela Ásia, sentimos que começamos a ficar mais exigentes, a querer ver coisas mais diferentes, mais únicas, mais autênticas e cada vez é mais difícil isso acontecer, porque por um lado com a internet e a globalização o mundo está a tornar-se cada vez mais igual: as pessoas, as roupas, a arquitectura dos edifícios, etc. Por outro lado, já vimos mais coisas e por isso a busca pelo diferente torna-se também ela mais exigente.
O próximo destino a visitar será certamente pensado nesta lógica.

Outro pensamento que nos saltou imediatamente é que quanto mais viajamos mais valorizamos o nosso país, Portugal, que com uma área tão pequena consegue ser tão diverso e com uma cultura tão genuína presente ainda nas pessoas e nos edifícios!

março 24, 2020

Passaporte, um papel que nos dá acesso à Europa

Pela primeira vez tive receio de não conseguir regressar ao meu país, ou de me ser barrada a entrada noutros países, por variadíssimas razões.

Quando o avião aterrou e passámos a imigração em Dublin sentimos aquela sensação: "Ok, entramos na europa, estamos safos!"
Não pensei isto por causa do vírus. Na verdade o vírus parece estar muito mais controlado na Ásia do que na Europa. E no Vietnam ainda mais!
Mas sabíamos que entrando na Europa seria depois mais fácil conseguir chegar a Portugal, caso o voo seguinte fosse cancelado.


Entrar na Europa sempre foi um dado adquirido para nós. Somos europeus. E o que faz de nós legiveis para entrar é apenas um papel, o passaporte. Que nos dá acesso imediatamente a um conjunto direitos e de regalias.
De repente lembramo-nos dos milhares de pessoas que esperam por um papel para poderem entrar na Europa e iniciarem uma vida digna e sem guerra.
E sentimo-nos ligados...

O melhor de passarmos dificuldades é mesmo a riqueza que elas nos podem trazer: sentirmo-nos vulneráveis e pormo-nos no lugar de tantas outras pessoas que passam o mesmo ou semelhante. Isso faz-nos ter mais compaixão pelo outro.
Acredito que a humanidade também irá crescer com esta dificuldade que estamos a atravessar no momento. Que assim seja 🙏


março 23, 2020

Aeroportos, como senti que me estavam a proteger do vírus

Têm-nos perguntado que ações estão a ser tomadas nos aeroportos.
À medida que fomos saindo do Vietnam parece que fomos ficando cada vez mais desprotegidos. Até chegarmos a Dublin.

No voo interno no Vietnam tivemos que assinar um termo de responsabilidade em como não apresentávamos qualquer um dos sintomas ligados ao vírus e mediram a temperatura a todos os passageiros do avião em que voamos, companhia vietnamita. Ninguém podia entrar no aeroporto sem máscara.


Quando entramos nesse voo ofereceram-nos desinfetante para as mãos e água. À saída do voo entramos para um bus, que tinha televisões a mostrarem um vídeo com os procedimentos de desinfecção que fazem aos autocarros para a prevenção da propagação do vírus.

Entrando no Dubai percebemos que o uso das máscaras não é obrigatório. Não vi qualquer placard informativo sobre o vírus ou de como lavar as mãos, etc.
Os voos Ho Chi Min - Dubai e Dubai - Dublin foram completamente cheios, com pessoas a tossirem e claramente doentes, e muita gente sem máscara. Não houve qualquer controlo sanitário. Aparentemente tal e qual os procedimentos normais.

À chegada a Dublin apercebemo-nos duma gestão deste fenómeno um pouco diferente.
Ninguém andava com máscaras, mas havia vários funcionários a gerirem a fila e a obrigarem distância. Nos balcões de imigração não tocavam nos nossos passaportes nem em nada nosso. Nós tínhamos que colocar o passaporte de forma a que eles conseguirem ver a informação.

À chegada a Portugal pediram a nossa identificação e dados pessoais e disseram-nos que teríamos que ficar de quarentena.

Apesar de saber que corria muitos riscos nesta viagem e daí termos pensado muito se deveríamos vir ou não, nunca pensei que houvesse tanta falta de proteção aos passageiros e tripulação. Estivemos completamente entregues à bicharada...

Vamos esperar agora que a nossa quarentena seja pacífica e não nos traga chatices. Estaremos atentos aos sinais!

março 22, 2020

A viagem para Portugal em plena pandemia do Coronavirus

Depois de mais de 2 meses a viajar com cuidados diários reforçados (o vírus já cá andava à solta bem antes de entrar em Portugal), a ideia de nos pormos a viajar agora é mesmo muito louca. Já não tinha ideia de estamos tão próximos das outras pessoas num avião. É assustador!

