outubro 09, 2021

O meu Caminho de Santiago a Finisterra

O meu Caminho de Santiago e Finisterra

Mais uma partida, mais um recomeço, mais um troço dos Caminhos de Santiago 🚶

Desta vez com a minha querida amiga Sara dos No Footprint Nomads.

Depois de ter feito o Caminho Português da Costa há cerca de um mês, venho completar a rota até ao fim do mundo, Finisterra. Começámos em Santiago de Compostela e seguimos o "curso do sol até aos confins da terra", Finisterra, conhecido como o fim do mundo, um lugar onde se acreditava que as almas ascendiam ao céu.

Bora lá para mais uma aventura e mais uns kms nos pés 👣👣


Sabe mais sobre a minha experiência pelo caminho português, bem como dicas para a tua preparação para o Caminho de Santiago, em O meu Caminho a Santiago de Compostela.



Diário de bordo:

Dia 1 - Santiago a Negreira (24 km)

Fomos de bus até Santiago de Compostela e antes de começar a caminhar fomos diretas ao Bar La Tita, comer a melhor tortilha de Santiago 😋

Não sou especialista em tortilhas, mas acho que o segredo está no ovo. Estava divinal!

Os meus roteiros têm sempre uma componente gastronómica, já que comer é uma das maravilhas da vida 😋😅

Levo o meu googlemaps aberto e próximo da hora do almoço vou pesquisar as tasquinhas com melhor pontuação e ver também que restaurantes fazem menu do peregrino. Aproveito e faço uma paragem maior ao almoço. 

Ao jantar como algo leve tipo sandes, que compro no supermercado, porque deitamo-nos cedo e não vale a pena encher o bandulho para ir dormir a seguir. Este é um dos pequenos hábitos que tenho que acho que me ajuda a dormir melhor e a não engordar.

Começamos então a primeira etapa em Santiago. Caminhamos cerca de 24km até Negreira.

Foi uma etapa com uma mistura de estrada de cimento e floresta, com algumas subidas.

Passamos por vilas muito bonitas, com casinhas em pedra, mas sem dúvida que a mais bonita de todas foi Ponte Maceira, com uma ponte antiga, capela, brasões e casas recuperadas a rigor. Esta vila é considerada como uma das mais bonitas de Espanha. Não sei se conhecem, mas existe uma associação com site chamada "los pueblos mas bonitos de espana" que destaca as vilas espanholas mais bonitas, segundo um conjunto de critérios que é revisto frequentemente. Vale muito a pena espreitar e fazer uma rota passando por estes pontos, porque são vilas lindíssimas!

Como começamos a caminhar só de tarde, já chegamos ao albergue ao final do dia. Por azar era feriado em Negreira, por isso não havia supermercados abertos e apenas alguns cafés e restaurantes. Comemos uma refeição leve e fomos para o albergue fazer a nossa rotina diária de chegada: tomar banho, lavar a roupa e fazer uma massagem aos pés.

Caminhamos durante o dia para sentirmos o privilégio que é ter um banho de água quente e fazer uma massagem aos pés. Depois de um dia de caminhada sabe tudo às mil maravilhas!

O tempo esteve maravilhoso e seguimos juntos para o segundo dia 😊👌


Dia 2 - Negreira a Lago (29,47km)

Começamos a caminhada tarde, porque queríamos ir ao supermercado logo de manhã e só abria às 9h30. Tomamos o pequeno almoço e marchamos.

O segundo dia foi bem mais puxado, com quase 30km de caminhada e cerca de 400m de desnível, mas muito bonito, especialmente os primeiros 10km. Muita natureza e monte e muita inspiração!

Eu e a Sara tivemos um grande momento de inspiração juntas, um insight que nos ajudou imenso a integrar várias peças da nossa vida que pareciam estar soltas e ali, no meio daquela natureza, fez-se luz e clarividência nos nossos caminhos da vida.

Abraçamo-nos, rimo-nos muito e filmamos o nosso insight, para não nos esquecermos do que descobrimos juntas.

Atrás de nós vinham duas peregrinas mais velhas, espanholas, da Corunha, e explicamos-lhes o que tinha acontecido. Elas responderam: "é disto que se trata o Caminho". Eu estava numa grande inspiração e foi o momento mais alto do meu dia 🥰

No primeiro dia conhecemos umas alemãs que estão a fazer o Caminho desde França e vão com mais de um mês a caminhar e à volta de 800km nas solas. Isto sim, é desafio! Uma delas é a primeira vez que está a fazer o Caminho. Grande estreia, hã?

No segundo dia conhecemos um italiano muito simpático, que veio do Caminho Primitivo e disse maravilhas! Acho que vai ser o meu próximo Caminho 😉

Mais para o final da nossa rota a paisagem mudou e ficou muito, mas muito rural, com imensas vacarias pequenas, umas placas antigas de albergues e do Caminho para Finisterra e pareceu que estávamos mesmo a caminhar para o fim do mundo. Místico!

Depois duma grande última subida no meio do monte, começamos a descer e encontramos o nosso albergue, mesmo junto a mais uma vacaria.

No segundo dia andei com as botas de montanha em vez das sapatilhas, porque esperava montanha e desnível, mas afinal não senti que fossem uma mais valia. Acho que vou voltar às sapatilhas, que apesar de serem foleiras são mais leves e flexíveis 😊


Dia 3 - Lago a Cee (26,28km) 👣

Apesar de normalmente o 3°dia ser o meu pior dia, desta vez foi um dia com várias surpresas e muita esperança.

