agosto 09, 2022

Retiro do Sagrado Feminino e Masculino

Olá, bem-vindos! Escrevi este artigo para partilhar a minha experiência como participante num retiro do sagrado feminino e sagrado masculino, de 3 dias, com o José Pinto, do projeto Raiz do Homem.

Depois de vivermos uma experiência de crescimento destas, sentimos a responsabilidade de levarmos isto para as nossas vidas, para as pessoas que se cruzam por nós, e exatamente por essa razão é que eu escrevo. Para poder integrar, antes de tudo, em mim mesma as experiências, e para poder partilhar contigo o privilégio que tive, e que possamos todos, assim, viver neste mundo de forma mais consciente e, sobretudo, com mais Amor.


A viagem

Este retiro aconteceu num espaço muito especial, próximo de Portimão (Algarve), e foi, para mim, uma espécie de morte e renascimento para a forma como me relaciono com o outro. Associamos muito o masculino e feminino aos homens e mulheres mas aqui, falamos mais do que isso: entre a parte mais masculina, irradiadora e sustentadora, e a parte mais feminina, receptora e geradora, que cada um de nós, seja homem ou mulher, tem dentro de si mesmo.

Esta viagem vivencial passou por várias fases, desde a descontrução do patriarcado, ao perdão e à reconexão com as nossas energias masculinas e femininas. Um trabalho feito através de várias atividades, desde a consciência corporal, meditação, ecstactic dance, respiração holotrópica, biodança, danças circulares e da paz.. Houve ainda um ritual muito bonito à volta do fogo e também um círculo só de homens e outro só de mulheres, que terminou com uma linda cerimónia do cacau.


O que me trouxe este grupo

Muito provavelmente por causa do tema: Sagrado Feminino e Sagrado Masculino, foi o retiro onde vi o maior racio de homens: 11 Homens e 22 Mulheres. 33 foi o nosso número. São cada vez mais os homens que têm vontade de trabalhar a sua relação consigo e com os outros.

Vieram muitas pessoas pela primeira vez a um retiro, outras que já têm vindo a participar em retiros há muitos anos e vários repetentes deste retiro específico, o que é um bom sinal. Foi interessante esta dinâmica, porque pudemo-nos ajudar uns aos outros com diferentes perspectivas.
Com um grupo tão grande e diverso de pessoas, consegui rever-me em diferentes fases da minha vida. Consegui ver a Raquel do passado, que achava que sabia muito mais do que acha que sabe hoje, consegui ver e trabalhar a minha relação amorosa aqui espelhada noutros casais, e consegui ainda inspirar-me com pessoas que estão num lugar de tranquilidade e de sabedoria interna que eu procuro estar. 

Foi um exercício muito interessante na perspetiva do espelho. Olhar para todas essas fases e partes de mim, refletidas nos outros, e conseguir aceitá-las e amá-las em mim, sempre com a humildade de saber que todas essas partes que pertencem ao passado voltam, mesmo em contextos novos, e que nos dão a oportunidade de voltar a dar mais um passo na aceitação e na sua integração em nós. Penso que não existe uma linha que separa o que já fomos e o que somos agora. É tudo um mesmo campo, onde vamos transitando em função da nossa escolha consciente, mas também daquilo que a vida nos vai despertando.
Então, nesta perspetiva, deixa de haver aquela ideia de que andamos para trás quando voltamos a reincidir em algo que pensávamos que já tínhamos ultrapassado. Não há um andar para trás e para a frente, mas sim uma espiral.
Isto faz-me sentir num ser em permanente transição e que cada um, na sua escala, faz a diferença nos outros e no mundo que está à sua volta. 
Na verdade, vimos todos do mesmo e vamos todos para o mesmo. 

Desconstrução do Patriarcado

Neste retiro demos mais um passo na descontração do patriarcado. Como surgiu, de onde veio esta ideia de que o homem veio para dominar e a mulher para servir, que ainda acontece em tantas culturas, até mesmo na nossa. Ficámos a perceber que esta ideia de mais forte e mais fraco, de dominante e dominado não foi sempre assim e que em civilizações mais antigas, o papel da mulher era altamente sagrado.

Já partilhei antes que de facto esta “luta” nunca foi vivida por mim duma forma muito acesa. Talvez por eu considerar ter crescido numa família em que não sentia essa desigualdade. A minha mãe sim, era anti-patriarcado e assumiu durante vários anos cargos que eram destinados, na maior parte das vezes, a homens. Era uma guerreira que lutou sempre imenso contra isso. Se calhar por isso eu nunca senti essa luta como minha, porque senti que esse espaço das mulheres já tinha sido conquistado. No entanto, em adulta, a vida foi-me apresentando vários contextos onde percepciono essa desigualdade e, muitas vezes, parece-me que o (meu) mundo andou para trás. Talvez seja o momento de valorizar e honrar essa luta da minha mãe e de todas as mulheres que se sacrificaram para que hoje tenhamos um mundo um pouquinho mais igualitário. Lutas que tantas vezes achei exageradas e, até, com uma atitude mais de oposição do que de propriamente de construção, mas hoje percebo que para se construir, muitas vezes tem que se destruir primeiro. E vejo o quão importantes foram estes exemplos, para hoje grande parte de nós, mulheres ocidentais, termos o privilégio de vivermos num mundo que está longe de ser igualitário em alguns níveis, mas que está bem mais próximo disso do que há uns anos atrás.

Percebo hoje, para mim, que a forma de eu lutar contra isto é nas mais pequenas coisas do dia-a-dia, começando pela minha própria desconstrução do que é ser homem e mulher e, depois, começar pouco a pouco a ganhar mais respeito e amor por mim, de tal forma que não permita que o outro abuse. É importante que entendamos que as nossas necessidades e limites nunca vão ser impostas pelo outro, são sempre por cada um de nós e esse é um longo caminho de amor próprio que cada um de nós tem a responsabilidade de fazer, sendo homem ou mulher, para que se sinta sempre amado e respeitado. O amor e o respeito começa em cada um de nós.