Os aviões para o Dubai e para Dublin foram super lotados! E a ideia de passar 7h e mais 8h30 a respirar ao lado de alguém que não conheço e não faço a menor ideia se tem o vírus mete muito medo. A ideia de que eu possa estar infetada e a propagar para outros é igualmente assustadora... Por isso usamos sempre a máscara.


Trouxemos o nosso kit diário com máscaras, luvas, desinfetante para mãos e boca e água para nos ajudar a proteger a nós e os outros. Achei que este lenço também me poderia ajudar a proteger os ouvidos e olhos.

Os voos turísticos têm mesmo que acabar por agora e arranjarem-se outras alternativas para as pessoas regressarem a casa. É demasiada falta de controlo da proximidade. O pânico das pessoas regressarem a casa está a lotar os aviões nestas rotas e a fazerem-nas correrem mais riscos. Já não estava tão próxima de um desconhecido há muito tempo. É muito desconfortável!
Na rua conseguimos controlar muito melhor, atravessando a rua, mantendo distância sempre de alguns metros.

Como o primeiro voo estava lotado não conseguimos lugar juntos. Fomos nos lugares do meio... A minha parceira do lado era holandesa e veio passar umas férias e estava de regresso a casa. Contou-me que na ida para o Dubai foi num avião onde uma pessoa ia infetada e por isso passou as férias fechada de quarentena. O último dia de quarentena foi ontem e conseguiu regressar agora. Eu só pensava "Ó meu Deus, onde eu me vim meter..."
Consegui convencê-la a trocar de lugar com o Daniel para virmos juntos e assim foi.


Conseguimos finalmente chegar a Portugal 32h depois de termos saído do Vietnam!
E soube agora mesmo que a nossa companhia aérea vai suspender todos os voos a nível mundial entre 25/3 e 30/6. Ainda bem que viemos a tempo!

E acho que o fizemos, porque tivemos várias pessoas a ajudarem-nos incansavelmente. Desde a companhia aérea, ao meu primo na Agência Abreu, aos nossos amigos que nos iam pondo a par das notícias que podiam ter implicações nos nossos voos, às minhas primas que tanto apoio emocional me deram nestes últimos dias e a todos vocês que colocaram um pouco da vossa energia para torcerem por nós.
Tudo isso fez-me dar a confiança de que poderia avançar e de que tudo iria correr bem.
Por isso muito obrigada por vos ter sentido ao nosso lado 💗


Queria ainda dizer que estou muito contente por termos feito esta viagem com a Emirates. Um atendimento no geral muito bom, com empatia, na tentativa personalizada de satisfazer as necessidades de cada cliente mesmo em situação de crise, e estando eles a trabalharem em call center todos juntos, sujeitos também a contraírem o vírus.
Permitiram-nos alterar os nossos voos umas 5 ou 6 vezes nos últimos dias, face também às alterações e restrições que foram aparecendo e "foram-nos buscar" à nossa cidade no Vietnam através duma outra companhia aérea vietnamita em vez de termos que voar para Bangkok por nossa conta e vieram "entregar-nos" a Dublin em vez de Portugal, pelo facto de não terem tido permissão para voar no espaço aéreo.
Isto tudo para que tivéssemos um bilhete único e minimizássemos assim o risco de ficarmos retidos a meio da viagem.
A partir de Dublin a responsabilidade foi nossa e optamos por voar com a Ryanair. Mais 3 dias e a Ryanair deixará de voar por tempo indeterminado. Just in time!

E finalmente chegamos a terra lusa!

Andaremos em modo de quarentena durante as próximas semanas. Longe de tudo o que se mexe para garantir a segurança de todos 🙏

março 20, 2020

Regresso inesperado a Portugal

Após vários dias numa ansiedade gigante, decidimos arriscar e voar para Portugal nesta altura de caos.
A decisão não foi nada fácil para mim. Há muitos fatores que me fazem querer ficar por cá enquanto a situação não estabiliza em todo o mundo: a probabilidade de ficarmos bloqueados num país pior, de apanharmos o virus, de contribuirmos para a sua propagação, de à chegada a Portugal nos depararmos com um país de quarentena que não reconhecemos, de termos que ficar de fechados quando aqui andamos a céu aberto, de calção e chinelo no pé. Por outro lado, não me consigo imaginar do outro lado do mundo pensando que o meu pai pode ficar doente.
Regressar sim, mas nunca sem a segurança de chegar ao destino, era o meu lema.


