dezembro 19, 2020

O meu primeiro Retiro de Silêncio na Quinta São José dos Montes


Olá, bem-vindos! Escrevo este artigo para partilhar a minha experiência como participante no meu primeiro retiro de meditação e silêncio, na Quinta São José dos Montes, em Tomar. Foram 5 dias sobretudo de meditação e yoga, onde o objetivo era desligarmo-nos do mundo lá fora, dos telefones, internet, até mesmo das leituras, para nos conectarmos apenas com o nosso ser. 

Queria dizer desde já que apesar de termos sido mais de 60 participantes no retiro (nunca tinha participado num retiro com tanta gente, devo dizer!) o espaço tem condições para receber ainda mais gente em segurança. O retiro foi feito de acordo com as normas legais da DGS e como era um retiro de silêncio não era suposto socializarmos ou falarmos uns com os outros.


Neste artigo vou partilhar:

  1. O que é um Retiro de Silêncio?
  2. O que é a meditação?
  3. Rotina e Programa de atividades do Retiro de Silêncio
  4. O que foi mais difícil para mim
  5. O que mais gostei da minha experiência
  6. O que aprendi com este Retiro de Silêncio
  7. Retiro gratuito de Meditação e Silêncio
  8. A quem recomendo este Retiro de Silêncio
  9. Mais sobre a Quinta São José dos Montes


1. O que é um Retiro de Silêncio?

Um retiro consiste num período em que nos retiramos da nossa rotina do dia-a-dia para estarmos connosco. Há vários tipos de retiros e também vários tipos de Retiros de Silêncio, mediante o objetivo que se pretende.

Este Retiro de Meditação e Silêncio pressupõe a conexão com cada um de nós através da ausência de comunicação e interação com outras pessoas, seja por via de palavras ou mesmo olhares, bem como ausência de qualquer tipo de estimulação vinda de exterior, seja falar, ler, escrever, usar o telemóvel, etc. Há uma pessoa qualificada para o efeito, que nos dá orientações durante o retiro e promove atividades de meditação, mantras, etc, que descrimino mais abaixo.

Esta é a proposta feita, que cada participante abraçará em função do seu próprio desenvolvimento pessoal e/ou espiritual e dos seus objetivos pessoais. 


2. O que é a meditação?

Antes de começar, queria desmistificar a ideia do que é meditar. Muitas vezes na Igreja Católica falamos em meditar num assunto para querer dizer que vamos refletir no assunto. Aqui, meditar significa simplesmente estar no presente e isso quer dizer sobretudo não nos misturarmos com os nossos pensamentos, mas sim observamo-los e deixamo-los passar sem nos identificarmos com eles. Para ser mais prática dou um exemplo: estou sentada, a meditar, e imediatamente vem-me à cabeça que quando terminar a meditação tenho que ir às compras, depois ir a casa, ir trabalhar, etc, etc. E eu escolho, nesse momento, simplesmente não seguir a história que a minha mente está a criar, para me focar apenas na minha respiração, naquilo que o meu corpo está a sentir, sem qualquer tipo de interferência da mente.

Bem, quem já tentou meditar sabe a dificuldade que é "não pensar em nada". Para uns é mais fácil do que para outros, mas sem dúvida que exige muita prática. Mas vale a pena, os resultados são fantásticos quando se pratica diariamente, quer ao nível do foco, produtividade, alinhamento, bem-estar geral. A lista de benefícios é infindável!


Tenda do Bosque


3. Rotina e Programa de atividades do Retiro de Silêncio

07h00 Meditação

08h00 Pequeno Almoço

10h00 Yoga

11h30 Práticas Meditativas

12h30 Almoço

15h00 Meditação Ativa

16h15 Meditação

17h00 tempo Livre

19h00 jantar


Dome Quinta São José dos Montes


4. O que foi mais difícil para mim

Sei da infindável lista de benefícios da meditação há vários anos e tentei imensas vezes fazer meditação, mas não aguentava muito tempo. Começavam-me a doer as pernas, as costas, formigueiro, ficava aborrecida, dava-me sono, etc. Ainda tenho muitos dias em que isso me acontece, mas quanto mais pratico mais fácil se torna!

Sabia que meditação não é a minha forma mais querida para me focar no presente. Sou uma pessoa muito ativa, que gosta de estar sempre a fazer coisas e a sentir a mente ocupada, por isso esvaziar a mente é mesmo fundamental! Mas estar parada sem pensar em nada sempre foi demasiado aborrecido para mim... Mas há uma boa notícia! É que existem vários tipos de meditação, uns mais ativos e outros mais estáticos e foi um pouco isso que este retiro me trouxe: abrir as portas para diferentes formas de meditar. 

Nós podemos meditar sentados, conectando-nos apenas com a nossa respiração, mas também existem outras formas, como mantendo essa mesmo presença e foco mas a caminhar, assentando bem cada pé no chão. Podemos meditar a cantar mantras, que no fundo são músicas que têm uma mensagem que se repete e nos ajuda a trabalhar num determinado ponto do nosso desenvolvimento. Podemos meditar a dançar verdadeiras viagens sonoras… Podemos meditar a fazer yoga… A lavar os dentes, com presença nos movimentos que estamos a fazer… Enfim, podemos escolher ter uma atitude meditativa em qualquer circunstância ou atividade que façamos. E isto foi o que nos foi proposto durante aqueles 5 dias: estar neste estado meditativo, seja durante as meditações em grupo, no yoga, nas refeições, em todas as 24h do nosso dia. 

Para isso ajuda não termos contacto com nada do exterior, seja por telefone, internet, ler, escrever, ou mesmo interagir com outros participantes do retiro. O ideal é reduzir a estimulação exterior ao máximo, para nos focarmos apenas no nosso mundo interior. Eu confesso que a partir do 3º dia já estava desesperada por falta de estimulação. A nossa mente faz de tudo para nos manter a pensar com ordem e lógica. Inclusivamente senti-me um pouco tonta durante 2 dias. 

Eu pensava que não falar durante 5 dias ia ser o maior desafio, mas não. Essa parte foi fácil. Mais complicado foi mesmo a falta de estimulação.


5. O que mais gostei da minha experiência

Confesso que adoro estar nos retiros e nestes eventos de desenvolvimento pessoal e espiritual com a minha comodidade / casa às costas, a autocaravana. Quando penso na razão pela qual a comprei, é esta!

Mas o meu momento mais alto foi ao 3º dia, quando comecei a ouvir sons diferentes a saírem do frigorífico e do aparelho de aquecimento da minha autocaravana. 

Inicialmente pensei mesmo que o frigorífico tinha avariado, porque normalmente eu estava habituada a ouvir o que parecia ser um som único e ao 3º dia em silêncio conseguia distinguir 3 ou 4 sons diferentes, com cadências diferentes, que surgiam em simultâneo e em sequência. Tal era a falta de estimulação, que tudo serve para nos atrair a atenção! 😉 Mas é fantástico como há imensa coisa que nos passa despercebida no meio do ruído a que estamos habituados do dia-a-dia!

E é também assim quando queremos ouvir o nosso corpo e a nossa verdade. É preciso eliminarmos os ruídos externos, para ouvirmos os pequenos sinais.


Equitação Natural


6. O que aprendi com este Retiro de Silêncio

Senti que é exatamente neste ponto, no ponto em que já não aguentamos mais, que começamos a sair da nossa zona de conforto, e é aí que se inicia a transformação.

Não há forma de transformar sem desenformar. E desenformar custa! É a mesma coisa que querer emagrecer. Só quando começa a custar é que começamos a trabalhar. Até lá só fizemos o aquecimento. E nos músculos do desenvolvimento pessoal é a mesma coisa. Só quando começa a criar desconforto é que está a transformar.

E cada um aqui é dono do seu próprio processo de evolução. É-nos proposto que façamos o desafio a 100%, mas cada um medirá o ponto em que está e decidirá os seus objetivos.


7. Retiro gratuito de Meditação e Silêncio na Quinta São José dos Montes

Este retiro foi facilitado pelo psicólogo Rui Sebok Bizarro, e organizado pela excelente equipa dele. As aulas de yoga foram amavelmente oferecidas pelo Bruno Cruz, todas as manhãs. Aulas de mais de 1h30, muito completas e com direito a sound healing ao vivo no final para relaxamento, tocado por ele. Top!

Foi tudo muitíssimo bem organizado, sempre a horas, com imensa dedicação, profissionalismo e acima de tudo serviço. Digo serviço, porque este retiro acontece anualmente e é oferecido pelo Rui. A facilitação do retiro é gratuita e os participantes pagam apenas a alimentação (que é fabulosa!) e o alojamento. Eu paguei 20€ por dia para a alimentação (pequeno-almoço, almoço e jantar) e não paguei alojamento, porque fui com a minha autocaravana. Quem escolhesse acampar também não pagaria alojamento.