E quanto aos homens? Como terá sido o percurso deles? Uma vidinha fácil, enquanto seres dominantes, certo?

Pois, aqui é que entra a minha mais recente descoberta. Sair da minha perspetiva de vítima e entrar na perspetiva do outro.

Ouvimos falar em emancipação da mulher, em programas de empoderamento para as mulheres, em círculos de mulheres... E para os homens? Nada, eles até estão demasiado empoderados, não é?

Pois não foi essa a perceção que recebi destes e de outros homens com quem tenho tido o privilégio de contactar nos últimos anos. Homens que também não querem o patriarcado, mas que sofrem na pele as assunções que nós, mulheres, que apesar de já não querermos o patriarcado, ainda o vivemos no nosso corpo e nas nossas células e que, por isso, os abandonados antes de sermos abandonadas, os rejeitamos antes de sermos rejeitadas e que tantas e tantas vezes nos recusamos receber e entregar com medo de não conseguirmos impor limites, nos perdermos e sermos magoadas. Isso é uma faca espetada ao coração de um homem, que porque sangra silenciosamente (lembrem-se “os homens não choram”) não dói menos.

Já existe muita consciência do que é preciso para respeitar uma mulher, de como a abordar com respeito e amor, mas ainda se sabe muito pouco do que um homem precisa para ser tocado no seu coração. Eles próprios estão ainda a descobrir, depois de tantos anos a negarem as suas próprias emoções, porque “homem não chora”, “homem é duro”, “homem aguenta tudo”.


Tenho vindo a descobrir que este é um tema extremamente sensível, que gera imensa dor e raiva. Nas mulheres em forma de gritos de raiva e nos homens em forma de mágoa silenciosa. Cada um reage à sua maneira, em igual sofrimento.

Como a nossa querida Alexandra Carmo lembrou no nosso círculo de mulheres, o masculino perdeu a conexão ao seu coração, às suas emoções, e o feminino perdeu conexão ao seu poder pessoal, a nossa voz. Foi uma forma de sobrevivência, uma adaptação aos tempos que vivemos.
Eles têm um trauma no coração e nós no útero, onde guardamos tantas emoções de abuso ao longo de tantas e tantas gerações...

Assumir o nosso papel de responsabilidade, o nosso poder e sair do papel de vítima é muito importante, porque quem alimenta uma relação vítima - abusador está na mesma energia, porque se estivesse em amor não ficava.

Depois de todas estas mulheres que foram à nossa frente lutar por todas nós, começa a chegar o momento de nos unirmos. Não foi o "Joaquim" nem o "Manel" que nos magoou. Foram as memórias dos antepassados do "Joaquim" e do "Manel". O "Joaquim" e o "Manel" estão em sofrimento tal como nós que fomos magoadas. Ele cumpriram um legado de dominar e nós cumprimos um legado de sermos dominadas e maltratadas, tal como os nossos antepassados também o fizeram.

Chegou o momento de nos juntarmos, homens e mulheres, na construção de um novo paradigma, uma nova forma de nos relacionarmos!

Para trabalhar estes temas recomendo o trabalho do Rui Estrela e os retiros do José Pinto, do Raiz do Homem, onde se pode perceber melhor a complexidade deste tema e, inclusivamente, vivenciar rituais de perdão, que nos podem ajudar imenso no nosso processo de cura.


O poder dos rituais

Outra coisa que tenho vindo a descobrir é o poder que os rituais têm na nossa vida. Sejam os rituais que nos iniciam em alguma coisa (um casamento, por exemplo), sejam os que nos ajudam a terminar ciclos (um funeral, por exemplo). 
Eles ajudam-nos de facto a marcar um momento de mudança na nossa vida. Ajudam-nos a despedirmo-nos de quem temos que nos despedir, de largar o que precisamos de largar e de acolhermos o novo.

Infelizmente muitas destas tradições foram perdendo lugar na nossa vida atarefada, tornando a nossa vida também muitas vezes tão confusa.

Apercebo-me agora que ritualizar tudo o que são insights e passos importantes na nossa vida é importante. Não há uma forma correta para se ritualizar nada, cada um tem a sua forma de ritualizar e de integrar experiências, mas é importante marcar, para que no nosso mindset também haja uma resposta mais integrada à realidade que vivemos no presente e às mudanças que vamos consumando na nossa vida.

Ritualizar os começos, mas também os fins de ciclo

Noto também que o início de algo parece ser sempre um motivo de festa e no fecho dos ciclos focamo-nos na perda como algo negativo. Ritualizar um divórcio pode ser tão importante quanto ritualizar uma morte com um funeral. O intuito é o mesmo: de celebrar e honrar os momentos que passámos juntos e pedir paz para o nosso caminho e o caminho do outro.

Neste retiro usamos um círculo de fogo para largarmos tudo aquilo que já não precisamos nas nossas vidas nem no mundo, dançamos as danças da paz e voltamos ao fogo para lhe pedir o resgate da nova versão de nós.
Quem olha de fora, ou quem lê estas palavras fora do contexto pode achar ridículo, mas digo-vos, a nossa mente cria tudo, mesmo tudo à nossa volta. Cria histórias sobre a nossa vida, sobre a vida dos outros, cria doenças e gera sensações incríveis no nosso corpo,...
A nossa mente cria tudo! Por isso parece-me inteligente usá-la a nosso favor para marcarmos momentos de mudança na nossa vida, para ressignificarmos histórias do passado e construirmos o nosso futuro.


Então e “Como é que se vive depois desta experiência?”

Uma pergunta que me fez alguém que foi a um retiro pela primeira vez e que me deixou muito a pensar.

A minha primeira reação foi reviver a magia que senti a minha primeira vez que estive em retiro. Wow! Foi mesmo uma descoberta maravilhosa! O mundo tinha que saber que isto existe! Tanto amor, tanta conexão e tudo o resto perde valor na nossa vida.