Tentei ouvir muitas vezes a voz do meu coração, mas com tanto ruído fica difícil saber o que é melhor fazer.
Sinto que um lado de mim pede a sensatez de ficar e saber esperar, do outro a minha razão e necessidade de controlo e culpa pedem-me para regressar.
Esclarecidos estes sentimentos dentro de mim, decidi que já que fizemos tudo para conseguirmos fazer esta viagem de regresso a Portugal, agora está na hora de confiar que é a decisão acertada do momento, funcione ela ou não da forma como gostaria.

Caso não consigamos sequer sair do Vietnam, voltaremos para trás em paz e alugaremos uma casa ao mês. Caso consigamos sair do Vietnam espero que consigamos chegar ao Dubai e seguir para Dublin. E em Dublin que consigamos apanhar o voo para Portugal. Se alguma destas etapas nos fizer parar no percurso ficaremos mais sábios e mais fortes e criaremos empatia e ligações fortes com pessoas por todo o mundo que estão a passar pelo mesmo. Será mais uma aventura nas nossas vidas, que nos enriquecerá como pessoas.
Há milhares de pessoas a sentirem o mesmo que nós, não estamos sozinhos.

Chega agora o momento de entregar nas mãos dos nossos deuses, desejando que tudo nos corra pelo melhor.

Amanhã ao final da tarde estaremos a aterrar em Portugal se Deus quiser 🙏


março 13, 2020

A situação do Coronavirus no Vietnam

Tenho tentado não falar muito sobre este assunto nas redes, mas partilho agora um pouco do que temos vivido nestes últimos dois meses, a viajar constantemente na sombra deste novo vírus.
A fotografia que vêem neste post foi tirada de um vídeo que fizemos ontem na estrada, quando estávamos a passar por esta criança na rua, que tapou a cara com medo que a infectássemos com o coronavirus. Dá que pensar...

Dada a nossa proximidade da China desde Janeiro, a Tailândia e o Vietnam foram logo dos primeiros países a terem pessoas infectadas.
Chegámos ao Vietnam há cerca de 3 semanas e ainda apenas 16 pessoas tinham sido infectadas pelo novo vírus. Soubemos que logo no início o Governo conseguiu literalmente expulsar todos os chineses do Vietnam em tempo record e estava tudo calmo, embora a sombra do vírus estivesse sempre a acompanhar-nos. Este número de 16 infectados manteve-se por 3 semanas, até que um casal de ingleses, infectado por uma vietnamita num avião, veio para o Vietnam e espalhou por várias pessoas em vários pontos do país. A chama do fogo voltou a reacender e neste momento vai em cerca de 40 pessoas infectadas, um número idêntico ao de Portugal no momento.

A resposta do paísAqui as escolas estão fechadas há muito tempo e vários negócios fechados, especialmente ligados ao turismo. Os hoteis estão a preço dado, porque os turistas foram-se embora e não vêm novos turistas. Vemos por cá essencialmente estrangeiros residentes ou nómadas digitais.
Aquilo que posso partilhar é que o Governo tem sido muito proativo, a população está com receio mas acata muito bem as indicações dos responsáveis e as decisões são rápidas e aparentemente eficazes. Apesar da controvérsia em relação ao uso das máscaras, aqui quase toda a gente as usa! Também porque já faz parte da cultura e as máscaras aqui servem há muito tempo para proteger dos fumos, especialmente quando se anda de mota.
Aqui este vírus parece ser levado a sério e penso que também é por isso que parece estar relativamente controlado. A população orgulha-se disso e orgulha-se das medidas tomadas pelo Governo. Às vezes é preciso uma boa mão de força!
O calor começa a apertar, hoje a mínima foi de 24C e a máxima de 32C, e pensa-se que o vírus não deva resistir por muito mais tempo por estas bandas. Assim o esperemos!

Repercussões na interação localA nossa interação com os locais tem mudado um pouco, como é normal. Eles chamavam por nós na rua e agora alguns fogem e têm receio, porque nós representamos uma ameaça no olhar de muitos deles. Não os recrimino, eu faria o mesmo, e aliás faço o mesmo junto de outros estrangeiros. Não sei de onde vêm, para onde vão, que cuidados têm. Não me chego a ninguém. E não chegar a ninguém neste momento é o melhor que podemos fazer por todos!
Conforta-me imenso estarmos em Danang neste momento, muito próximos de um casal de amigos Portugueses que vivem cá, nómadas digitais.