Podem ver o evento de Facebook com as condições aqui: Retiro Meditação e Silêncio (Gratuito)


Quinta São José dos Montes


8. A quem recomendo este Retiro de Silêncio

Recomendo vivamente este retiro a quem queira iniciar-se na meditação, porque o Rui dá a conhecer vários tipos de meditação com os quais cada um se identifica mais ou menos e poderá trazer para casa e para a sua rotina. No entanto, a meditação é do tamanho daquilo que lhe quisermos e estivermos prontos para dar, por isso é aberta a todos os níveis de dificuldade. Cada um faz o seu trabalho ao seu ritmo e a maravilha é podermos ter estes momentos para o fazermos em conjunto!


9. Mais sobre a Quinta São José dos Montes

Se quiseres saber mais sobre a quinta e os eventos, segue a página de Facebook ou o site da quinta São José dos Montes. A Quinta recebe reservas para alojamento de férias em apartamentos mais convencionais, mas também tem opção em yurts lindos e vai ter um camping. Tem um dome e uma tenda gigantes para eventos, piscina e equitação natural, um conceito que me apaixonou, que pretende demonstrar como podemos comunicar com os cavalos duma forma autêntica e sem violência e, mais do que isso, como podemos aprender sobre nós próprios e desenvolver-nos como pessoas, projetando-nos nesses maravilhosos animais.

Uma das coisas que mais admirei nesta quinta é mesmo este mix de alojamento rural mais convencional e com muito conforto, com algo mais rústico e off grid. Desta forma, pessoas com diferentes standards de conforto podem usufruir deste maravilhoso espaço. Acredito na mistura e na integração e para mim faz muito sentido o trabalho que está a ser desenvolvido aqui!


Yurt Quinta São José dos Montes


Beijinhos e abraços e sejam felizes!

Encontramo-nos na próxima história de desenvolvimento pessoal 😉

Raquel

Digital Nomad, Blogger, Traveller, House & Pet Sitter

OverTrail.com

novembro 01, 2020

A minha experiência nas Quatro Anas

Olá, bem-vindos! Escrevo para partilhar a minha experiência de um mês como voluntária na Quinta das Quatro Anas, em Valongo do Vouga, Aveiro.


Neste artigo vou partilhar:

  1. Como surgiu esta colaboração
  2. Apresentação da quinta
  3. Como foi a minha experiência de voluntariado
  4. O que mais gostei
  5. As dificuldades que senti
  6. O que aprendi com esta experiência
  7. Outras experiências de trabalho e de voluntariado

1. Como surgiu esta colaboração

Já conhecia a quinta das Quatro Anas pelo nome, porque a Diana administra um grupo de Facebook que eu sigo, o Rural Tribe. É um grupo focado na vida rural e que pretende, tal como eu, ajudar pessoas a moverem-se para as zonas rurais de Portugal.

Há algum tempo que tinha curiosidade em conhecer a Diana, a pessoa que está por detrás deste grupo e estabelecer alguma parceria com o nosso projeto Pure Portugal Holidays, já que temos a mesma missão.
Há uns dois meses atrás ela colocou no grupo que precisava de ajuda para o mês de Outubro e como eu ia para o Porto nessa altura, pensei logo que poderia ser uma boa altura para a conhecer e, ao mesmo tempo, ajudar na quinta.

Qual não foi o meu espanto quando fiquei a saber que outro casal que eu seguia online, a Matilde e o Miguel dos TravelB4Settle, estavam a organizar um evento residencial na quinta para nómadas digitais, logo na minha primeira semana de voluntariado. Isso é que foi um bónus!



2. Apresentação da quinta

A quinta das Quatro Anas é uma quinta familiar, que tem a missão de preservar a cultura e a tradição ao longo das gerações. Tem um alojamento rural, acolhe retiros de bem-estar, casamentos, eventos ao ar livre e experiências agrícolas.

Nesta quinta existe uma adega onde se produz o vinho. Faz-se queijo. Na horta tem, por exemplo, batata, cebola, pimentos, tomates, abóbora, beterraba, imensas árvores de fruto, ervas aromáticas, etc.
Falando de comida, acho que este é um dos pontos mais fortes da quinta, já que existe uma variedade enorme na produção e depois uma cozinha rústica onde se confecionam as iguarias para os eventos!
Falando dos animais, há galinhas, cabras, patos, gansos, coelhos, porquinhos da índia, cães e gatos.

Para conhecer um pouco mais sobre a quinta convido a visitar o site: https://www.quatroanas.com/



3. Como foi a minha experiência de voluntariado


As tarefas

Durante o meu mês de voluntariado estive responsável pelo espaço onde se acolhem os eventos, pelo espaço de experiências gastronómicas de produtos da quinta, acolhi hóspedes de Bed and Breakfast e ajudei a acolher o evento de uma semana de um grupo de nómadas digitais, cuidando dos facilitadores, dos participantes e do espaço.
Também ajudei noutras atividades da quinta, com os cães, a apanhar nozes e castanhas e a ajudar naquilo que fosse sendo necessário.
Aprendi algumas receitas com a Ana, a mãe da Diana, que tem uma mão para a cozinha fantástica! Em tudo onde que ela põe a mão fica delicioso!

Quem quiser saber mais sobre as tarefas que se podem fazer na quinta em regime de voluntariado, podem ver o anúncio das Quatro Anas na plataforma Workaway: https://www.workaway.info/en/host/465965911664
 


Acolhendo os TravelB4Settle, na 1ª Semana da Remote Tour Portugal

De bónus, tive a possibilidade de conhecer pessoalmente a Matilde e o Miguel dos TravelB4Settle e de me integrar nalgumas das atividades do evento, conhecer e partilhar experiências com os meus colegas de trabalho remoto. Esta é uma das coisas mais valiosas que tiro das minhas experiências de voluntariado: poder conhecer pessoas novas, partilhar experiências em regime residencial, enquanto faço o meu melhor para que elas se sintam bem e acolhidas no espaço.

O Miguel e Matilde são um casal de nómadas digitais, ou seja, trabalham online enquanto viajam e têm como missão ajudar outras pessoas a entrarem no mundo digital e tornarem-se também elas nómadas digitais.
Organizaram uma experiência de 4 semanas para trabalhadores remotos à qual chamaram Remote Tour Portugal, que tem como objetivo trabalhar, conhecer outros trabalhadores remotos, viajar e fazer atividades desportivas e lúdicas em conjunto, criando uma experiência em comunidade. A primeira semana desta experiência foi passada exatamente na quinta das Quatro Anas.

Se este tema do nomadismo digital e trabalho remoto te interessa, convido a visitares a página deles: https://www.travelb4settle.com/


4. O que mais gostei


Espírito de Serviço e de Missão

Gostei de várias coisas, desde a flexibilidade que tinha no horário das tarefas, ao facto de poder aprender várias coisas na quinta, mas o que me enterneceu mais foi mesmo o sentido de missão desta família. Esta quinta tem um grande significado para esta família, pela sua história de gerações, pela cultura e tradições que estão ali presentes e que são para serem honradas e perpetuadas no tempo, apesar do imenso trabalho e dedicação que exigem.

Falávamos há dias sobre a exigência deste trabalho de quinta e dos resultados que nem sempre são visíveis ou do tamanho daquilo que sentimos que entregamos. Por vezes, nos dias mais cinzentos, chega a parecer ingrato até. Mas rapidamente percebemos que é uma questão de amor, de serviço, de missão. Há coisas que fazemos sem uma razão lógica ou racional, mas simplesmente fazemos aquilo que deve ser feito, porque é esse o mundo que acreditamos e onde queremos viver. E que bom sentir que há tantas pessoas a dedicarem as suas vidas a algo maior!


5. As dificuldades que senti


Gestão do tempo online versus quinta

Confesso que no início, nalguns momentos senti stress por ter que dividir o tempo entre o meu trabalho online na Pure Portugal Holidays e o trabalho na quinta, porque nas duas primeiras semanas tivemos os nómadas digitais e hóspedes em Bed and Breakfast, mas felizmente tinha a possibilidade de fazer as tarefas na quinta de forma flexível, o que facilitou imenso!