E logo a seguir veio tristeza. Já não sinto esse sentimento maravilhoso da novidade, que nos assalta. Sabem aquela sensação de quando descobrimos o sentimento de estarmos apaixonados pela primeira vez? É maravilhoso…
E a seguir o julgamento de que se não sinto isso se calhar há algo de errado em mim.

Mas não, não há nada de errado. Na verdade, o meu lugar neste sistema mudou. Já participei em vários retiros e já ajudei muitas pessoas a organizarem e facilitarem retiros. O meu olho crítico está muito lá e a minha visão já não é de uma mera participante. E, na verdade, quero muito iniciar-me nesta jornada de criar as minhas próprias experiências e de entregar mais daquilo o que tenho vindo a aprender.
Está na hora de voar, borboleta... 🦋


Círculos do Despertar  

Então o meu grito final deste retiro foi partilhar com o grupo que sou suficiente e estou suficientemente preparada e pronta para dar este passo, que na verdade já aconteceu com os círculos do despertar que já comecei a organizar desde o início deste ano, e que só estava mesmo a faltar anunciar ao mundo este meu novo lugar.

Depois de receber tantos ensinamentos e tanta inspiração, chegou o momento de eu ser também veículo de inspiração e de ajudar outras pessoas no seu processo de autodescoberta.

Já está disponível na internet mais informação sobre estes círculos e sobre as minhas propostas, por isso se tens interesse recomendo-te a leres o artigo Raquel Círculos do Despertar e a preencheres os teus dados no Formulário de Inscrição Círculo caso queiras participar num dos círculos.

E assim sigo, em mais um voo na minha vida. Sempre acompanhada do meu querido medo, mas vamos com tudo, mesmo com medo! 🙏


Agradecimentos  

Grata ao José Pinto do Raiz do Homem, à maravilhosa equipa de facilitadores, da cozinha, ao Alexandre que amavelmente nos acolheu no seu espaço, a todos os participantes, e ao querido Luís Ferreira, que fez esta excelente reportagem fotográfica. Todas as fotografias que partilho neste artigo foram tiradas por ele 🙏



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Cada vez mais me identifico com práticas vivenciais e de trabalho com o corpo, ao invés de racionalizar e de trazer à mente o nosso próprio processo. E foi precisamente nessas atividades que consegui encontrar o meu fio condutor e entregar-me a esta experiência de retiro.

Sobre este tema da importância do trabalho com o corpo para fazermos reais mudanças na nossa vida, convido-te a leres o meu artigo Retiro Vivencial: Trabalho Mente vs. Corpo.

Partilho contigo um dos artigos mais autênticos e vulneráveis que escrevi no meu blogue, sobre o retiro transformador em que participei, no âmbito da formação de Facilitadores do Despertar:

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Beijinhos e abraços!

Encontramo-nos na próxima história de desenvolvimento pessoal 😉

Raquel
Digital Nomad, Blogger, Traveller, House & Pet Sitter

agosto 05, 2022

Felizes são os que se permitem perder-se

Nas minhas conversas de círculo ouço muitas vezes a frase "estou perdido(a)". E eu penso "mais uma voltinha na roleta!"Não há muito tempo voltei a sentir-me novamente perdida e a reviver este "estado líquido" em mim.

A sensação de se estar perdido pode ser muito desconfortável e pode perdurar meses ou anos. É frequente ouvirmos críticas e sugestões do que deveríamos fazer, mas o que mais nos custa são mesmo as críticas que fazemos a nós próprios. De acharmos que já deveríamos saber o que queremos para nós e para onde irmos, em cada etapa da nossa vida.

Desanimamos porque nos esquecemos que estarmos perdidos é um convite para irmos à procura de novas respostas e de nos reinventarmos. De construirmos uma nova versão de nós ainda mais alinhada com a nossa essência. E essa é a maior beleza da vida! É usarmos esse momento de ruptura com aquilo que conhecemos e essa liberdade que isso nos traz, para nos tornarmos no que nós nos quisermos tornar!

Posso dizer que quem nunca se sentiu perdido, nunca se encontrou verdadeiramente. Porque é o do caos que vem a ordem, assim como é na sombra que se vê a luz. Não há outra forma de chegar lá.
Felizes são os que se permitem perder-se 🧡


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Raquel
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agosto 01, 2022

Como passar à prática o que já sei na consciência?

Mas por que é tão difícil fazer diferente, mesmo depois de termos a consciência? 
Ter consciência do que nos acontece, porque acontece e o que podemos fazer em relação é um excelente primeiro passo! Mas não podemos esperar que a partir do momento em que tomamos a consciência as coisas vão mudar. Não, isso não vai acontecer assim, só porque já sabemos a razão de reagirmos de determinada forma e até já sabermos como deveríamos fazer. A mente sabe, mas o coração ainda não sente e o corpo não expressa.

Então, alguém perguntava no Retiro do Sagrado Feminino e Masculino, como fazemos para passarmos à prática aquilo que na consciência já sabemos?
Ah! Ah! Esta é a one million dollar question!
Esta é que é a grande viagem... É cada um descobrir dentro de si o que o faz estar presente e ligar-se ao seu coração. E praticar, praticar, praticar.

O desenvolvimento pessoal talvez seja a única medicina que não usa prescrições...
Demora, porque é uma prática em que cada um de nós aprende a ser o seu próprio curandeiro. As respostas estão todas cá dentro, só precisamos de veículos que nos ajudem a facilitar o acesso.


As minhas práticas

A mim ajuda-me muito escrever diariamente, ouvir música que me inspire, caminhar, conectar-me com a natureza e o trabalho de consciência e expressão corporal. Mais recentemente descobri o poder do trabalho sistémico e do breathwork, a respiração ativa. A meditação ajuda muito a centrar-me, mas nem sempre tenho paciência para uma meditação estática 😅

E depois é ir explorando novos caminhos alternativos, de cura. Lendo, aprendendo, estando atento aos nossos sinais, e ir experimentando agir diferente, começando pelos contextos onde nos sentimos mais seguros. Infelizmente não viemos com manual de instruções...