O nosso albergue em Monte Aro era um edifício em pedra recuperado muito bonito, mesmo junto a uma vacaria. Como tinha cozinha, fizemos uma aveia improvisada com banana, chocolate preto e caju. Ficou top!

E começamos a caminhar bem cedinho.

O caminho passou por algumas aldeias, mas foi sobretudo pelo monte. Como sabíamos que os últimos 15km desta etapa iam ser só monte, sem serviços nem nada para comer, optamos por almoçar em Logoso, onde encontrei, por coincidência, uma pessoa que nos segue nas redes sociais por causa do autocaravanismo e que estava a fazer o Caminho na mesma altura que nós. Uma feliz coincidência, que nos permitiu conhecer-nos pessoalmente 🥰

Depois do almoço seguimos viagem sempre com muita natureza, e foi quando tivemos outra surpresa. Primeiro uma paisagem lindíssima com as montanhas e o rio e depois, quando olho para baixo, um pequeno santuário a homenagear pessoas que partiram. Nem por acaso era o aniversário de falecimento da minha mãe. Foi um momento muito bom ter ali aquele pequeno templo e poder participar dessa homenagem também com algo meu.

É um pouco também por isto que o Caminho é tão especial! É a sensação de que estamos juntos e conectados. O Caminho conecta-nos, mesmo com quem não conhecemos. Não se trata só da solidariedade entre as pessoas, mas é mais do que isso. É esta magia de que fazemos parte de algo muito maior do que nós!

A meio da tarde chegamos a um novo albergue, em Cee, já a menos de 15km do nosso destino, Finisterra.

Neste albergue temos um quarto só para nós, que maravilha! Sem termos que o dividir com mais 10 ou 15 pessoas, com uma cama "a sério" em vez do beliche, lençóis, uma varanda, roupeiro e com vista de mar. Um pequeno luxo para um peregrino!

Tomamos uma banhoca e fomos ao supermercado tratar de comprar material para o nosso jantar. Encontramos no supermercado uma empada vegana, com cogumelos, espinafres e pimentos que estava muito boa e trouxemos para comer no albergue.

Bem comidas e bem dormidas. Estávamos no paraíso!

Seguimos Caminho para o fim do mundo 👣🌸🦋



Dia 4 - Cee a Finisterra (20,53km) 👣 FIM

Começamos o dia em Cee, uma cidade costeira engraçada e fomos seguindo caminho pela costa. 

Passamos por pequenas cidades e vilas costeiras engraçadas, com um misto de pedra, montanha e mar. Vimos, inclusivamente, espigueiros em pedra. Uma mescla muito interessante! 

Este foi, sem sombra de dúvida, o Caminho mais bonito dos 3 Caminhos que já fiz (Inglês, Português da Costa e Finisterra).

E o tempo foi mesmo de encomenda para nós!

A uns 10km da chegada ao Cabo de Finisterra começamos a ver muitos peregrinos a caminharem. É engraçado como o estilo de peregrinos que encontramos neste Caminho foi muito diferente do que encontrei no Caminho Português da Costa, em Agosto. Em Agosto eram sobretudo estudantes e o ambiente às vezes era mais de fiesta em alguns albergues. Neste Caminho vimos pessoas mais da nossa idade e mais velhas, e senti um espírito mais de missão à nossa volta.

Como o meu foco é muito no desenvolvimento pessoal e não propriamente na religião, para mim, terminar o Caminho de Santiago em Finisterra foi mais impactante do que terminar em Santiago de Compostela. Terminar num cabo, no chamado fim do mundo e na costa da morte, tem uma simbologia enorme!

E mais do que chegar ao km 0, foi chegar àquele cenário, depois de toda esta viagem e ter ali uma oportunidade para parar e olhar para o horizonte naquele ambiente de infinitude e de paz. É como se tivéssemos realmente ido até ao fim do mundo e estivéssemos agora preparados para elevar a nossa alma aos céus, como diz a história.

Uma parte de mim senti-o pouco merecido, porque desta vez não sofri de todo. Não tive uma única bolha nos pés, nem me senti cansada. Apenas os pés doridos no final do 2°dia.

Também fizemos menos quilómetros desta vez. Quisemos ter tempo e energia para desfrutar dos lugares por onde íamos passando.

A conversa com a Sara também foi muito boa, com muitos insights e muita partilha e isso naturalmente também ajudou a que fizesse o Caminho sem grande esforço.

Não me interpretem mal, não gosto de penitências, mas a verdade é que passar mal pode trazer muita oportunidade de crescimento.

No entanto, nem toda a autossuperaçao é física. Há que ascender nas nossas ambições e sermos capazes também de nos desenvolvermos e autossuperarmos de outras formas. Inspirei-me ao longo do Caminho em caminhantes mais velhos e percebi que eles caminham mais devagar, mas com mais intenção e presença. E é interessante também esta forma de caminhar que, no fundo, é uma forma de viver a vida. Mais madura, talvez.

De facto o Caminho é muito único e é exatamente do tamanho daquilo que estamos prontos para lhe dar!


#caminofinisterra #caminhodesantiago #caminhodesantiagodecompostela #caminodesantiago

#viagenscomproposito #viagemcomproposito #desenvolvimentopessoal #autossuperacao


Beijinhos e abraços e sejam felizes!