Ainda assim eu tenho alguma dificuldade em misturar o trabalho com as viagens e com as experiências que vou fazendo. Se é verdade que o trabalho online nos permite estarmos em qualquer lugar, também nos permite estarmos "ligados" em qualquer lugar e isso interfere com as nossas experiências do dia-a-dia.
Lembro-me, por exemplo, do Detox Digital que fiz com a Offline Portugal. Nessa semana como não trabalhei online, estava a absorver a experiência de retiro a 100%, o que a tornou também muito rica sob o ponto de vista de desenvolvimento pessoal.
Aqui já não foi possível fazê-lo, pelo que tive que gerir os dois mundos.


A vida de um nómada digital não é só um mar de rosas!

A maior parte das pessoas gosta muito de viajar exatamente porque ao mudar de ambiente consegue desligar muito mais facilmente da sua rotina. Um nómada digital precisa de rotina para conseguir trabalhar em viagem. Por vezes é difícil, mas a rotina é estruturante. Mas essa procura de rotina em viagem retira a parte mágica e a ideia do "desligar" e de férias deixa de existir tal e qual percecionávamos e novas formas de fazer férias deverão surgir para continuarmos a ter esses escapes.
Obviamente que prefiro ter estas desvantagens, porque de facto gosto muito de trabalhar online e isso permite-me outra mobilidade, mas há coisas que também perdemos quando trabalhamos online e especialmente quando temos o nosso próprio negócio online.

Se este tema do nomadismo digital te interessa, eu vou escrevendo alguns artigos na secção Como é Ser Nómada Digital e fazendo alguns vídeos no meu Canal de YouTube na lista de reprodução Vida de Nómada Digital.


6. O que aprendi com esta experiência

Acho sempre muito importante fazer este exercício de tentar perceber o que aprendi com cada experiência, por mais pequena que seja. É este fechar de ciclo que nos permite de facto integrar as nossas aprendizagens e sairmos das experiências mais ricos. Caso contrário, trata-se apenas de mais uma experiência que irá cair no esquecimento, sem trazer aprendizagem efetiva para a nossa vida.
Por outro lado, é também uma forma de honrarmos o tempo que dedicamos às experiências, de devolvermos o que aprendemos à comunidade e de sermos gratos pelas oportunidades de crescimento que vamos tendo ao longo da vida.


Espírito de Serviço e de Missão

Como disse atrás, o que me ressoou mais nesta experiência foi o espírito de serviço e de missão. Se calhar porque estou numa fase da vida em que ando a trabalhar o meu propósito. E reforcei aqui a ideia de que para mim, o meu propósito, mais do que fazer uma ou outra atividade é de facto sentir-me útil e ao serviço duma missão maior. É estar onde é preciso a fazer o que é preciso, partilhando as aprendizagens dessa jornada em comunidade.

Essa é a razão da minha existência e é a servir e a cuidar onde me sinto realizada.



7. Outras experiências de trabalho e de voluntariado

Se te interessar saber mais sobre este tipo de experiências, convido-te a leres sobre a minha experiência de Detox Digital na Offline Portugal e outros artigos da secção Trabalhando e Voluntariando para o Desenvolvimento Sustentável. Lá vais poder ler sobre muitas outras experiências que já fiz pelo mundo fora, seja em regime de voluntariado ou de trabalho.


Beijinhos e abraços e sejam felizes!

Encontramo-nos na próxima história de desenvolvimento pessoal 😉


Raquel
Digital Nomad, Blogger, Traveller, House & Pet Sitter
OverTrail.com

outubro 14, 2020

Como Mudei de Vida



Olá, bem-vindos! Em colaboração com o Projeto Mudar de Vida do Manuel, foi-me questionado qual foi o maior obstáculo que encontrei e por que fases passei no meu processo de mudança de vida. E é disso mesmo que vou falar neste video.

Queria ressalvar desde já que apesar de me ter despedido do meu emprego em busca de novos desafios, a Mudança de Vida que falo neste vídeo é sobretudo uma mudança pessoal, em busca duma vida significativa e sobretudo de procura do meu próprio estilo de vida. Porque penso que quando queremos mudar, muitas vezes é por uma busca muito mais interna de propósito, de missão, do que às vezes pode parecer...


O maior obstáculo da minha Mudança de Vida

O sentimento de escassez foi sempre o grande obstáculo e o "culpado" de toda a infelicidade e falta de coragem para avançar.
Para mim o maior obstáculo foi o de perder um "emprego certo", com um "dinheiro certo" ao final do mês, num sítio onde estava bem e era bem tratada e estava exatamente na minha área. Parecia uma loucura querer sair, quando aparentemente tinha tudo para ser feliz...
Escrevo "emprego certo" com aspas, porque nada é certo ou seguro, mas há uma segurança mental associada...


Fases do meu processo de Mudança de Vida:

1. Despertar

Um experiência de voluntariado internacional fez-me perceber que afinal as pessoas não pensam nem vivem todas da mesma forma que eu...


2. Recusa e vitimização

Mas por que é que eu não me sinto feliz assim, como os outros? Se eu gostasse do que faço e de como vivo seria tudo perfeito, porque eu já tenho uma vida perfeita. Só falta mesmo eu encaixar-me nela, que parece ser o mais fácil para as outras pessoas...
O que é que eu tenho de errado?


3. Alternativas

Mas então o que é que eu gostaria de fazer? Que alternativas tenho? O que gosto de fazer? O que tenho jeito para fazer?
Quem sou eu e para onde quero ir??? O que me faz feliz?


4. Teste

Para mim as experiências são valiosas para um processo de autodescoberta e de transformação. Não vamos saber se gostamos de fazer uma coisa sem experimentarmos, porque nada é exatamente aquilo que imaginamos antes de experienciar.
Eu fiz imensas experiências de voluntariado e, enquanto punha ao serviço dos outros as minhas competências ia refletindo sobre o que gostava e tinha jeito para fazer, em que tipo de organizações gostava de colaborar, que tipo de visão e que missão queria ter do mundo.
Esta fase de teste durou vários anos...


5. Aceitação interna

Uns 3 anos depois e o desconforto não passava. Só ficava pior... Quanto mais experiências tinha, quanto mais viajava e olhava para o mundo, melhor percebia que de facto havia imensa coisa a acontecer que eu queria fazer e o meu desconforto e sensação de prisão aumentava, sentindo que o mundo estava a girar em alta velocidade e eu estava ali presa.
Nessa altura percebi que tinha mesmo que aceitar que o meu caminho era outro, sem sentimentos de culpa.
A mudança já tinha acontecido dentro de mim, só faltava ter a coragem de a manifestar à minha volta.


6. Preparação

Fiz Planos A, B e C para ganhar dinheiro, caso as coisas não corressem bem. Colei-os nas paredes da minha casa, assim como frases motivadoras e inspiradoras e desenhos de como eu queria que a minha vida fosse. Isto porque a visualização é de facto uma ferramenta muito poderosa!


7. Aceitação externa: "Bênção" da família

Finalmente os meus pais perceberam o sofrimento em que eu vivia e conseguiram libertar-se também eles das suas expectativas, medos e estereótipos e apoiaram-me na minha mudança de vida, dizendo que se eu viesse a precisar de ajuda eles estariam lá.


8. Remoção do obstáculo

Oops... Acabou-se a "desculpa"...
Depois de ter removido o grande entrave, a escassez, fiquei só eu, despida de bodes expiatórios. Eu era a única responsável pelo meu destino...


9. Despedimento

A vida é demasiado curta para não fazer e ser o que desejamos. 
Os 10 últimos anos de vida da minha mãe com uma doença crónica e o seu falecimento fizeram-me olhar para a vida duma outra forma. Já não fazia sentido esperar nem mais um minuto para viver a vida com a intensidade que sentia cá dentro... Nesse momento despedi-me, mesmo sem saber ao certo o que iria fazer de seguida...



Notas finais

Claro que a mudança de vida não termina aqui. Uma nova e intensa jornada iniciou-se no momento em que decidi fazer uma vida diferente.

Com a minha experiência não quero de todo fomentar que outras pessoas façam o mesmo. Apesar de ter estudado e testado muito a minha mudança de vida, não acho que tenha sido prudente despedir-me sem ter uma alternativa. No entanto, como sou uma pessoa muito preocupada com o futuro, esta experiência fez-me ver que os cenários que imaginava eram todos piores do que efetivamente aconteceu na realidade. Um mês depois já estava a receber uma proposta de trabalho num projeto onde tinha gostado muito de ser voluntária, mesmo sem ter procurado...

Percebi mais tarde que não era assim tão importante o que eu ia fazer depois profissionalmente. O que eu pretendia era mesmo um encontro comigo, com um estilo de vida mais próximo com aquilo que almejava ser, sentir e viver.