Há milhares de coisas que nos podem ajudar a conectar com o nosso coração, mas seja qual for a nossa escolha, o importante é a prática consistente, para que nos sintamos conectados e presentes. Não estar no automatismo do dia-a-dia. Permitirmo-nos sentir o vazio que tantas vezes sentimos. Ir lá, escarafunchar, chorar tudo o que temos a chorar, perdoar quem sentimos que nos feriu, mas sobretudo perdoarmo-nos a nós próprios, as nossas imperfeições.


A nossa responsabilidade individual

Cada um de nós é responsável por fazer a longa caminhada de descobrir o que para si funciona. E o que funciona hoje pode já não funcionar amanhã. É uma eterna jornada de olhar para dentro naquilo que o mundo de fora nos vai refletindo sobre nós mesmos...


Agradecimentos

Grata pela foto tirada pelo Luís Ferreira, e pela inspiração que o retiro Raiz do Homem me deu para escrever este artigo 🙏



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Sobre este tema recomendo-te explorares mais o trabalho vivencial, com o corpo. Podes ler o meu artigo sobre o Trabalho Vivencial Mente vs. Corpo

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julho 29, 2022

Retiro Vivencial: Trabalho Mente vs. Corpo

Cada vez mais me identifico com práticas vivenciais e de trabalho com o corpo, ao invés de racionalizar e de trazer à mente o nosso próprio processo.
Eu fiz psicanálise durante cerca de 5 anos e foi extremamente importante para mim trazer à consciência o meu processo de uma forma mais analítica, numa fase inicial do meu despertar. Mas agora noto que o trabalho com o corpo começa a ser a forma mais fácil para mim de interagir e de me entregar ao trabalho de desenvolvimento pessoal.

No mundo da mente temos muitas resistências vivas, muitas vozes e julgamentos a acontecerem, sobre nós, sobre os outros, sobre o que deveríamos ser ou fazer, sobre o que deveria ser o mundo. Muitas teorias e pouca compreensão e entrega sobre o que verdadeiramente somos e estamos aqui a fazer.

Para além disso, o trabalho vivencial permite, em contexto de grupo, que cada um de nós trabalhe no ponto de desenvolvimento em que se encontra e não precisa que estejamos todos no mesmo nível de prática ou de conhecimento. Cada um faz a sua própria viagem e chega aonde tem que chegar, em função do ponto em que se encontra em cada momento da sua vida.


Racional vs. Coração

Vivemos num mundo onde o que é racional e lógico se tornou na resposta certa e, muitas vezes, na única resposta que existe e isso origina tantos conflitos dentro de nós! Porque nós não somos só isso e no meio de toda a frustração e sofrimento no mundo podemos constatar o poder que o nosso coração tem de se exprimir, mesmo quando não é ouvido. É como uma criança que começa por chorar baixinho. Primeiro com um desconforto que começa pequeno, mas que se insistirmos em não ouvir pode-se tornar numa gritaria e mesmo em pânico. E que, mais tarde, nos pode levar mesmo a decidir terminar com a nossa própria vida.

Como dizia o José Pinto do Raíz do Homem, “nós somos uma floresta , não somos uma monocultura” e não há como não expressar todas as partes de nós.

Quando vamos perceber que o nosso coração, as nossas emoções fazem uma parte de nós tão ou mais importante que a nossa mente? Quando vamos aprender a dar-lhe valor?
Quando vamos poder olhar para nós como seres completos, com diversas partes, que juntas, têm tudo, absolutamente tudo o que precisamos para sermos felizes?

E é aí, nesse preciso momento, que vamos poder olhar o outro também como fazendo parte de nós, terminando a competição e a guerra.
Quando conseguirmos olhar com amor todas as partes de nós, as que mais e menos gostamos em nós, estaremos prontos para olhar o mundo com esse mesmo Amor, esse Respeita e essa Compaixão.

A maior viagem é sempre para dentro. É ela que vai transformar o mundo à nossa volta.



Agradecimentos

Grata pela foto tirada pelo Luís Ferreira, e pela inspiração que o retiro Raiz do Homem me deu para escrever este artigo 🙏


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Raquel
Digital Nomad, Blogger, Traveller, House & Pet Sitter

julho 27, 2022

Precisamos de ouvir mais o nosso coração

Vivemos num mundo onde o que é racional e lógico se tornou na resposta certa e, muitas vezes, na única resposta que existe, e isso origina tantos conflitos dentro de nós!
Porque nós não somos só isso e no meio de toda a frustração e sofrimento no mundo podemos constatar o poder que o nosso coração tem de se exprimir, mesmo quando não é ouvido.

É como uma criança que começa por chorar baixinho. Primeiro com um desconforto que começa pequeno, mas que se insistirmos em não ouvir pode-se tornar numa gritaria e mesmo em pânico. E que, mais tarde, nos pode levar mesmo a decidir terminar com a nossa própria vida.

Como dizia o José do Raíz do Homem, "nós somos uma floresta, não somos uma monocultura" e não há como não expressar todas as partes de nós.

Quando vamos perceber que o nosso coração, as nossas emoções fazem uma parte de nós tão ou mais importante que a nossa mente?
Quando vamos aprender a dar-lhe valor?
Quando vamos poder olhar para nós como seres completos, com diversas partes, que juntas, têm tudo, absolutamente tudo, o que precisamos para sermos felizes?

E é aí, nesse preciso momento, que vamos poder olhar o outro também como fazendo parte de nós, terminando a competição e a guerra.
Quando conseguirmos olhar com amor todas as partes de nós, as que mais e menos gostamos em nós, estaremos prontos para olhar o mundo com esse mesmo Amor, Respeito e Compaixão.

A maior viagem é sempre para dentro. É ela que vai transformar o mundo à nossa volta...

julho 13, 2022

O meu novo Projeto: Círculos do Despertar

Olá e bem-vindo(a) aos Círculos do Despertar! 