Encontramo-nos na próxima história de desenvolvimento pessoal 😉

Raquel

Digital Nomad, Blogger, Traveller, House & Pet Sitter

Overtrail.com

outubro 07, 2021

Aldeia abandonada a 40km de Lisboa

Olá, bem-vindos!

A 40km de Lisboa fica a aldeia de Broas, uma aldeia abandonada há mais de 40 anos. Fomos visitá-la!

Como a aldeia não tem acesso de carro, tivemos que estacionar em Almorquim, a aldeia mais próxima, e caminhámos cerca de 25min por uma estrada de terra batida, com umas vistas muito bonitas!


A aldeia é pequena e está em ruínas, o que lhe dá um certo glamour.

Encontrámos uma grande árvore, com bancos de pedra, que nos pareceu ser o centro da aldeia. E sentámo-nos ali, naquele grande freixo, a ouvir a D. Maria das Dores contar como era a vida naquela aldeia. Esta senhora nasceu na aldeia de Broas, foi uma das últimas habitantes e foi, por isso mesmo, entrevistada pela TSF. Trouxemos o audio no telemóvel e ouvimo-la a contar a sua história, mesmo debaixo do freixo, que tanto falavam no audio.


Não sei se já tinhas feito isto? Ouvir alguém contar uma história, precisamente no lugar onde a ouves.

Aconselho a fazeres, porque é mágico! Senta-te lá e ouve a D. Maria das Dores em https://www.tsf.pt/sociedade/aldeias-abandonadas-as-portas-de-lisboa-10440198.html


A desertificação e o abandono das aldeias é um tema que me toca muito. Fracos acessos, agricultura pouco rentável e inexistência de qualquer serviço ou comércio têm sido algumas das razões pelas quais as pessoas abandonam as suas aldeias.


Fico sempre a imaginar como seria a vida naqueles tempos e como poderíamos voltar a ter vida naqueles lugares!

O turismo tem sido uma saída, mas era bom que mais do que um "parque de diversões", ou um lugar de "consumo passivo", que fosse um lugar mesmo com vida, onde se recriasse a época histórica, conforme defende um arqueólogo de Trás os Montes, evitando que os lugares se transformem em "simples vestígios arqueológicos"...


Tenho pensado muito no conceito de "turismo de consumo passivo". Não sei se existe este termo ou não mas, tal como nos outros tipos de consumo, o turismo também pode ser vivenciado de várias formas. Umas mais participativas e outras menos. Umas que promovem realmente a vida local, outras que promovem a destruição do património cultural e o ambiente. Tudo depende da forma como a consumimos.


Assiste ao vídeo que fiz da Aldeia de Broas:


Se gostas de aldeias abandonadas, aconselho-te a assistires o vídeo que fiz da aldeia de Safira, uma outra aldeia abandonada que gostei muito de visitar! Aos meus olhos mais mágica ainda, porque tem uma igreja antiga e porque não se vê nenhuma casa à volta. Parece que estamos num mundo encantado...


Beijinhos e abraços e encontramo-nos na próxima história! 

Raquel 

Digital Nomad, Blogger, Traveller, House & Pet Sitter 

https://overtrail.com

outubro 04, 2021

Um casal e uma autocaravana, Umundu Lx

Olá, bem-vindos! 

No passado domingo dia 3 de Outubro, fomos dar duas palestras com o título "Um casal e uma autocaravana, rumo a um novo paradigma" 👫🌎🚐 

Houve uma sessão de manhã e outra sessão à tarde, incorporadas no Festival Umundu Lx.



Apresentação do Festival Umundu Lx

Este festival é gratuito e contou com cerca de 90 eventos ligados à sustentabilidade, ao consumo e vida mais conscientes.

Começou como uma iniciativa de cidadãos que sentiram a necessidade de criar uma plataforma de encontro, troca de ideias e de visões para uma sociedade mais sustentável, mais cuidadora e regeneradora dos ecossistemas planetários dos quais dependemos. Este festival é então dedicado à reflexão sobre o nosso impacto na Terra e a importância de encontrar soluções para a transformação sustentável do modo de vida de cada pessoa e da sociedade no seu todo. 

Houve palestras, projeção de filmes, oficinas, visitas guiadas, exposições e atividades culturais.

A ideia é juntos remarmos para um paradigma mais sustentável 🌱


Programa do Festival Umundu Lx

O programa da 2ª edição do Festival Umundu Lx focou-se em 4 temas:

1. OUT: Afinal, o que é sustentabilidade?

2. OUT: Restauração de Ecossistemas

3. OUT: DIY - Do It Yourself (Faz tu mesmo)

4. OUT: Justiça social e ambiental


A nossa palestra e visita guiada

O domingo foi dedicado ao tema "Do It Yourself - Faz tu mesmo!" e o objetivo era motivar os participantes a tomarem iniciativa para encontrarem soluções e alternativas. Neste sentido, fomos partilhar a nossa história e como foi o processo de decidir criar as nossas próprias soluções e estilo de vida. Apesar de vivermos numa autocaravana, continuamos a ter um estilo de vida que consideramos saudável e a fazermos o nosso próprio pão, iogurte, desodorizante, etc. Na fotografia abaixo podem ver a iogurteira da YogurtNest que usamos para nos ajudar na confeção do iogurte e para levedar a massa do pão.

Aproveitámos a fazer uma visita guiada à nossa autocaravana e a responder a tantas questões que sempre nos colocam relativamente a este estilo de vida.