Não acho que faça sentido despedirmo-nos ou fazermos uma mudança radical de vida sempre que nos sentimos insatisfeitos. Acho que todos nós temos umas "agulhinhas" a picarem-nos. O que nos distingue é a forma como cada um de nós lida com elas. Às vezes conseguimos integrar essa sensação de insatisfação na nossa vida duma forma mais ou menos pacífica, criamos os nossos escapes, outras vezes fingimos que nem sequer existem, e outras vezes precisamos mesmo de um reset.
Seja como for, estamos todos no mesmo processo e é a atitude e a forma como lidamos com isso que vai ditar as nossas ações.


Se quiserem saber mais sobre o projeto que o Manuel está a desenvolver sobre Mudança de Vida, podem espreitar o site dele aqui: https://projetomudardevida.com/


Beijinhos e abraços e sejam felizes!

Encontramo-nos na próxima história de desenvolvimento pessoal 😉

Raquel
Digital Nomad, Blogger, Traveller, House & Pet Sitter
OverTrail.com

setembro 28, 2020

Todos temos sombras, só que umas são mais visíveis que as outras...


Olá, bem-vindos!

Fiz este vídeo inspirada num post que li duma amiga que tem excesso de peso e que me fez pensar primeiro que as "sombras" só são "sombras" enquanto as virmos como algo que não gostamos em nós, e depois que são elas, essas "fraquezas", que se convertem nas nossas maiores forças!


Todos temos sombras, só que umas são mais visíveis que as outras...

Penso que cada um vive com o seu "peso", com as suas sombras. A diferença é que há sombras mais visíveis aos olhos dos outros do que outras. Mas aos nossos olhos estão sempre lá e não há como lhes fugir, por isso penso que encara-las de frente é o melhor que podemos fazer por nós e por quem está à nossa volta. A partir do momento em que as aceitamos nenhum olhar de fora nos irá mais incomodar e passamos a ser livres!


Uma sombra só é sombra enquanto a virmos como tal

Não nos esqueçamos de tanta coisa boa que essa sombra nos trouxe! Sempre que há uma parte de nós que queremos esconder, criamos estratégias, mesmo que inconscientes, para compensar esse nosso lado escuro. Por exemplo, pessoas invisuais podem desenvolver mais a capacidade auditiva; pessoas que viveram num ambiente de violência na infância e que se tornaram inseguras e com medo do conflito muitas vezes tendem a ser vistas como pessoas muito simpáticas e que criam harmonia onde estão; pessoas que se sentiram muito sozinhas e desamparadas na infância e que conseguiram vingar sem ajuda podem ser excelentes mentores de outras pessoas e serem reconhecidas por isso.

São as nossas fraquezas que nos fazem caminhar no sentido da excelência!


A aceitação é o caminho

Então, o melhor que podemos fazer para convertermos uma fraqueza numa força é mesmo aceitarmos e abraçarmos essa nossa característica, trazendo ao de cima o que há de melhor.

Como fazer isso? Essa é a parte mais difícil e que requer muito trabalho pessoal. Requer, acima de tudo, que estejamos dispostos a abrir feridas que foram mal fechadas no passado...

Então a grande questão não está nas nossas sombras, mas na atitude que decidimos tomar em relação a elas.


Agradeço a cada uma dessas sombras, que se convertem hoje naquilo que eu sou 🙏



Beijinhos e encontramo-nos na próxima história!


Raquel

Digital Nomad, Blogger, Traveller, House & Pet Sitter

https://overtrail.com

agosto 18, 2020

Entrevista com Fernando Alvim


Olá, bem-vindos! Fui ao programa de televisão "É a Vida Alvim", do Canal Q, falar com o Fernando Alvim sobre Nomadismo Digital e sobre Viver e Viajar em Autocaravana. Mais uma oportunidade excelente para partilhar o nosso dia-a-dia e as nossas experiências como nómadas digitais e como viajantes a tempo inteiro.
Falei um pouco sobre a nossa experiência como trabalhadores remotos e ainda sobre os nossos projetos de trabalho online: a Pure Portugal Holidays, já que são eles que nos permitem ganhar dinheiro para trabalhar e viajar o mundo!
Gosto sempre de realçar que todo este estilo de vida vem de uma grande mudança de vida e faz parte de uma experiência de desenvolvimento pessoal.

Mais informação sobre nós e os projetos nos quais estamos envolvidos pode ser encontrada no site OverTrail.


Assiste aqui à minha entrevista completa com o tema Nómadas Digitais e Graffitis.



Gostavas de nos ouvir falar sobre como começámos a trabalhar remotamente e sobre como é viver, trabalhar e viajar a partir de uma autocaravana?


Sentimos agora que a nossa jornada pessoal e de experiência de trabalho remoto com o nomadismo digital já nos permite ter algumas histórias e lições para partilhar, por isso ficamos super felizes por partilhar experiências via presencial ou online.


Um pouco da nossa história

Ambos começámos por trabalhar nas nossas áreas de formação em empresas convencionais durante 10 anos. A Raquel formou-se e trabalhou em Psicologia Organizacional (Recursos Humanos) e nada faria crer que viesse a ser nómada digital. Trabalhar online foi um mero acaso para ela, embora não para o Daniel, que é programador.

Prescindimos de algumas coisas a que estávamos habituados e no caso da Raquel levou vários anos até se despedir do seu emprego, já que era um emprego bastante estável, onde se sentia bem e via grande parte das suas necessidades preenchidas. Mas havia ali algo que não encaixava bem. Foi à procura de respostas e o que mais a ajudou a autoconhecer-se foram as diversas experiências de voluntariado nacional e internacional que fez. A Raquel fez voluntariado em mais de 13 instituições. Podem conhecer um pouco mais no seu perfil de LinkedIn e saber mais sobre a nossa história na secção do site Quem Somos.

Pensamos que o facto de termos trabalhado de forma convencional anteriormente faz-nos percepcionar a vida e o nomadismo digital de uma forma madura, que pensamos ser interessante partilhar com escolas e faculdades, bem como com outros públicos de pessoas que pretendem mudar de vida.

Estas experiências com propósito são as que nos trazem mais matéria para trabalharmos sobre nós mesmos e pensamos que são cruciais para alguém que pretende mudar de vida e não quer dar um passo em falso, mas também para alguém que quer iniciar uma vida profissional, ou que quer escolher um determinado curso ou área a apostar e não sabe como é ser-se profissional daquela área.


Outras entrevistas

Podes assistir a outras entrevistas seguindo a pasta Entrevistas do Blogue, ou indo ao nosso site, à secção de Palestras.


Vídeo da nossa Van Tour

Caso tenhas interesse, vê ainda um vídeo de apresentação da nossa autocaravana: Tour da nossa Autocaravana.

Se tiveres interesse em assistir a outros vídeos mais inspiracionais da Raquel, segue a playlist de vídeos de desenvolvimento pessoal do nosso Canal de YouTube.



Descobre mais sobre nós e contacta-nos

Sabe mais sobre os temas dos quais podemos partilhar experiências no nosso site OverTrail.

Estamos disponíveis para partilhar a nossa experiência em formato digital ou presencial. Contacta-nos para info@overtrail.com.



Beijinhos e abraços e encontramo-nos na próxima entrevista! 😉


Raquel
Digital Nomad, Blogger, Traveller, House & Pet Sitter
OverTrail.com

agosto 14, 2020

O meu Detox Digital na Offline Portugal

Olá, bem-vindos! Escrevi este artigo para partilhar a minha experiência como participante e como voluntária num retiro de Digital Detox com a Offline Portugal, num local remoto em Aljezur, no sul de Portugal. Uma experiência de uma semana sem internet nem telemóvel, a fazer atividades como Yoga, Meditação, Surf, Música e Oficinas Artísticas e de Autodesenvolvimento, utilizando ferramentas que nos ajudam a desligar a nossa mente e a focarmo-nos no presente.

Neste artigo vou partilhar:

  1. Como conheci e o que é o Movimento Offline Portugal
  2. Por que decidi fazer um Detox Digital
  3. Como me candidatei ao voluntariado
  4. A Offline Portugal como uma experiência e não um retiro
  5. Como foi a minha experiência como participante e como voluntária
  6. Os meus melhores momentos
  7. Os meus piores momentos
  8. O que aprendi com esta experiência Offline
  9. Pós Offline Detox Digital: Impactos em mim e na minha rotina
  10. Pós Offline Detox Digital: Regressamos a casa e agora volta tudo ao "normal"?
  11. Material educativo para o bem-estar digital

1. Como conheci e o que é o Movimento Offline Portugal

Soube da Offline Portugal há uns meses, através da minha amiga Cristina Leite do projeto O meu poema para ti, e achei muito interessante o conceito, porque já vinha a sentir a necessidade de desligar das redes e da internet duma forma geral, de vez em quando. 