Escrevo-te para partilhar contigo que estou a organizar Círculos do Despertar online e presencialmente.
Podes inscrever-te nesses Círculos aqui

Esta atividade vem na sequência da minha prévia experiência com círculos de mulheres e agora também de um curso de 4 meses imensamente transformador que fiz com a Inês Gaya, com o objetivo de apoiar outras pessoas no seu caminho de autodescoberta e de despertar, a conectarem-se com a sua essência, rumo a uma vida consciente e com propósito.
Uma formação que me inspirou e me preparou para organizar, conduzir e facilitar retiros e círculos de partilha e de cura em grupo.

Abaixo explico-te mais detalhadamente esta formação e partilho contigo esta viagem interior que tenho vindo a fazer. Mas antes disso deixa-me dizer-te o que é para mim o Círculo do Despertar.



Neste artigo vou partilhar:

  1. O que é um Círculo do Despertar?
  2. Como os Círculos vieram parar à minha vida?
  3. Facilitadora do Despertar pelo Método Gaya
    - Formação de Facilitadores do Despertar
    - Comunidade Mulheres em Transição
    - O que me apaixona neste modelo e neste trabalho
  4. Círculos do Despertar: Inscrição

O que é um Círculo do Despertar?

Há muitas formas de fazer um Círculo e essa é uma das coisas que mais me apaixona neste mundo vasto. Cada um pode trazer a panóplia de influências de projetos e experiências que teve e criar um círculo verdadeiramente único, com o seu próprio mix!

Os Círculos podem estar centrados em temas muito diversos, desde questões ligadas ao desenvolvimento pessoal duma forma geral, à raça, género, ecologia, tradições, ao conflito, abuso sexual, histórias de resiliência, justiça... E podem ter, ou não, um cariz espiritual.
Podem ser utilizados em variados contextos, desde escolas, comunidades, organizações, prisões...
Podes ler mais sobre alguns tipos de círculos que existem na página Circle Ways - Ways of Council.

Mas há algumas características comuns, que deverão estar presentes em qualquer Círculo.

O Círculo do Despertar é um espaço seguro de descoberta, onde podemos praticar a comunicação autêntica e escuta ativa. Neste espaço podemos partilhar experiências, aprender mais sobre nós e sobre o outro, desde um olhar empático, de igualdade e liberdade de ser.
É um lugar onde podemos ver exatamente como somos e evoluirmos juntos, encontrando novas formas de estar, de viver, de sentir, de escutar, de amar.
A prática de Círculo cria uma conexão profunda, o que é em si um recurso de resiliência, e permite que possamos reconhecer que, apesar das nossas diferenças, temos muito em comum.
O Círculo do Despertar é, assim, uma mandala viva, que representa o espelho que somos uns dos outros nesta teia invisível que nos une.

Podes ler mais sobre o que é um Círculo no artigo What is Council?, mas o conceito é melhor percebido na prática, participando num Círculo. Vem daí!


Como os Círculos vieram parar à minha vida?

Em Setembro de 2014 eu estava em círculo, à volta de uma fogueira, a celebrar o equinócio de outono, numa ecocomunidade no sul de Portugal.
Recebi um telefonema que veio com uma má notícia. A minha mãe tinha acabado de entrar no hospital, tendo falecido umas horas depois.
Não havia espaço mais seguro e acolhedor para receber aquela notícia. Eu sentia-me em casa, rodeada de amor. E a essa casa retornei no ano seguinte, com uma grande mudança na minha vida, com o objetivo de viver em comunidade.
Desde então desenvolvi uma ligação muito profunda a este lugar sagrado, os Círculos. É ali onde partilhamos as nossas vitórias, as nossas derrotas e nos suportamos e apoiamos incondicionalmente. Porque ali vemos perfeitamente que somos todos feitos do mesmo.

Regressada ao Porto, em Janeiro de 2016, comecei a organizar círculos de mulheres entre amigas e amigas de amigas e hoje facilito um grupo de mulheres, que se apoiam mutuamente nas suas transições de vida.



Facilitadora do Despertar pelo Método Gaya

Formação de Facilitadores do Despertar

No início de 2022 sentia-me novamente num processo de transição de vida e comecei a sentir a necessidade de criar comunidade e reunir pessoas que estivessem a viver o mesmo processo que eu. Sozinha o caminho é bem mais difícil e eu sei da força que tenho cá dentro, estes grupos lembram-me disso, estas pessoas que vou encontrando no meu caminho, como tu, lembram-me disso. E por mim, e por nós, senti que não podia fazer este caminho sozinha.

Comunidade Mulheres em Transição

Foi aí que criei uma comunidade chamada "Mulheres em Transição" e me inscrevi no Curso Gaya Circle - Facilitadores do Despertar da Inês Gaya, para me ajudar a facilitar este grupo com mais qualidade.

Se por um lado eu procuro luz neste meu caminho de consciência e de evolução, ao mesmo tempo dou-me conta de que também sou luz e referência para outras pessoas, pelo meu exemplo de busca por uma vida com propósito. E é nesta dinâmica de troca que todos conseguimos ir mais longe.

O que me apaixona neste modelo e neste trabalho

O que mais me apaixona neste modelo é poder ir trazendo o trabalho de desenvolvimento pessoal que vou fazendo em mim, as experiências que vou tendo e influência dos projetos e pessoas que vou conhecendo, para que possam servir a mais pessoas. Poder trazer a criatividade, as paixões, a minha missão e propósito para um contexto de grupo, que por si só é uma grande fonte de poder e de cura.

Método Gaya: "Só conseguimos levar alguém aonde nós já fomos"

Este método ressoou logo muito comigo pelo facto de se focar, primeiramente, na nossa transformação pessoal. Só conseguimos, de facto, levar alguém aonde nós já fomos, e por isso esta formação é, em primeira instância, uma grande viagem de desenvolvimento pessoal para nós, enquanto facilitadores.
Este método utiliza muito os rituais, a conexão com a natureza, a dança, a música, o trabalho com o corpo e a respiração, meditações ativas com mensagens fortes e impactantes que falam diretamente ao nosso coração, ao invés de analisarmos e de racionalizarmos o nosso processo de mudança. Não descurando essa parte mais analítica, que é importante, tenho percebido que por mais que entendamos a razão que nos leva a ter determinados pensamentos e comportamentos, se o nosso coração e as nossas emoções não estiverem alinhadas nesse mesmo sentido, não vamos conseguir uma mudança efetiva na nossa vida.