Comentários

Recebi comentários maravilhosos, como este:

"Olá querida Raquel, uma delícia conhecer-te! Apreciei muito a tua honestidade, e a liberdade com que falaste de coisas íntimas, como a vossa relação e como procuram soluções, sem pruridos desnecessários, e ao mesmo tempo, deram esperança realista a todos os que queriam saber como funciona afinal este modo de vida tão romântico sem deixar de ser exequível. Muito generoso da vossa parte!"


Pessoas que vieram à nossa palestra e que finalmente conhecemos pessoalmente

Neste evento tive o privilégio de finalmente conhecer pessoalmente a Sónia Justo, do blogue de viagens Lovely Lisbonner, que há tempos me fez uma entrevista online sobre a minha história de vida. Podes assistir a esse vídeo em "A tua vida cabe numa autocaravana? | Raquel Ribeiro & Sónia Justo | À Tona Episódio 3"


Conheci ainda uma pessoa que nos segue e que vê e comenta todas as nossas publicações sempre com muito entusiasmo. É mesmo um verdadeiro prazer poder conhecer de carne e osso pessoas tão próximas de nós, que viajam connosco cada passo da nossa vida!


Mais vídeos e informação

Caso queiras visitar virtualmente a nossa carrinha convertida em autocaravana, ou saber mais sobre a minha mudança de vida, podes assistir aos meus vídeos em:

Vídeo da Van Tour

Vídeo Como mudei de vida


Beijinhos e encontramo-nos na próxima história de viagens 😉


Raquel

Digital Nomad, Blogger, Traveller, House & Pet Sitter

Overtrail.com

agosto 21, 2021

O meu Caminho a Santiago de Compostela

Passados 7 ou 8 anos venho fazer novamente o Caminho de Santiago a pé 🚶 

Da outra vez fiz o Caminho Inglês com um grupo de voluntariado. Este ano faço o Caminho Português da Costa, com mais 3 amigos.

A rota tem 271 km, desde o Porto até Santiago de Compostela, dividido em 13 etapas, mas eu comecei em Marinhas (Esposende), porque tomei a segunda vacina do covid e fiz febre. Tive que entrar para a caminhada 2 dias mais tarde. Assim sendo, o meu objetivo foi fazer 210km em 8 dias, o que dá uma média de 26km por dia, fora os desvios... 


Neste artigo vou partilhar:

  • A rota que fizemos
  • Links úteis para a preparação do Caminho de Santiago
  • A minha check-list: O que levar na mochila
  • Partilha em formato de vídeo: para se quiseres ver algumas imagens e se quiseres saber um pouco mais sobre os Caminhos de Santiago e sobre como te podes preparar para este desafio.
  • A minha reflexão depois de chegar a casa
  • O meu diário de bordo, com os vários pensamentos que me foram ocorrendo dia-a-dia
  • Agradecimentos e convite

A nossa rota

Dia 1 - Marinhas a Viana do Castelo (21,123km)

Dia 2 - Viana do Castelo a Caminha (30,543km)

Dia 3 - Caminha a Porto de Mougás (27,9km)

Dia 4 - Porto de Mougás a Baiona (17,97km)

Dia 5 - Vigo a Arcade (27,77km)

Dia 6 - Arcade a Tivo (38,08km)

Dia 7 - Tivo a Padrón (21,6km)

Dia 8 - Padrón a Santiago de Compostela (25km)



Links úteis para a preparação

https://www.caminodesantiago.gal/pt/inicio

https://www.gronze.com/

Camino Ninja app

Onde comprar credencial do peregrino

Cartão europeu de seguro de doença

Se estiveres à procura de inspiração, recomendo o livro da minha querida amiga Luísa: Um Caminho para Todos - Diário de uma Peregrina no Caminho de Santiago


A minha check-list: O que levar na mochila

Partilho a lista de coisas que normalmente levo para o Caminho de Santiago:

- Mochila de 40 litros, com capa impermeável

- 2 t-shirts compridas, fáceis de lavar à mão e rápidas de secar ao ar

- roupa interior: cuecas, soutien, etc (de preferência sem costuras)

- meias coolmax (25€ 2 pares na Decathlon) - trocar de meias 2 em 2 horas, se for preciso

- calças de caminhada e umas calças largas limpas para depois de tomar banho

- 1 t-shirt de manga comprida para dormir

- 1 camisola

- chapéu com abas para proteger também a cara

- botas ou sapatilhas de trekking, chinelos de banho e para sair ao final do dia

- saco-cama e/ou lençol saco-cama ou lençol de capa edredom (normalmente os albergues têm cobertor)

- toalha de banho micro fibra

- necessaire: escova e pasta dos dentes, pente para cabelo, desodorizante, sabonete, champô em doseador pequeno de viagem, creme para cara e pés

- lenços de papel ou toalhetes

- protetor solar em doseador pequeno de viagem

- impermeável?

- sabão da roupa, 4 molas (para prender por fora na mochila e fazer de estendal 😊)

- material covid: 2 máscaras laváveis, gel desinfetante, testes auto-diagnóstico covid

- medicamentos: pomada anti-inflamatória, 1 benuron, 1 brufen, bépanthene, vaselina para pôr à noite nos pés, pó de talco para pôr de manhã. Para as bolhas nos pés: Epitact (almofadas) com gaze, ou os pensos para bolhas da compeed, tesoura

- documentos: cartão do cidadão, cartao europeu seguro de doença, credencial do peregrino, dinheiro

- oculos de sol sem caixa

- 2 sacos de plástico com e sem asas (para a roupa suja, lixo, compras, etc)

- telemóvel, auriculares, carregador, powerbank

- 3 talheres de sobremesa (colher, faca e garfo)

- frutos secos, bolachas, água

- vieira

NOTA IMPORTANTE: Coloco tudo na mochila em vários sacos de plástico. Caso chova a roupa já não se molha. 