Offline Portugal é um movimento de consciência que convida à desconexão da tecnologia para a conexão connosco, com os outros e com a natureza. A Bárbara, fundadora deste projeto em Portugal, desenhou uma experiência para vivenciar este conceito e proporcionar uma semana sem telefones nem internet, com diferentes atividades e ferramentas que nos ajudam a desligar a nossa mente e a focarmo-nos no presente, expandido assim a nossa criatividade.

2. Por que decidi fazer um Detox Digital

Após 4 anos a trabalhar online, sem fins de semana nem férias, a viver em 9m2 de autocaravana com o meu companheiro de vida e de trabalho, este ano decidi que era mesmo importante incorporar no meu programa anual fazer um retiro em que me desligasse da internet e do mundo lá fora e conectar-me apenas com o meu mundo interior. Já há muito tempo que não fazia uma experiência destas e de facto é importante para que possamos parar com hábitos e padrões menos positivos que se instalam no nosso dia-a-dia e nos consomem a nossa energia. 

Sentia-me viciada nas redes sociais e nunca me conseguia desligar, sentir aquele sossego de estar no fim do mundo. Estranho, não é? Porque as pessoas imaginam sempre uma vida em imensa liberdade numa autocaravana, mas a verdade é que quando andamos com os computadores e a internet atrás a liberdade perde-se às vezes ali no meio... Amarras da nossa cabeça, sem dúvida, mas como a nossa cabeça comanda tudo o resto, temos que dar ouvidos ao que ela e o nosso corpo nos dizem... E de vez em quando é mesmo importante fazermos uma paragem, que pode ser um retiro ou uma experiência, para afastarmos as distrações e nos centrarmos apenas no essencial.

Foi então quando decidi participar nesta Experiência Offline em Portugal, como um Detox Digital pessoal e também com vista a uma potencial parceria com o meu projeto Pure Portugal Holidays, na secção de retiros e experiências. Achei que a melhor forma de o fazer seria numa colaboração de voluntariado, já que me iria permitir participar no retiro gratuitamente, por um lado, e por outro iria dar-me uma perspetiva mais aprofundada dessa possível colaboração.



3. Como me candidatei ao voluntariado

Foi bastante simples e fluído aliás, como toda a experiência em si.
Primeiro pesquisei bem o site da Offline Portugal para perceber o conceito. Li todas as páginas do site e os vídeos no canal de YouTube, para conhecer a Bárbara e ver se sentia empatia por ela e pelo projeto.

Não sabia se a Bárbara aceitava voluntários nos retiros e experiências de detox digital, mas enviei-lhe um email a explicar-lhe as minhas motivações, as razões pessoais e profissionais que me levavam a procurar um retiro deste género e propus ajudar naquilo que ela precisasse em troca da participação no retiro. A resposta foi rápida e muito positiva! A Bárbara estava mesmo a precisar de ajuda, porque as pessoas que a tinham ajudado noutras ocasiões estavam fora de Portugal e com a pandemia que vivemos do vírus Covid-19 não tinham possibilidade de vir ajuda-la. Então fui para a quinta um dia antes do retiro, para receber algumas orientações do que ia fazer, e saí um dia depois, para ajudar a fazer a limpeza e organização dos espaços e para fazermos a nossa revisão em equipa de como foi a experiência.

4. A Offline Portugal como uma experiência e não um retiro

Eu imaginava um retiro como os que tinha feito anteriormente, mas de facto o que nos é proporcionado aqui é uma experiência e por isso pode ser adequada a um público mais alargado, que no fundo pretende um espaço para se reconectar e se desenvolver como pessoa, mas que não tem que estar familiarizado com o yoga ou com outras práticas mais espirituais, e que pode combinar com férias na praia. Assim sendo, cada um entregará a esta experiência o nível de profundidade que quiser obter no final.

Durante a nossa semana tivemos atividades como: Yoga, Meditação, Caminhada, Música e Dança, Journaling, Workshop de Geometria Sagrada, sessões de Coaching e Jam session. Nos tempos livres cada um decidia o que queria fazer: uma caminhada na natureza, ler um dos livros da biblioteca, escrever, desenhar, apanhar sol, ou mesmo ir à praia.


5. Como foi a minha experiência como participante e como voluntária


A Rotina e as Tarefas

Durante este meu período mais de retiro cozinhei para os participantes e ajudei como anfitriã e guardiã do espaço. Acordava mais cedo e ia preparar o pequeno almoço, depois ia à atividade da manhã, que por norma era yoga ou uma caminhada. Depois tomávamos todos o pequeno almoço, arrumava a cozinha e deixava os espaços comuns limpos. O almoço e a tarde eram mais livres e era aí que eu tinha o meu tempo para ler, escrever e integrar toda esta experiência. Mais ao final da tarde participava na atividade programada, ajudava a preparar o jantar e a arrumar a cozinha e ficávamos todos na conversa à volta da mesa a trocarmos experiências.

A Equipa

Esta colaboração permitiu-me trabalhar também com o Manuel Areias, um artista de coração enorme, e com a Eva e a Jasmine, duas voluntárias alemãs, com quem aprendi imenso e estabeleci uma ligação de grande companheirismo!


Voluntária versus Participante

Foi muito bom sentir-me não só como participante numa perspetiva mais recetiva, mas como alguém que estava realmente comprometida com a experiência e queria vivê-la da forma mais intensa possível. Alguém que para além de responsável pelo espaço e refeições era uma aluna dedicada e motivada, sempre a espalhar entusiasmo pelas descobertas que ia fazendo. 

O cuidar do espaço parece por vezes um trabalho mais invisível e menos ativo, porque promovemos apenas o bem-estar geral, um espaço limpo e quente não só de temperatura mas de harmonia e acolhimento. Mas é uma condição base e estruturante para o trabalho de transformação pessoal que se pretende nestas experiências. E a sensação de ajudar a Bárbara a proporcionar esta experiência e esta viagem interior foi muito gratificante! 

Sinto que a minha motivação pessoal, o meu trabalho de desenvolvimento pessoal e a minha mudança de vida anteriores proporcionaram uma colaboração extremamente rica e senti que consegui dar suporte a vários níveis e que contribui, ao mesmo tempo, para a minha transformação pessoal e para uma transformação mais coletiva. E isso realiza-me imenso!

6. Os meus melhores momentos


Journaling

O Journaling é basicamente o hábito de registarmos diariamente os nossos pensamentos. É onde escrevemos os nossos sonhos, pensamentos, emoções, desejos, ideias, experiências e que podemos usar para refletir e aprendermos mais sobre nós mesmos.
Há anos que o faço, mesmo antes de ouvir falar neste nome, porque escrever é uma das minhas maiores fontes de inspiração e que me ajuda a conectar-me. Por isso, um dos meus melhores momentos foi mesmo ter diariamente este momento sozinha, a escrever. 

A Viagem Sonora

Num dos finais de tarde ouvimos juntos o álbum "Internal Flight" dos Estas Tonne e foi uma viagem absolutamente libertadora! Esta peça de 60min tem partes mais altas e baixas, com vibrações diferentes que provocam estados e sensações diferentes na nossa mente. Chorei praticamente o tempo todo, numa mistura de sentimentos de aflição, vulnerabilidade, libertação, gratidão e amor. Foi uma das melhores viagens que fiz sentada e lembrou-me de como a música pode ser tão libertadora e terapêutica!

Música, Mantras e Improvisação vocal

Desde pequena que gosto de cantar. Frequentei 2 anos o conservatório de música nas aulas de piano, mas depois desisti, porque sentia que era demasiado clássico e solitário. Hoje vejo a música de uma forma mais artística e terapêutica. Uma ferramenta que une as pessoas num círculo, que as permite brincar e comunicar umas com as outras, chorar, libertar emoções, criar. A Bárbara, a Eva e o Manuel, são grandes fãs da música, por isso tivemos ali logo uma conexão muito forte. Não sabia disto e não ia a contar, mas foi uma agradável surpresa relembrar a minha paixão pela música e em especial pelo canto e pela improvisação. Cantámos várias vezes em círculo e de cada vez que cantávamos o meu coração carregava-se de energia! Já não me lembrava da última vez que cantei em círculo, mas talvez tenha sido mesmo quando estive a trabalhar na comunidade do Vale da Lama, também uma experiência inesquecível...