A criatividade: integração de paixões, vocações, da missão e propósito
É um trabalho maravilhoso, que imediatamente me apaixonou, porque utiliza uma grande diversidade de ferramentas e apela ao meu lado mais criativo, permitindo-me integrar muitas das minhas paixões e vocações, como a música, a dança, a escrita criativa, a expressão corporal, trazendo a minha necessidade de partilha, de criação de comunidades, de entrega, de amor, de acolher e cuidar...
É um trabalho onde me posso explorar a mim mesma e recriar-me a cada experiência, de cumprir o meu propósito maior, que é ser Amor.

Tribo: O poder da comunidade
E é tão importante termos à nossa volta pessoas que estão a fazer a mesma caminhada que nós e que nos retroalimentam e inspiram! Estar ligada a esta Tribo é fundamental para me sentir conectada com o meu lado inspirador e criativo!
A comunidade tem um dos maiores poderes milenares, que nos fomos esquecendo, enquanto sociedade. Está na hora de o resgatar, para que nos possamos unir e criar o mundo que queremos ver dentro de nós e à nossa volta.



🫶 Círculos do Despertar: Inscrição

Este é o lugar dos que escolhem seguir o coração, rumo à autodescoberta e ao encontro consigo mesmos, rumo a uma vida com propósito ❤️

🦋 Queres vir fazer este trabalho em Círculo?
Se te quiseres inscrever num próximo Círculo que eu organize, por favor preenche os teus dados no Formulário de Inscrição para Círculo do Despertar.

Estou feliz por te ter no nosso próximo círculo, por te ver, escutar e sentir-te!
Que juntos possamos voar mais alto 🙏



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Raquel
Digital Nomad, Blogger, Traveller, House & Pet Sitter

julho 08, 2022

Retiro Morrer para Renascer, com Inês Gaya

Retiro Inês Gaya - Gaya Circle 2022

Olá, bem-vindos! Escrevi este artigo para partilhar a minha experiência como participante num retiro de 3 dias da Inês Gaya, cujo tema foi centrado no processo de morte e de renascimento, de cada vez que queremos largar algumas partes de nós, para abraçarmos o novo, novas versões de nós mesmos. 
Basicamente, a Morte e o Renascimento significam aqui um Processo de Transição Interior e eventualmente de Mudança de Vida.

Este retiro aconteceu na maravilhosa Quinta Carvalhas e foi exclusivo para alunos do Gaya Circle - Facilitadores do Despertar, uma formação que tenho estado a fazer para me ajudar a organizar, conduzir e facilitar retiros e círculos de partilha e de cura em grupo.
Este retiro aconteceu no quarto mês da nossa formação de Facilitadores do Despertar e foi um culminar de toda a transformação que temos vindo a fazer ao longo destes meses.


Círculos do Despertar

Se quiseres saber mais sobre esta formação, recomendo-te leres o artigo Raquel Círculos do Despertar e se te quiseres inscrever num próximo círculo que eu organize, por favor preenche os teus dados no Formulário de Inscrição para Círculo do Despertar.



Neste artigo vou partilhar:

  1. O Tema do Retiro: Morrer para Renascer
  2. A Viagem e os meus Insights
    - O que aprendi com esta experiência
    - Então o que preciso de deixar morrer e de libertar?
    - É fácil acusar um projeto ou uma pessoa da nossa "morte"
    - A morte não é necessariamente um lugar de medo e de dor
    - Precisamos de nos render para crescer
  3. Conclusão e Agradecimentos


1. O Tema do Retiro: Morrer para Renascer

Só quando chegámos ao retiro é que ficámos a saber que o tema era sobre a Morte e Renascimento, e não podia ser mais ajustado à realidade de transformação que temos vindo a fazer. Era mesmo necessário largar algumas partes de nós, para acolhermos a mudança e novas versões de nós mesmos. E não podia estar mais alinhado com o tema que mais me apaixona na vida: a Transição Interior, a Mudança de Vida.


O Método Gaya

O Método da Inês Gaya utiliza como base a premissa de que "só conseguimos levar alguém aonde nós próprios já fomos". Ou seja, podemos ter muito conhecimento sobre um tema, mas só conseguimos converter esse conhecimento em sabedoria quando realmente experimentamos e vivenciamos na nossa pele o processo de transformação inerente.

Por esta razão, é um método onde, antes de tudo, somos convidados a viver uma intensa jornada de transformação pessoal, e é com base nessa vivência que poderemos vir acompanhar e facilitar a jornada de transformação de outras pessoas.

Este método utiliza muito os rituais, com mensagens fortes e impactantes que falam diretamente ao nosso coração, ao invés de analisarmos e de racionalizarmos o nosso processo de mudança interior. Não descurando essa parte mais analítica, que é importante, tenho percebido que por mais que entendamos a razão que nos leva a ter determinados pensamentos e comportamentos, se o nosso coração e as nossas emoções não estiverem alinhadas nesse mesmo sentido, não vamos conseguir uma mudança efetiva na nossa vida.

Este retiro focou-se exatamente neste processo de morte de nós mesmos, para o renascimento de uma nova versão de nós, utilizando experiências muito variadas, desde rituais, música, expressão corporal, trabalho de respiração, constelações, meditações guiadas, momentos de partilha, entre outras.