Partilha em formato de vídeo

Se quiseres assistir todos os vídeos que fiz sobre os Caminhos de Santiago, acede à minha Playlist Caminhos de Santiago.






A minha reflexão após chegar a casa

Há dias estávamos a comentar que fazer o Caminho de Santiago sem mochilas é muito mais fácil. São menos 7kg ou 10kg em cima do corpo, que fazem muita diferença. E eu pus-me a pensar como todo o Caminho e as dificuldades que nos aparecem são mesmo idênticas às da nossa vida.

Há pessoas que carregam fardos enormes, outras nem tanto. Parece que para umas pessoas é muito fácil conseguir determinadas coisas. Outras têm que fazer tanto esforço para lá chegarem e, ainda assim, não é suficiente para alcançarem. Pensamos que a vida é injusta, porque não começamos pelos mesmos pontos de partida, com as mesmas condições.

É verdade, mas uma grande parte do peso que levamos na nossa "mochila" é aquilo que escolhemos carregar, mesmo que de forma inconsciente. Se eu sou uma pessoa com muitos receios e preocupada com o futuro, vou tender a levar muita coisa na minha mochila, porque acho que posso vir a precisar. Se sou mais relaxada e mais desprendida, vou com muito menos coisas.

Se eu acho que não sou boa o suficiente e que não vou conseguir, vou carregar um peso extra.

Todo esse peso que carrego vai, inevitavelmente, influenciar o meu Caminho.

Enquanto esperei 2h30 pelo certificado de Compostela percebi que o único "canudo" que nos serve na vida é mesmo o da aprendizagem que fazemos pelo Caminho. E esse é do tamanho daquilo que estamos dispostos a dar de nós ao Caminho, seja ele de 20km, 200km ou de 2000km.

A aprendizagem não é do tamanho do que conseguimos fazer, de todo! Tem muito mais a ver com a forma como o fazemos do que aquilo que fazemos. 

Só quando percebermos isso é que vamos perceber que aquilo que ganhamos não foram 200km de desgaste nas solas dos nossos sapatos, mas sim o que nos disponibilizamos vir aprender com esta experiência.

Isto é o que faz sermos únicos e essa aprendizagem jamais nos pode ser roubada, copiada, ou alcançada pelos mesmos quilómetros de Caminho.

Cada Caminho é único 🌸

#caminhoportugues #caminhodesantiago #caminhoportuguesdacosta #caminhodesantiagodecompostela #viagenscomproposito #viagemcomproposito #desenvolvimentopessoal




Diário de bordo:

Dia 1 - Marinhas a Viana do Castelo (21,123km)

Bem, 26km a pé até se faz mais ou menos bem, mas a carregar 10kg de mochila é obra! Nunca aprendo 🤦 Trouxe muito mais do que precisava, mas no final do primeiro dia libertei perto de 3kg de coisas! Prefiro que eventualmente faça falta do que carregar tudo para uma eventualidade...


Dia 2 - Viana do Castelo a Caminha (30,543km)

Como sempre, no início a folia era imensa! Parecíamos novamente adolescentes a dormirmos no albergue. Na primeira noite tivemos que pôr uma meditação, porque ninguém dormia. Eram piadas e mais piadas, risota pegada e o sono não chegava. 

Dois dias de caminhada depois, cremes anti-inflamatórios e umas bolhitas, a malta já se deita e aterra, desde que as dores o permitam 😬

E quando comemos? Sabe tão bem! E a água a bater no corpo no duche, no final do dia? Que maravilha! 

E pôr os pés nuns chinelos? Ei, isso é que é como andar nas nuvens!

Não há nada como passar mal, para valorizar o pouco que se tem... 😊



Dia 3 - Caminha a Porto de Mougás (27,9km)

É o meu 3°dia (4° e 5° dia para os meus companheiros) e o ponto de viragem. Ou vai ou racha.

O Caminho é mesmo um retrato da vida. Passamos por muita alegria, música, gargalhadas de acordar o pessoal nas casas, mas também desespero, choro, sensação de chegarmos ao nosso limite. E é aí, precisamente aí que acontece a magia (ou então que fazemos uma mazela a sério 🤕😉). É mesmo assim, temos que confiar no nosso corpo, que é sábio, e saber quando é o momento de parar.

Uns vão, outros vêem. O que é certo é que nada é certo. Hoje caminhamos com alguém. Amanhã podemos já não estar a caminhar com aquela pessoa. Ou podemos já nem conseguir caminhar. É isso, não controlamos. O caminho é duro. Ensina-nos que não temos quereres e que o melhor é mesmo aceitarmos e aceitarmos com gratidão, para o nosso bem.

O caminho mostra-nos que temos que vergar, principalmente naqueles momentos em que nos apetece partir tudo à nossa frente. Principalmente nesses momentos.

Mostra-nos que hoje o nosso companheiro precisa de ajuda, amanhã somos nós e mostra-nos com muita convicção! Estamos no limite, num limite que desconhecíamos sobre nós próprios. E, sobretudo, um limite emocional, permanentemente. 