Cantar proporciona-me uma conexão comigo própria e com as pessoas que estão à minha volta de uma forma que é impossível fazer-se a falar. É uma outra forma de ligação mais criativa e harmoniosa, que nos faz sentir que de facto somos todos um... 🎵

A avozinha à volta dos tachos

Um dos participantes do retiro pediu-me uma sobremesa específica para a última noite, o que me fez encher de brio e de vontade de satisfazer o desejo! Quando estava a fazer a tal sobremesa, juntaram-se à minha volta para ver e ajudar a fazer e eu estava com aquele brilho nos olhos e cheia de gosto a dizer que isto ia ficar muito bom, etc. E foi quando alguém me disse que eu parecia a avozinha à volta dos tachos com os seus netinhos. E era de facto assim que eu me sentia: uma avozinha a fazer a sobremesa preferida dos seus meninos... Foi um dos melhores momentos, porque percebi o quão para mim é importante servir, independentemente da tarefa a que me proponho fazer. E percebi que tenho vindo a explorar diferentes formas de expressar este amor que tenho para dar, sempre com o objetivo de reunir as pessoas e de promover a harmonia. 

O regresso ao ventre da minha mãe

No final duma meditação ativa que fizemos estávamos ofegantes, porque tínhamos estado a fazer uma dança durante vários minutos. A Bárbara sugeriu deitarmo-nos de barriga para baixo e ouvirmos o nosso coração. Era de manhã e o sol estava a bater diretamente no nosso corpo. Fechei os olhos e via uma cor alaranjada do sol, ouvia o meu coração e, de repente, começou a dar uma música com uma mulher a cantar a solo, que parecia embalar-me. Eu estava ali, quente, dentro da barriga da minha mãe e ela estava a cantar-me uma música de embalar. Foi um momento simplesmente maravilhoso!


7. Os meus piores momentos

Não tive propriamente momentos maus durante esta experiência à exceção dos pensamentos menos positivos que por vezes me assombram e não me deixam viver a experiência no seu maior potencial e no presente. Refiro-me a inseguranças, crenças sobre aquilo que somos ou que deveríamos ser e pensamentos duma forma geral que nos desviam do momento presente.

Em termos de programa, a Ecstatic Dance foi a atividade que menos vibrou comigo. Não consegui libertar-me através da dança como consegui através da viagem sonora ou do canto, da música, ou do yoga e por isso gostei da experiência, mas não desfrutei com a mesma profundidade. Mas é assim mesmo, há imensas atividades e ferramentas que servem para nos ajudar a focarmos mais no presente e uma Experiência Offline destas pode abrir-nos as portas para outras formas que desconhecíamos e que também vibram connosco, outras que não vibram tanto. E às vezes não vibram à primeira, temos que experimentar várias vezes e em diferentes contextos. Lembro-me que com o yoga foi assim e agora é uma prática que preciso de ter diariamente e não há nada que a substitua!


8. O que aprendi com esta experiência Offline


Lá fora tudo se mantém igual e não perdi nada

Pensei que ia ser mais difícil passar uma semana sem o telemóvel. Desde que tenho telemóvel nunca passei tanto tempo sem ele! Mas no final da semana offline tudo estava igual lá fora e nada de importante tinha acontecido que tivesse perdido e cá dentro tinha acontecido uma verdadeira revolução!
Não há que ter medo de desligar, porque não há nada no mundo que possa ser maior do que aquilo que acontece dentro de cada um de nós. Por isso faz muito sentido investirmos o nosso tempo em nós, naquilo que permite a nossa constante evolução. 


É preciso desconectar para nos conectar à criatividade

Durante esta semana senti bem na pele o poder que as rotinas têm no nosso bem-estar e como podem favorecer ou prejudicar a nossa criatividade. Sempre me achei uma pessoa pouco criativa, por ser mais estruturada e metódica, mas a música e a escrita têm efeitos em mim muito libertadores e criativos! Preciso é de criar rotinas onde estes elementos estejam presentes de uma forma assídua. O importante é desligarmos as distrações, estarmos presentes e o essencial revela-se mesmo à frente dos nossos olhos...


A minha companhia dá-me entretenimento sem fim

Em pequenina eu era muito introvertida e na adolescência mudei. Ainda hoje meto conversa com qualquer pessoa de qualquer idade, seja ela uma conversa mais trivial ou mais profunda. Preciso muito de pessoas, mas é sobretudo sozinha que integro as minhas aprendizagens e me energizo e preciso deste tempo sozinha diariamente para me sentir bem. 
O facto de estar offline permitiu-me lembrar de como a minha própria companhia pode ser tão divertida e até absorvente! Basta-me ter papel e caneta, um livro e um sítio para caminhar na natureza e eu passo dias entretida! E mais do que entretida, feliz por estar na minha companhia!


Ser voluntária e participante proporciona uma experiência de desenvolvimento pessoal ainda mais rica

Por um lado é uma lição de como podemos fazer sempre aquilo que queremos fazer, seja de uma forma ou de outra. A falta de dinheiro raramente é uma limitação real para fazermos aquilo que realmente queremos fazer ou sentir. Por outro lado, uma experiência com várias dimensões torna a nossa jornada pessoal mais intensa e aprendemos mais sobre nós duma forma mais alargada.

Já fiz voluntariado durante vários anos e com muitas organizações (podes conhecer algumas dessas experiências de trabalho e voluntariado aqui), mas já não fazia há algum tempo e esta experiência fez-me relembrar aquela sensação de entrega generosa e gratuita. Por muito que gostemos do nosso trabalho e que ele contribua para um mundo melhor, essa entrega mais espontânea e de pura generosidade é insubstituível! E não precisa de ser uma ação institucionalizada, através de uma organização, mas pode ser simplesmente uma ação generosa que fazemos no nosso dia-a-dia. Muitas vezes, ao dar ao outro exploramos novas formas de expressarmos o nosso amor e é ai que descobrimos mais qualquer coisa sobre nós. E é esta descoberta das coisas mais simples que me mantém viva e apaixonada pela vida!


Tudo se resume ao amor

Toda a nossa ação se resume ao amor que colocamos nas coisas. Lembro-me de um momento muito bom que tive quando de tarde foram todos para a praia e eu preferi ficar na casa a descansar e a antecipar a preparação do jantar. Fiz uma sobremesa durante a tarde e lembro-me bem da sensação que estava a sentir quando pensava que iriam chegar cheios de fome da praia e que o jantar ia ser reforçado, com direito a sobremesa e tudo. E senti uma satisfação enorme e um prazer por poder alimentar todas as nossas bocas, sobretudo com imenso amor... 💗 E pensei que não há nada mais essencial do que darmos de comer. É básico na nossa existência e tantas vezes tomamos por certo...

Saí desta experiência a sentir que de facto o nosso trabalho / colaboração em cada coisa que fazemos é uma manifestação de amor, por isso é mesmo importante que façamos algo que gostamos e sobretudo que esteja alinhado com os nossos princípios, valores e causas.


9. Pós Offline Detox Digital: impactos em mim e na minha rotina


Rotinas Detox Digital

Durante a semana da experiência peguei num livro da biblioteca da Offline Portugal sobre Detox Digital, que dá várias dicas de hábitos que podemos instalar na nossa rotina, com vista a estarmos mais presentes no momento e a desconectarmo-nos mais da internet. Peguei em várias dicas do livro e incorporei-as na minha rotina habitual que já tenho. Como exemplo, fiz uma revisão às notificações das redes sociais e emails e passei a ligar a internet no telemóvel só quando preciso de aceder ao aparelho. De resto está dentro duma caixa para que eu não o veja, nem veja as luzes das notificações a piscarem 😉

Experiências e retiros mais regulares

Estas experiências de transformação pessoal em comunidade fazem-me sempre sentir mais calma, mais compreensiva e mais conectada com a minha energia feminina. E mais humilde porque estamos todos em processo, a aprendermos uns com os outros. 

Uma coisa que o estado de pandemia em que vivemos me ofereceu foi tempo para aprofundar o lado essencial dos meus sonhos. Foi redescobrir o que me faz levantar todos os dias de manhã e ter os meus melhores 5 minutos a descobrir o que de maravilhoso vou fazer neste novo dia. Esta descoberta pessoal é o que me move e poder fazer isso em processo de grupo é ir ao céu e voltar! A minha dádiva é proporcionar este espaço emocional e físico seguro, harmonioso e acolhedor, partilhar a minha experiência de desenvolvimento pessoal e de mudança de vida, de encontro ao minimalismo.

Quero fazer mais experiências destas, neste formato de troca de saberes e de ajuda e explorar este meu gosto e dom de cuidar dos espaços e dos outros nos seus processos de transformação pessoal.