2. A (minha) Viagem e os meus Insights


O que aprendi com esta experiência

Antes de tudo, gostava de deixar aqui claro que toda esta partilha vem do meu próprio olhar e experiência neste retiro, que será necessariamente diferente de qualquer outra pessoa que tenha participado na mesma experiência.
Convido-te assim, a entrares pela porta do meu olhar e a veres o mundo à minha maneira 👀💞


Honrar os nossos antepassados

Como não há nova versão de nós mesmos sem olhar e honrar a nossa versão anterior e os nossos antepassados, começámos por trazer ao círculo a presença dos nossos pais, dos nossos avós e bisavós, que de alguma forma estão muito presentes na vida que temos hoje. Pelas suas histórias, projetos sonhados e interrompidos, que nos trazem tantos padrões que adotamos como nossos, quando na verdade foram-nos apenas passados. Cada um de nós tem o poder de escolher, conscientemente, o que quer e não quer levar consigo para o seu caminho. Como peregrina, trago muitas vezes a analogia da minha experiência de fazer os Caminhos de Santiago. É uma revisão "da nossa mochila" que podemos fazer de tempos em tempos, tal como quando fazemos uma arrumação geral da nossa casa de vez em quando.
Fizemos um ritual de perdão aos nossos antepassados, onde de alguma forma me consegui conectar com a minha mãe, que faleceu há 8 anos, e fazer de novo uma despedida amorosa.


Honrar o masculino e o feminino

Neste processo de perdão incluímos também um ritual de perdão ao masculino e feminino. 
Nunca fui muito ligada às causas da igualdade de género e sempre achei a minha família muito emancipada, não sentindo muito na pele essas desigualdades. Mas agora enquanto adulta tenho uma visão diferente. Às vezes são questões tão subtis que nos foram passadas, que nem damos conta.

É difícil resistir a essa arrogância que nós, mulheres, muitas vezes temos para com os homens. Uma reação que veio, claro, pela repressão que sofremos nas gerações passadas, e que agora queremos mostrar que somos fortes e que não precisamos deles para nada.
Lembro-me que durante vários anos, o meu desporto favorito era ganhar corridas de karts aos homens. Quando eu tirava o capacete e viam que tinha sido uma mulher a ganhar a corrida, eu ficava cá com um ego inchado! Até que houve um dia que um homem me venceu: o Daniel, hoje meu companheiro de vida 😄💖

Eles também trazem muita carga em cima, de uma figura que tem que revelar poder e força quanto baste, sem ser em demasia, senão rapidamente passam por "broncos machistas". "Homem não chora", "Homem não pode mostrar as suas fragilidades, senão não é homem"...
Compreender a necessidade de empoderamento das mulheres de hoje, é compreender a necessidade de vulnerabilidade dos homens.

Muitas feridas e mal entendidos se vêem nas relações de hoje, que vêm de tantas crenças que temos! Que não são nossas... E que representam os desequilíbrios que vivemos dentro de nós mesmos, entre a vontade de dar e o merecimento de receber, entre a vontade de conduzir e controlar e a maravilha que é entregar-me e vulnerabilizar-me!...
Dentro de cada um de nós existe um homem e uma mulher, que esperam ser vistos, respeitados e amados por nós mesmos. 

Confesso que nunca me dediquei muito a este tema, mas acho-o fascinante e por isso ainda este mês vou participar num retiro só dedicado ao tema do Sagrado Masculino e Feminino.


Honrar o dar e o receber

Durante os exercícios notei em mim dificuldade em receber. Um desconforto. Para mim é muito mais natural e confortável dar e fazer acontecer. Como eu costumo dizer, "se ficar a dormir não acontece nada".
Isto é bonito de se dizer, fica bem, mas é apenas para fora. Cá dentro gostaria bem mais de estar num lugar em que aceito que posso receber, que mereço esse carinho e esse cuidado e desfrutar, sem culpa e sem comparações. Às vezes isso é possível, outras vezes não. A seu tempo, no caminho para esse equilíbrio...

Vi neste exercício como equilibrar estas energias do masculino e do feminino pode ser tão importante dentro de cada um de nós.


Então o que preciso de deixar morrer e de libertar?

Num primeiro momento do nosso processo de morte, foi-nos questionado o que é que cada um de nós precisava de libertar e eu senti que é uma parte da vida que construí nos últimos 8 anos. Uma vida que construí com muita liberdade, muito amor e em consciência, que me fez muito sentido durante vários anos, mas que agora precisa de ser transformada em algo diferente. Abre-se uma nova fase de exploração e uma vontade de experimentar novas versões de mim.

E estou feliz por poder partilhá-las contigo, por te levar comigo neste meu voo de transformação!
Começando por anunciar o meu novo projeto: Círculos do Despertar, que consiste em facilitar o processo de despertar e de transformação de outras pessoas.
Foi escrito depois de terminado este retiro, num verdadeiro acto de renascimento 💖


É fácil acusar um projeto ou uma pessoa dessa nossa "morte"

Dei conta que nestes períodos de mudança interior é muito fácil acusar um projeto ou uma pessoa dessa nossa "morte". É o trabalho que já não nos motiva, é a relação amorosa, é o projeto onde estamos envolvidos, ... E pensamos que se sairmos desse trabalho, dessa relação, desse projeto, ou que se nos sair o Euromilhões vamos ficar com os nossos problemas resolvidos.
Mas essa parte terrena é apenas uma cara, uma representação material que nos liga àquela experiência. Na verdade, o que queremos mudar é a nossa presença nesses contextos. É a forma como estamos e como lidamos connosco e com os outros. Queremos uma nova versão de nós, e é bem difícil fazê-lo, porque a dinâmica tem uma força tal, que já se faz automaticamente sozinha, e se queremos fazer diferente, sabemos que vai ser um caminho exigente e que vai ser para toda a vida. Mas que vai ser altamente compensador e único, porque é o caminho da nossa verdade!


A morte não é necessariamente um lugar de medo e de dor

Neste retiro pude lembrar-me que a morte e os períodos de transição de vida não têm que ser vividos com sofrimento. A minha mãe tinha-me ensinado isso quando teve uma experiência de quase morte, em que sentiu uma paz imensa. O pior, disse-me ela na altura, foi o regressar à vida, com as dores no corpo que tinha.