Que lição é este Caminho!

Estamos juntos, equipa maravilha 💪😊💗


Dia 4 - Porto de Mougás a Baiona (17,97km)

Dia das queixinhas 😁

O 4°dia foi o dia de tratar de nós e fazer uma "pausa". Uma pausa, ainda assim, de 18km de caminhada 😊

Tive uma bolha no pé esquerdo (dou graças por ter só uma! Da outra vez fiz 5 bolhas ao final de 3 dias de Caminho de Santiago!), tenho os dedos mindinhos pisados e uma dor no tendão do pé direito ao caminhar (provavelmente do esforço para compensar o impacto na bolha do pé esquerdo). 

A dor é suportável, mas passei pelo centro de saúde só para saber se poderia estar a fazer algum dano mais permanente ao continuar. Como para já não é grave, vou continuar. Ponho vaselina (para evitar bolhas) e creme anti-inflamatório 2x ao dia e tem funcionado.

No Caminho vivemos mesmo um dia de cada vez.

Então o 4°dia, que era um dia de aproximadamente 40km de caminhada, porque os alojamentos estão cheios e só encontramos dormida mesmo em Vigo, optamos por fazer o Caminho a pé até Baiona e de lá apanhar um bus até Vigo.

Pensamos várias vezes no que fazer. Para nós era importante fazer o caminho todo a pé, mas estaríamos a fazer numa só etapa aquilo que é recomendado fazer em duas etapas e, dadas as circunstâncias, tivemos receio que se o fizessemos nestas condições que fosse o nosso último dia de Caminho e viessemos recambiados para casa 🤕

Por isso fizemos uma parte a pé e a outra de autocarro, para no dia seguinte estarmos aí on fire para continuar o Caminho e com o pé mais restabelecido.

Dica para quem quiser fazer o Caminho é não marcar as dormidas previamente e ir marcando à medida que se vai avançando no Caminho. 

Caso se vá fazer em Agosto, e especialmente se a rota for numa zona turística e de costa, como é o caso, pode-se correr o risco de não haver lugar para dormir (especialmente agora que os albergues só podem funcionar com 1/3 da capacidade por causa do covid). Nesse caso pode ser bom reservar as noites previamente, mas no planeamento eu diria que é preciso ter em conta que mais do que 20-25km por dia a pé com as mochilas é bastante puxado para quem não está habituado e que é importante haver alguns dias pelo meio em que se caminha menos, para o corpo se restabelecer.

A ideia não é vir dar um passeio como se fosse ali ao cinema, mas também não é matarmo-nos no caminho ou fazermos lesões que nos tragam repercussões no futuro. O ideal é que o façamos com esforço, mas também com saúde, desfrutando das paisagens e das pessoas especiais que vamos encontrando pelo Caminho.

Seguimos juntos! 😊🚶🙏




Dia 5 - Vigo a Arcade (27,77km)

Acordei a sentir o corpo a pedir para caminhar (os pés é que não, coitados! 😂)

E pensei, ei pá, já fiz metade do Caminho! E começo, animada, em contagem decrescente ☺️

O Caminho de Vigo a Arcade tem algumas subidas e descidas, mas passa muito tempo por uma floresta, com muita sombra e o piso bom para caminhar. Foi um dia fácil.

O corpo também começa a habituar-se ao ritmo e já pede para saltar da cama de madrugada e meter-se à estrada. Só os pés é que ainda não se adaptaram e ainda dão que fazer. 

Já so faltam 80km para chegarmos a Santiago de Compostela e começo a acreditar que vamos mesmo chegar ao destino a pé 💪😁

Seguimos juntos! 😊🚶


Dia 6 - Arcade a Tivo (38,08km)

Total percorrido🚶163,38km

Minha Nossa, o meu record a caminhar: 38km 😳

Acho que nunca caminhei tanto quanto ontem! Cheguei ao albergue e pedi uma bacia com água e sal e fui para a cama.

Chegamos a Pontevedra às 11h, com menos de 15km feitos, e depois disso não íamos ter restaurante tão cedo. Era domingo e praticamente tudo fechado. Perguntamos na rua e diziam que só abriam às 12h. Fomos caminhando até ao fim da cidade e ainda não era meio dia. Perguntamos a um senhor na rua que nos falou de um restaurante perto que estaria aberto. Fomos lá e os almoços só eram servidos a partir das 13h. Pensamos em vir embora, porque ainda nos faltavam 25km de caminhada. Nisto a senhora disse para nos sentarmos que ela ia ver o que podia fazer. Serviu-nos umas brutas doses de comida às 12h. Como era muito, guardamos parte para o jantar 🙂

Na rua as pessoas sorriem-nos e cumprimentam-nos, oferecem-nos ajuda se nos sentamos na rua a olhar para os nossos pés. 

Somos olhados com carinho e isso sabe mesmo bem, especialmente quando nos sentimos exaustos.

Estas são as maravilhas da vulnerabilidade. 

Cada vez mais me convenço de que o ser humano naturalmente gosta de ajudar e de cuidar. Quando isso não acontece algo está fora do alinhamento natural.

Quando saímos fora da nossa zona de conforto imaginamos mil e uma coisas más que nos podem acontecer, mas não imaginamos as mil e uma coisas boas que nos podem acontecer e que realmente acontecem muito mais facilmente do que as más. É impressionante! Há muitas mais pessoas prontas a ajudarem-nos do que pessoas a aproveitarem-se de nós, seja lá da forma que for. E quanto mais vulneráveis estamos, mais nos surpreendemos.