Tentarei certificar-me que incluo o Yoga, a Escrita, a Música, a Comunidade e eventos de Transformação Pessoal nas minhas prioridades, para que não fique demasiado tempo sem estas fontes de alimentação pessoal.

Por isso, ao longo da nossa rota de autocaravana irei procurar mais experiências destas e de comunidades onde eu possa estabelecer uma relação mais profunda. Que não sejamos apenas pessoas que se cruzam numa aula de yoga, mas que sejamos pessoas em processo de desenvolvimento pessoal e comunitário. Namastê 🙏



10. Pós Offline Detox Digital: Regressamos a casa e agora volta tudo ao "normal"?

Depois de terminada a Experiência, a nossa equipa foi passar a tarde junta, na praia, e pudemos conversar e integrar a experiência de cada uma: pensar no que correu bem e no que poderia ter sido melhor. A Jasmine já não estava em Portugal nessa altura, mas fui eu, a Bárbara e a Eva. Acho sempre tão importante este momento como toda a viagem da experiência. Para que serve vivermos a experiência se não a integrarmos depois na nossa vida?



INLINE Home Design

Por este motivo, a Bárbara iniciou agora um novo serviço da Offline que se chama INLINE Home Design (site disponível brevemente), que pretende ser um Serviço de Consultoria a pessoas que estejam a ter dificuldades com o teletrabalho. Por outro lado, a ideia também é continuar em contacto com os participantes destas experiências e, se necessário, ajuda-los nas suas rotinas diárias em casa e também na reorganização dos espaços pessoal e de trabalho.

Uma das coisas que mais me agradaram na Bárbara foi esta preocupação com "e o que acontece depois quando os participantes saírem daqui e voltarem para as suas casas?" Acho sempre estas experiências maravilhosas, nem que sejam só pelo período em que duram. A verdade é que o esforço de integração das experiências nas nossas rotinas depende sobretudo do nosso esforço individual e de quanto quisemos dar àquelas experiências. Mas este processo pode ser difícil e às vezes a ajuda certa no momento certo, com as ferramentas certas fazem acontecer o que nunca tínhamos conseguido antes...

Multidisciplinaridade na abordagem

Outra questão importante que a Bárbara tem em mente na Offline Portugal é a multidisciplinaridade da abordagem. As atividades do programa são dinamizadas não só por ela, mas por várias pessoas com quem tem ligação e que estão mais especializadas em cada uma das áreas. Uma das preocupações que a Bárbara tem é de trabalhar em equipa e tem muito interesse em trabalhar com outros profissionais, nomeadamente na área da saúde mental, com o desejo de unir o mundo mais espiritual com o científico, porque somos todos parte dessas várias realidades e uma visão e intervenção mais complementar pode ser mesmo um fator integrador de sucesso!


11. Material educativo para o bem-estar digital

Este tema ainda não é muito falado em Portugal, porque aqui ainda estamos a descobrir o trabalho online ou o teletrabalho, mas já é uma realidade presente para muita gente no mundo inteiro. Tem imensas vantagens, mas também tem perigos inerentes que são importantes de serem tidos em conta. Tal como aprendemos a desempenhar as nossas profissões, também devemos aprender a trabalhar online ou remotamente. É uma forma de viver e trabalhar que não é para toda a gente e é preciso aprender a gerirmos o tempo e espaço na nossa vida. Nunca nos ensinaram isso, assim como nunca nos ensinaram a respirar, mas são das aprendizagens mais importantes que podemos fazer por nós e pela nossa saúde mental e física!

No canal de Youtube da Offline Portugal podem ver vários vídeos sobre o tema e conhecer um pouco mais do trabalho da Bárbara. Eu aconselharia o video Digital Welness in Times of Crises se tiverem interesse em saber mais sobre o conceito da Offline. Neste video a Bárbara conta o seu percurso e relação com a tecnologia desde os seus 15 anos.

Também achei muito interessante a entrevista no podcast Kológica da Atriz Vera Kolodzig sobre o digital detox.




Beijinhos e abraços e sejam felizes!

Encontramo-nos na próxima história de desenvolvimento pessoal 😉

Raquel
Digital Nomad, Blogger, Traveller, House & Pet Sitter

julho 20, 2020

Voltar aos lugares onde fomos felizes funciona?

Olá, bem-vindos!
Já vos aconteceu quererem voltar a ter uma experiência que vos fez muito feliz no passado?
E que tal? Conseguiram sentir a mesma coisa?
Eu sempre que tentei saiu-me furado. Acho que é impossível voltarmos a sentir exatamente a mesma coisa perante o mesmo estímulo, uns anos mais tarde.

Lembro-me, por exemplo, de sítios que visitei mais do que uma vez. Se a primeira foi deslumbrante, a segunda já não teve o mesmo impacto. Por um lado porque já não é novidade. Por outro porque ia com expectativa de sentir uma coisa que não se repetiu e não se repete porque entretanto os meus olhos viram outras coisas, o meu coração sentiu outras coisas e portanto o meu filtro já não é o mesmo. Ora, a minha resposta a um estímulo também não pode ser...

Mais uma razão para aproveitarmos o momento único do presente!

Mas não desesperem! Tudo é do tamanho que estamos prontos para lhe dar, por isso a emoção vai lá estar para a vivermos quando menos esperamos...

PS - Desculpem o suspiro do Daniel. Ah! Ah! Ah!


Beijinhos e abraços e encontramo-nos na próxima história!

Raquel
Digital Nomad, Blogger, Traveller, House & Pet Sitter
https://overtrail.com

julho 13, 2020

De que forma o Minimalismo me ajuda a mudar de vida


Olá, bem-vindos!
Uma das coisas que mais me ajudou a mudar a minha vida foi ter percebido que o mais importante não se compra com dinheiro. Este processo de downsizing tem sido importante para mim: o caminho do minimalismo. O perceber o que realmente nos faz sentirmos felizes, desconstruir ideias que possamos ter daquilo de que realmente precisamos. Tal como num vídeo anterior eu falava que se calhar não era a cenoura o que eu procurava, mas sim a sensação crocante da cenoura, também em muitas das necessidades que pensamos ter está a procura duma sensação que podemos ter de outras formas, que nem sempre as estamos a ver. E se precisarmos de menos para viver seremos mais livres de escolhermos o nosso caminho..

Tal como nas caminhadas do monte, também na caminhada da vida, quanto mais leve for a nossa mochila, mais ágeis e mais longe conseguiremos chegar.

O segredo para a libertação não é conseguir ter mais, mas sim conseguir viver com menos...


NOTA: O vídeo que falo sobre a cenoura pode ser visualizado aqui:
https://youtu.be/hoaBaIJByzA


Beijinhos e abraços e encontramo-nos na próxima história!

Raquel
Digital Nomad, Blogger, Traveller, House & Pet Sitter
https://overtrail.com

julho 06, 2020

Para reescrever a nossa história é preciso evoluir...

Olá, bem-vindos!
Há uns anos atrás viajei para um país que para muitos é visto como um paraíso. Contactei varias organizações locais e porque é um país com pouco acesso a bens disponibilizei-me para levar coisas de Portugal. Recebi uma lista dessas coisas e quando dei conta estavam lá medicamentos para a depressão e ansiedade.
Aquilo intrigou-me imenso! Como é que alguém vai viver para este paraíso e precisa deste tipo de medicamentos?

Quando vou para o campo, por exemplo, sinto que o meu batimento cardíaco baixa, sinto-me mais feliz, por isso digo muitas vezes que se uma pessoa está stressada na cidade cura-se a ir viver para o campo.

Mas aí é que está! Descobri que aquela sensação maravilhosa que temos de que "eu vivia aqui feliz para sempre" tem um prazo curto de duração. Quando mudamos de vida para um outro lugar levamos tudo connosco. Tudo, mesmo tudo! Os nossos pensamentos, hábitos, sentimentos, as nossas ansiedades. Até já vi workaholics no campo, sem tempo para conversarem com as pessoas!

É verdade que uma experiência nova nos dá um livro novo para começarmos a escrever uma nova história do início, mas se usarmos a mesma caneta de sempre sem lhe mudarmos a carga, vamos reescrever a mesma história...

Para reescrever a nossa história é preciso evoluir...


Beijinhos e abraços e encontramo-nos na próxima história!

Raquel
Digital Nomad, Blogger, Traveller, House & Pet Sitter
https://overtrail.com

junho 29, 2020

Como encontrar a nossa paixão no trabalho


Olá, bem-vindos!
Há uns dias estava a ler sobre encontrar a Paixão naquilo que queremos fazer, no nosso trabalho, e alguém dizia que a Paixão não se encontra naquilo que adoramos fazer, mas no que continuamos a mostrar / fazer mesmo quando as coisas não correm da forma esperada. Isto porque é muito certo que as coisas não vão correr sempre bem...