Os nossos processos de transição de vida poderiam ser muito mais prazerosos se nos víssemos merecedores da nossa própria evolução, se pacificamente aceitássemos o medo que todos sentimos do que podemos perder quando damos um salto e arriscamos no escuro. Na verdade, só morre em nós aquilo que já não nos faz falta. E do outro lado desse salto só conseguimos encontrar aquilo que verdadeiramente somos, a nossa Essência, o Amor.

Por experiência própria deste processo de transição de vida, posso dizer-vos que depois desse salto vem um sentimento de alívio, de paz e de completude. Eu sinto-me feliz e completa só pelo facto de existir, sem fazer mais nada. Estar comigo é suficiente e nada mais importa. 

E chorei, chorei muito ao reconhecer esta sensação de completude em mim, porque passo a maior parte do tempo a querer ser mais, a ter que fazer muito para me sentir produtiva, com valor, para ser amada e reconhecida. Para existir...
E de repente, puf! Está tudo cá dentro de nós! Nós somos e temos tudo o que precisamos e esquecemo-nos tantas e tantas vezes disso...

E é nesse preciso momento que a pequena borboleta solta as suas amarras e está pronta para sair do seu casulo e voar! 🦋

Tudo se trata de fé, de confiar na vida, de confiar que a vida é amor, mesmo quando sofremos. Porque a dor traz evolução, traz luz, traz novas versões de nós, traz coisas que nunca imaginávamos vir a viver e sentir. A dor pode trazer realmente magia na nossa vida, se nos permitirmos viver a experiência com o nosso coração aberto.
Há uma frase da Maria Gorjão Henriques que gosto muito: "a dor é inerente à nossa condição humana, todos sentimos dor, mas convertê-la em sofrimento é uma escolha nossa". E eu acrescentaria aqui a frase da Inês Gaya: "transformar a dor em dom". 
Então esta é a nossa escolha, todos os dias, de transformar a dor em sabedoria e em dom.

Escrevo isto, para que me possa também lembrar nos momentos em que me esqueço e me deixo levar pelo sofrimento.

Ter dor é estar vivo e uma vida em que nos sentimos vivos é uma vida com uma paleta completa, com todas as cores. É uma vida rica!



Precisamos de nos render para crescer

O nosso lado masculino está exacerbado, é preciso dar espaço à doçura e à vulnerabilidade.

Apesar de neste texto estar a expor alguma da minha vulnerabilidade, eu cresci também num espaço onde mostrar a minha vulnerabilidade era perigoso, era um sinal de "presa à vista".

Muitas vezes fui gozada, passada por cima, por ter exposto a minha vulnerabilidade. E ainda hoje isso continua a acontecer de vez em quando. A questão é que eu, ao vulnerabilizar-me, estou a permitir-me crescer, e são mais as pessoas que se juntam a mim a vulnerabilizarem-se do que as que se juntam para ridicularizar. Porque eu acredito que a vulnerabilidade, quando vem de um lugar centrado e consciente, baixa as armas. As nossas e as de quem está à nossa volta. E muda o mundo!

Precisamos de nos render para crescer. Render ao que pensamos que a nossa vida e a vida dos outros deveria ser. Não sabemos tudo e não faz mal. É o que não sabemos que nos permite evoluir e sermos melhores. Desfruta desta experiência de aprendizagem, deste não saber, desta curiosidade da vida! Se nos permitirmos, a vida surpreende-nos!

E se estás ainda a ler este texto é porque te identificas, é porque há algo em ti que também se quer vulnerabilizar e sair cá para fora. Não há processo de cura, de libertação sem essa vulnerabilização. É isso o que nos faz crescer e evoluir para outros patamares. É o teu momento de te renderes!
Escreve uma mensagem a quem / ao que te precisas de render e/ou perdoar. Entrega-a a essa pessoa, ou simplesmente guarda-a para ti e queima-a uns dias depois como sinal de transmutação. Este é um pequeno exemplo do poder dos rituais.



3. Conclusão e Agradecimentos


Largar a imagem de guerreira

Senti que uma parte de mim que precisava de largar era a imagem da guerreira, forte, controladora, que gere tudo à minha volta, que faz mexer e acontecer, que aos olhos de muitos parece ter um construído um modelo ideal de vida, mas que na realidade não é, nem pretende ser perfeita. 

Desejo que este texto que escrevo reflita esta permissão de estar num olhar curioso sobre a vida, de estar aberta a uma nova versão de mim, num lugar de curiosidade, libertação e de aceitação do que vier.

Agradecimentos

Como diz o meu amigo Victor Valdemar, que facilita círculos de homens, "este é apenas o início de uma viagem, onde nos iremos cruzar muitas vezes, neste trabalho de espalhar pó de estrelas, brilhos de fadas ou simplesmente agitar e espicaçar consciências adormecidas".
Ou como diz o Pedro Rodrigues, que de forma muito doce cofacilitou esta viagem com a Inês, "gratidão a todos os que formaram este circulo lindo, que transformaram dor em amor, tristeza em alegria, máscaras em verdade, medos em coragem de ser, e por estes dias se permitiram ser em essência."

Sabe bem estar neste processo de autodescoberta convosco, em comunidade. Grata a todos os que participaram nesta intensa jornada e em especial à Inês Gaya e ao Pedro Rodrigues, que conduziram esta grande viagem com muito amor, ajudando a transformar cada lágrima em cura.
Grata ainda ao Pedro pelo registo fotográfico. Todas as fotografias deste artigo foram facultadas por ele 🙏

Grata a ti, por leres as minhas epifanias e grata a mim por tê-las escrito. São, antes de tudo, um exercício de integração e de inspiração para mim 🙏



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Beijinhos e abraços!

Encontramo-nos na próxima história de desenvolvimento pessoal 😉

Raquel
Digital Nomad, Blogger, Traveller, House & Pet Sitter
Raquel Ribeiro. Com tecnologia do Blogger.