Lembro-me na Colômbia e na Costa Rica de ter sido ajudada por outras mulheres e familiares das mulheres, porque me viam a viajar sozinha de mochila às costas. Uma ofereceu-me boleia e dormida, depois de uma conversa num voo interno, outra fez questão que o irmão fosse 3km a pé comigo até ao meu albergue para eu não correr o risco de ser assaltada em San Jose, capital da Costa Rica. 

Pessoas que não esqueço, apesar de não saber o nome delas nem fazer ideia quem elas são. 

Sinto sempre que não há forma adequada para retribuir tudo o que nos oferecem quando estamos em viagem. Recebo muitíssimo mais do que consigo dar. A única retribuição é fazendo o mesmo a alguém que precise.

E é assim que alimentamos esta cadeia 🥰

Faltam agora menos de 50km para chegarmos a Santiago!

Seguimos juntos! 😊🚶



Dia 7 - Tivo a Padrón (21,6km)

Total percorrido: 184,98km

Acordei com aquele sentimento quando estamos prestes a ir de férias, após um último e difícil exame da faculdade. Já estamos muito perto de Santiago e sinto um misto de sentimento de realização com um sentimento de cansaço e alguma tristeza. Basicamente não consigo dar saltos de alegria, porque doem-me os pés como o raio... 😛 Emocionalmente sinto-me cansada também. Há muita coisa nova a estimular-nos todos os dias, novas pessoas que encontramos pelo caminho, novas dores, novos músculos que descobrimos ter no corpo, novos desafios, pensamentos. Há um permanente check ao nosso corpo e à nossa mente. Cada dia há emoções diferentes para acolher. 

O 7° dia foi tranquilo, com pouco mais de 20km de caminhada. Estava com muito pouca energia, cansada do dia anterior, em que fizemos quase 40km de caminhada. Foi o dia da ressaca.

De manhã voltamos a encontrar um grupo de portugueses e alemães que tínhamos conhecido no dia anterior e, ao final do dia, voltamos a encontra-los no nosso albergue. Aproveitamos e juntamos a roupa de todos e pusemos a lavar na máquina. Assim já não tivemos que lavar a roupa à mão 😊

Como a mochila pesa nas costas, só trago 2 roupas, a que tenho vestida no corpo e outra suplente para quando tomo banho. Todos os dias lavo a roupa que usei naquele dia.

Faltam agora 25km para chegarmos a Santiago! Nem posso acreditar que estamos tão perto! Já nada nos pára 💪😁

Seguimos juntos! 😊🚶


Dia 8 - Padrón a Santiago de Compostela (25km)

Total percorrido🚶210km

Chegamos a Santiago!!! 💪😁

Fizemos 25km seguidos de manhã e viemos almoçar já a Santiago. Isto é que foi uma maratona! Nunca tinha feito tantos quilómetros a pé em tão pouco tempo!

Como se não bastasse, à tarde fizemos mais 10km a passear em Santiago de Compostela 🚶

À chegada sentamo-nos no chão da praça da Catedral. Vimos as pessoas a chegarem, num ambiente de festa, palmas, muita alegria, gargalhadas, muitas fotografias.

Vimos turistas, peregrinos a pé, de bicicleta. Alguns a dormirem no chão. Estávamos exautos e a minha maior preocupação era se alguém me pisava os pés sem querer... 😬




Agradecimentos

Grata a todos os órgãos e músculos do meu corpo que permitiram fazer esta jornada de 210km em 8 dias!

Grata ao nosso companheirismo ao longo do caminho e virtualmente nas redes sociais, que nos dá força em momentos de crise! Houve dias em que acordei com menos motivação, mas ao ler os vossos comentários senti que não éramos só nós a fazer este Caminho, mas que éramos muitos mais 🥰🙏

Grata à minha teimosia, mania que sou forte e durona e que faço tudo 😁 Sem ela faria bem menos coisas e perderia um pouco da magia que acontece quando me desafio. Por outro lado, ganharia outras coisas... 🤔 mas deixa lá isso agora... 😅

Estou com vontade de repetir a proeza (numa pedalada bem mais lenta e talvez outra rota) na segunda quinzena de Setembro. Alguém alinha? 😁

Arranjávamos aí um grupo maravilha 💪😁

Grata aos que nos acompanharam nesta jornada e nos encorajaram 🙏

Seguimos juntos para novos desafios! 😊🚶


Beijinhos e abraços e sejam felizes!

Encontramo-nos na próxima história de desenvolvimento pessoal 😉

Raquel

Digital Nomad, Blogger, Traveller, House & Pet Sitter

Overtrail.com

agosto 07, 2021

Vivem e trabalham numa autocaravana, aparecemos no Jornal Público!

Saiu hoje uma reportagem no Jornal Público sobre nós, que pode ser vista online em Respiram, vivem e trabalham numa autocaravana.


Beijinhos e abraços e sejam felizes!

Encontramo-nos na próxima história de desenvolvimento pessoal!

Raquel

Digital Nomad, Blogger, Traveller, House & Pet Sitter

Overtrail.com

agosto 02, 2021

Se me arrependo da escolha que fiz?

Fez há dias 2 anos e meio que iniciámos a nossa jornada na autocaravana e recebi uma mensagem duma amiga, que pensa vir fazer o mesmo, que me pergunta como fiz para escolher a minha, por quanto tempo penso continuar e se nalgum momento me arrependo de ter escolhido viver assim.