Cuidados redobrados há 2 meses a viajarÉ imaginar que todo o nosso corpo, a partir do momento em que sai de casa, está imundo. E evitamos tocar noutras pessoas ou coisas, mãos nas maçanetas das portas, corrimões, etc. É como jogarmos um jogo de volei com os pés ou com os cotovelos!
Pode ser um bom treino utilizarmos outras partes do nosso corpo!

Dever de cidadaniaQueria ainda dizer que por nós e por todas as pessoas que possamos vir a contagiar e que irão contagiar outras pessoas, devemos ser responsáveis. Vi imagens duma multidão na praia em Portugal que me deixou aterrorizada...
O meu pai está em Portugal, tem quase 70 anos e sinto esta irresponsabilidade como um crime!
73% do contagio é feito por família, por isso o mais importante é mesmo ter estas precauções principalmente com a família!

Mais uma vez, o mundo é de todos. Se calhar é mesmo isto que este vírus nos quer ensinar, afinal de contas...
Aproveitemos a quarentena para fazer um exercício de retiro, que se calhar nunca tiveram a oportunidade de fazerem antes! Tal como eu deixei de roer as unhas porque não podia meter as mãos à boca, há muitas outras coisas a aprender com esta oportunidade! Esta é uma excelente ocasião para pararmos e nos organizarmos!

Se quiserem ver o vídeo que acabei de publicar, falo um pouco mais sobre esta situação, que nos está afectar a todos, em todo o mundo: https://youtu.be/gpWQcMA80KE

março 12, 2020

Para a minha companheira de caminhada

Nos últimos anos, Raquel, viajaste por Portugal e pelo mundo, percorreste muitos quilómetros de distância, alguns na tua casinha ambulante, com o teu companheiro de vida.
Conheceste muitos lugares, muitas pessoas, observaste muito à tua volta, aprendeste muito sobre ti e sobre os outros, enquanto lidavas com diferenças que unem e semelhanças que separam.
Eu fiquei nesta minha casa, fixa à terra que é o meu berço e ao país que é a minha paixão. Fiz viagens interiores, de muitos quilómetros de distância. Não viajei horizontalmente, mas verticalmente, para as profundidades do meu coração e as alturas da minha alma. Regressei ao corpo, regressei a mim.

A distância física entre nós e o facto de estarmos em momentos tão diferentes da vida não nos impediu de acompanharmos o percurso uma da outra, às vezes com maior proximidade, às vezes com maior afastamento. Como não nos impediu de partilhamos as nossas dúvidas e alegrias, os nossos desafios e as nossas dores, e de nos apoiarmos, na medida daquilo que cada uma podia dar de si, em cada momento, potenciando a aprendizagem mútua.
Aprendemos a respeitar e apreciar as nossas diferenças e singularidades e a reconhecer a nossa humanidade partilhada, a mesma que está na base desta criatividade pessoal que nos torna únicas e especiais.

Hoje é o teu aniversário e o mundo vive suspenso na incerteza do amanhã. Que encontremos as certezas nos laços que nos unem enquanto humanos, na esperança dos sonhos que teimam em florescer em tempos de crise e na visão de uma vida guiada pela alegria e pelo amor.

Esta é uma foto da última vez que estivemos juntas. Estavas com uma gripe que não pegaste a ninguém. Até ao teu regresso. Que nessa altura, em Portugal, estejamos todos seguros o suficiente para nos voltarmos a reunir presencialmente.

Um longo abraço para ti, Raquel, que, neste momento, tem mesmo de ser virtual... Tem um dia feliz e continua a espalhar sorrisos e a inspirar sonhos!
Gratidão à vida por te ter posto no meu caminho.

Cristina Leite, 12 março 2020


março 11, 2020

Herbs Village, inspiração para propósito de vida!

Olá, bem-vindos! Uma das coisas que mais admiro no turismo do Vietnam é a forma criativa como conseguem "empacotar" uma experiência.
Estivemos na Herbs Village, na Pottery Village (artesanato), que no fundo são aldeias nas quais a população se especializou num determinado saber e convida a partilha-lo com o público, oferecendo também uma experiência ao turista. 