E não é assim também com os assuntos do Amor? 😉


Beijinhos e abraços e encontramo-nos na próxima história!

Raquel
Digital Nomad, Blogger, Traveller, House & Pet Sitter
https://overtrail.com

junho 22, 2020

Autodescoberta é como um bebé em crescimento


Olá, bem-vindos!
Mais um devaneio da minha veia mais inspiradora... :)
O processo de autodescoberta é como assistir ao crescimento de um bebé. É bom tirarmos-lhe fotografias todos os dias para que possamos celebrar o seu crescimento, conquista a conquista. Quando cresce, amadurece e até já sabe o que quer há uma sensação de missão cumprida! E, ao mesmo tempo, vem aquela saudade: Ah, como era bom quando era pequenino e tudo o que descobria trazia um brilho especial no olhar! E é aí que voltamos a querer desenvolver uma nova competência, ou um novo sonho e lá vamos nós para a montanha russa da autodescoberta outra vez... :)


Beijinhos e abracinhos,

Raquel

junho 08, 2020

Para ser feliz é preciso estar disposto a evoluir...

Olá, bem-vindos! 
Vim duma caminhada com uns pensamentos que gostava de partilhar e que têm a ver com a forma como sinto que tenho conduzido a minha vida na direcção dos sonhos. E algumas questões surgiram-me: 
Para que servem os sonhos? 
Será que os sonhos mudam? 
Será que aquilo que sonhamos ser ou ter é mesmo aquilo que realmente procuramos? 
E quanto atingimos, será que vivemos finalmente a máxima "E foram felizes para sempre"? 

Falo do sentimento de frustração quando sentimos que não estamos a fazer nada na direcção dos nossos sonhos e do sentimento maravilhoso de autorealização quando olhamos para a quantidade de passos que já demos no passado e quando sentimos que estamos no caminho. 

Depois de darmos os primeiros passos para a nossa vida de sonho espera-nos uma longa e desafiante jornada de autoconhecimento. Não digo com isto que já que nunca acaba mais vale não fazer nada, mas sim que quando o bichinho da vontade de mudar desperta em nós já é sinal de que uma longa jornada interior nos está a ser pedida... E essa jornada não tem que exigir que se despeça do trabalho, ou mude de país, não precisa duma mudança de vida radical. Mas independentemente do lugar onde estivermos e de como escolhermos estar e a viver a nossa vida, essa jornada vai prosseguir. Não há forma de a controlar... 

Ter sonhos é sinal de que temos necessidade de crescer numa determinada direcção. Não é sinal de que vamos ser felizes quando lá chegarmos. Na verdade, quando lá chegarmos estaremos no ponto de partida duma nova viagem. Então os sonhos não são vistos como estações finais, mas sim estações de descanso e de celebração ao longo desta jornada de crescimento pessoal! 

Felicidade não é atingirmos um patamar, é "curtir" a viagem e cada aprendizagem que acrescentamos à nossa bagagem. 

Para se ser feliz é preciso estar disposto a evoluir internamente... 


Beijinhos e abracinhos,

Raquel


junho 04, 2020

Sobre estas questões da Mudança de Vida

Apesar de vários de nós terem tido a experiência (ou aprendido pela experiência de outros) e terem percebido que não adianta mudar de vida sem mudar o nosso mindset porque as questões que nos atormentavam continuam a vir atrás de nós para serem resolvidas, muitos continuam a sonhar e a achar que vai ser diferente connosco e da próxima vez.
E eu penso que essa ilusão continua a acontecer para nos fazer sobretudo agir e desenvolver. E é aí que nos apercebemos o quão importante é ir atrás dos sonhos, não porque vamos ter finalmente a vida que queremos e vamos ser a pessoa que queremos, mas porque percebemos que afinal a sensação de felicidade, plenitude e autorealizacao não está quando chegamos ao destino mas sim quando percebemos o quanto crescemos para tentar chegar até lá!
E novos sonhos emergem para que possamos ascender a mais um grau na nossa evolução como aprendiz...


junho 03, 2020

Entrevista sobre Viajar em Autocaravana

Olá! Integrado no festival Backpackers Summer Fest do "Viajantes Minimalistas" fui falar sobre a nossa experiência de Viver e Viajar em Autocaravana 🚐
Para quem não viu e para mais fácil acesso publico aqui a entrevista:
Entrevista sobre Viajar em Autocaravana

Os pontos que tocámos foram, nomeadamente:
- Quem Somos e o que fazemos
- Porquê a autocaravana?
- Tribos Autocaravanistas
- Como é viver numa autocaravana
- Vantagens e Desafios do autocaravanismo
- Estilo de vida minimalista: Aprendizagens
- Ser autocaravanista em Portugal e noutros países da Europa
- Como escolher a autocaravana mais indicada para mim
- Onde comprar, alugar ou converter uma autocaravana

Anexamos ainda um vídeo de apresentação da nossa autocaravana
Tour da nossa Autocaravana


Feedback
Foi absolutamente maravilhoso ter a oportunidade de partilhar um pouco da minha experiência não só como viajante em autocaravana, mas como viajante desta estrada que é a vida.
Sem dúvida de que o meu propósito de vida se liga também à comunicação e à partilha, não fosse o sentimento de celebração e de realização pessoal que estou a sentir neste momento!
Muito obrigada pelo interesse e pelo feedback tão positivo 🙏

Recomendo aderir ao grupo dos Viajantes Minimalistas para mais histórias minimalistas:
Grupo de Facebook Viajantes Minimalistas

Beijinhos e abraços e encontramo-nos na próxima história!

Raquel

maio 04, 2020

Experiência de TaiChi e Qigong

Ontem ao final do dia recebi um workshop online com aula de TaiChi e Qigong, pelo meu querido amigo Rui Sarmento.
Tinha experimentado há uns anos atrás, mas tal como o Yoga, na altura não me tinha despertado muito interesse. Precisava de algo com mais movimento. Suar, para mim, significava que tinha efetivamente trabalhado.


Mas agora que a idade passa, também passamos a preferir mais qualidade e menos intensidade 😉 e de facto é uma prática muito completa, porque estes exercícios estimulam uma melhor circulação e equilíbrio da energia no nosso corpo e a verdade é que saímos da aula rejuvenescidos! Lembro-me que havia um exercício em que levantava os pés e inclinava o corpo e parecia que estava a voar 🧚‍♀️
Mas o que fiquei mais impressionada foi mesmo o facto de conseguirmos trabalhar tanto a mente como os músculos com estes exercícios tão simples e harmoniosos.


Muito grata Rui, pelo teu tempo e dedicação 🙏

Fotografia tirada numa praia em Danang, no Vietnam

abril 28, 2020

Desperta para o teu propósito - pronto para abdicar?

Há uns dias estava a ler alguns artigos sobre a Sofia de Assunção, uma coach que sigo e gosto muito de ler, e ela escrevia sobre o propósito de vida, um tema que tenho andado a dar mais atenção ultimamente.
Ela escrevia sobre as várias razões que nos podem fazer afastarmo-nos do nosso propósito, sejam elas basearmos a nossa vida naquilo que são as definições das outras pessoas, seja alimentarmos mitos e mentiras à sombra de um sentimento de auto-vitimização, seja mesmo desconhecermos o que nos move. Mas houve uma razão que se destacou para mim que foi a de não querer pagar o preço que a nossa verdade acarreta.

Depois de vários anos num processo contínuo de auto-descoberta consegui aceder ao que me movia e finalmente, a dada altura, consegui remover os obstáculos que travavam o meu salto, mas continuava a ser muito difícil dá-lo. Lembro-me bem desse momento e lembro-me de pensar que agora estava a mais de meio da ponte. O percurso que tinha feito até lá já estava em ruínas. Sem me aperceber o meu passado já não era um presente, era impossível voltar atrás, ou como é que eu iria explicar a mim mesma este retrocesso? O caminho era para a frente, seja lá o que se viesse a apresentar, e só pagando o preço dessa verdade me permitiria dar o último salto que precisava. Estava preparada, era hora de arriscar.

Fazer uma escolha significa sempre abdicar. Abdicar da "segurança" do conforto e do conhecido, por muito que o conhecido não seja o que ambicionamos. Mas sabemos com o que contar e isso traz-nos muitas vezes uma sensação de segurança.

O que te falta a ti para arriscares a viver a tua verdade?


Raquel Ribeiro. Com tecnologia do Blogger.