Achei que seria interessante partilhar, porque há muita gente a questionar isto...


Como fiz para escolher a minha autocaravana?

Em relação à primeira questão, falei com muitas pessoas que tinham autocaravana e vi muitos vídeos. Grupos de facebook de autocaravanistas também é bom aderir, porque há muita troca de experiências.


Por quanto tempo penso continuar? Há algum arrependimento?

Em relação à segunda questão, não faço ideia de quanto tempo irei continuar a viver na autocaravana... Não me vejo a viver para sempre assim, mas enquanto estiver a desfrutar vou continuar.

Estas questões fizeram-me pensar. Parece que somos tentados a achar que a quantidade de tempo das nossas opções valida mais ou menos as nossas decisões... Se a decisão fosse para sempre, ou então por um bom número de anos, então seria uma boa opção, caso contrário não. Será que é o medo da "despedida" que está aqui implícito? O medo de errar e de falhar, porque afinal não é para sempre? O medo de mudar?

Eu falo por mim, que demoro tanto tempo desde que percebo que preciso de mudar alguma coisa até que o faço, precisamente pelo medo de me desiludir e de falhar. Quero sempre certificar-me que é realmente por ali antes de fazer mudanças. E ainda bem, é sinal de que sou responsável e quero tomar decisões conscientes. Mas há aqui algures no meio um equilíbrio entre esse medo e a alegria de viver, de nos permitirmos experimentar pelo prazer de experimentar. Afinal a vida não é em si uma experiência?

Eu cá acho que, por diversas situações, nós mudamos de rumo quando aprendemos tudo o que tínhamos a aprender com aquela situação e, mudar, quando é feito de forma consciente, não é uma fragilidade. Traduz, muitas vezes, a sabedoria de alguém que procura continuamente crescer e aprender.

E aqui entra a terceira questão, a do arrependimento. 

Acho que se virmos a mudança a partir deste ponto de vista e desde que haja possibilidade de escolha, nunca há lugar ao arrependimento. E é nesse sentido, de mantermos a nossa liberdade de escolha, que devemos trabalhar sempre.

Há realmente decisões difíceis na vida e que temos que pesar muito bem, porque inevitavelmente ao abrir uma porta fechamos outras, mas viver numa autocaravana não é uma dessas escolhas difíceis sem retorno. Em qualquer altura podemos arrendar uma casa, se assim quisermos, ou podemos fazer house sittings de longa duração se quisermos poupar dinheiro. Claro que viver numa autocaravana é bem mais económico do que viver numa casa e, quando pensar nessa hipótese, vou ter que ponderar essa parte, mas hoje eu vivo com a consciência de que essa realidade muito naturalmente irá surgir e, portanto, preparo-me hoje para que possa ter a hipótese de escolher um dia que queira voltar a ter uma casa, com todos os custos que isso implica. Até lá, desfruto do que tenho hoje, preparando sempre o futuro de me apetecer uma coisa diferente amanhã 😉 Acho que só assim temos a liberdade de poder escolher onde e como queremos estar a cada momento...


Beijinhos e abraços e sejam felizes!

Encontramo-nos na próxima história de desenvolvimento pessoal!

Raquel

Digital Nomad, Blogger, Traveller, House & Pet Sitter

Overtrail.com

julho 20, 2021

O meu testemunho com a app: Too Good To Go

No fim de semana tivemos um jantar "Too Good To Go", para experimentar mais um dos restaurantes aderentes desta aplicação.

Para quem ainda não conhece, a Too Good To Go é uma app através da qual se pode comprar comida que ainda está em boas condições, mas que iria ser descartada, depois de não ter sido vendida em tempo considerado útil nas lojas e restaurantes.

Nesta app pode-se encontrar fruta e legumes, refeições e lanches em take-away, comida de supermercado, etc.

Experimentamos a comida de 3 restaurantes até agora e de facto compensa em termos de preço, já que é feito um ótimo desconto. 


Para terem uma ideia, para este jantar de 6 pessoas fomos buscar duas doses de comida ao Restaurante Pimenta Rosa e um bolo inteiro ao Pão da Virgem. Tudo por 12,57€.


Para mim, a maior dificuldade tem sido mesmo encontrar restaurantes com comida de boa qualidade e saudável que estejam num raio próximo do local onde estamos, mas isso não é "culpa" da app, é que a maior parte da oferta de restauração que existe é mesmo muito industrial e de baixa qualidade. Então confeitarias nem se fala! 

Mas há alguns restaurantes aderentes com uma confeção consciente, especialmente no centro das grandes cidades. E estes, são também os primeiros a preocuparem-se com o desperdício alimentar.

É uma questão de ir experimentando e ir vendo as opções que se gosta mais.


É uma forma bem mais económica de se comer e de evitar o desperdício alimentar já que, como sabem, 1/3 de toda a comida produzida é desperdiçada!

Estamos aí na luta contra o desperdício alimentar, mas também das embalagens, já que muitos destes take-aways usam embalagens descartáveis. Se pudermos levar as nossas próprias embalagens, muito melhor!


Beijinhos e abraços e sejam felizes!

Encontramo-nos na próxima história sustentável!

Raquel

Digital Nomad, Blogger, Traveller, House & Pet Sitter

Overtrail.com

Raquel Ribeiro. Com tecnologia do Blogger.