De repente senti-me tão ligada ao meu propósito de vida! É muito similar ao meu projeto de sonho, no qual uma comunidade une esforços para viver e partilhar uma forma alternativa de vida. 

Neste vídeo falo um pouquinho desse meu sonho e de como me inspirou no meu próprio projeto de vida. 

Beijinhos e abraços e encontramo-nos na próxima história!



março 10, 2020

Hoi An, Um acordo interessante para manter o património

Olá! Depois de termos visitado várias casas antigas e locais de interesse histórico em Hoi An fiquei muito curiosa por saber quem paga para manter estas estruturas e como é feito esse acordo com o Governo. Como não tenho papas na língua perguntei a uma família, que me explicou como funciona. No vídeo partilho o que me explicaram.

Beijinhos e abraços e encontramo-nos na próxima história!


março 07, 2020

Festival da Lanterna de Hoi An em pleno coronavirus

O Festival da Lanterna de Hoi An acontece todos os meses, em plena lua cheia.
Sendo Hoi An uma das cidades mais bonitas e charmosas do Vietnam em condições normais, nesta noite do mês torna-se ainda mais encantadora, por isso queríamos muito visita-la novamente. Em condições normais, nesta noite do mês Hoi An está completamente cheia de gente, mas este ano foi muito diferente por causa da presença do coronavirus no país. 
Sem dúvida tivemos direito a uma experiência completamente única: assistir ao festival da lanterna com poucas pessoas. 
Este festival é conhecido pelo ambiente que se cria à volta das lanternas coloridas ao longo do rio, nas casas. Há um momento em que desligam todas as luzes e ficam acesas apenas as luzes das lanternas. É encantador! 

Estando a pernoitar em Danang, em menos de uma hora de autocarro conseguimos pormo-nos lá. Combinámos ir jantar com os nossos amigos João e Sara do No Footprint Nomads. Para quem não sabe, este casal de amigos Portugueses está a viver neste momento em Danang. São nómadas digitais e uma referência no que toca a viajar com uma pequena pegada ecológica. Para quem quiser conhecer mais sobre eles, aqui fica o site: https://www.nofootprintnomads.com/ 

No regresso a casa alugámos um taxi e sabem o que nos aconteceu? A estrada onde circulávamos tinha sido tomada por um racing clandestino e quando demos conta estavam carros a ultrapassarem-nos em alta velocidade, em plena corrida. O motorista do taxi tentava-nos explicar em Inglês o que estava a acontecer, cheio de entusiasmo. Passados alguns minutos vimos a polícia a chegar. 
É surpreendente como o povo vietnamita é tão latino e tão diferente daquilo que absorvemos da cultura de outros países asiáticos que visitámos, como a Tailândia ou a Birmânia...


março 06, 2020

Eco Green Hub

--- ENGLISH BELOW ---
Olá, bem-vindos! Durante o nosso passeio a Hue encontrámos esta loja "verde", que vende produtos biológicos, produtos de artesãos da zona, faz workshops reutilizando e reciclando materiais. E tem ainda uma zona para tomar o maravilhoso café vietnamita!
É sobretudo uma loja eco-friendly e o objetivo principal é aumentar a consciência do consumo responsável e da produção sustentável, para a conservação da biodiversidade.

Se alguém quiser contribuir com ideias, serão muito bem-vindas!

Para saber mais sobre a Eco Green Hub:
A página de facebook: https://www.facebook.com/hueecogreen/
Endereço de email: ecogreenhub19@gmail.com

Beijinhos e abracinhos e encontramo-nos na próxima história!

Raquel & Daniel
Digital Nomad, Blogger, Traveller, House & Pet Sitter
https://overtrail.com


--- ENGLISH VERSION ---
Hello, welcome! During our trip to Hue, we found this "green" store, which sells organic products, products from local artisans, runs workshops reusing and recycling materials. And there is also a coffee shop area to have the wonderful Vietnamese coffee!
It is an eco-friendly store and the main goal is to increase awareness of sustainable production, responsible consumption and linkages to biodiversity conservation.

If anyone wants to contribute to this project with ideas, they are most welcome :)

To learn more about the Eco Green Hub:
The facebook page: https://www.facebook.com/hueecogreen/
Email address: ecogreenhub19@gmail.com

Kisses and hugs and see you in the next story!

Raquel & Daniel
Digital Nomad, Blogger, Traveller, House & Pet Sitter
https://overtrail.com


PORTUGUESE AND ENGLISH SUBTITLES

Raquel Ribeiro. Com tecnologia do Blogger.