sábado, 29 de outubro de 2016

My experience in Equine Assisted Training Portugal


In this video I talk about a team building project with horses, in the center of Portugal, in Tomar, where I did two weeks of volunteering in September 2016.

Sarah's farm at the moment has 8 horses and this project consists of working leadership and communication through these animals. The program is designed for both individuals, families, groups, and businesses.

The Equine Assisted Training course is a course that seeks, above all, to explore ourselves through these animals. It has helped me realize how I work, what is the most natural leadership style for me, how do I respond to frustration.

To learn more about this course, follow the Equine Assisted Training Portugal page.

Eco-hugs and see you in the next sustainable journey ;)




--- Versão Portuguesa ---


Tinha feito uma visita a este projeto em Julho de 2016, quando estive a fazer Housesitting, e nessa altura fiquei logo com muita curiosidade. Passados dois meses regressei para fazer uma experiência de voluntariado de duas semanas.


Esta quinta fica muito próxima de Tomar e tem 8 cavalos, 6 porcos vietnamitas, galinhas, cães e gatos.
A nossa rotina iniciava às 08h00 para alimentar todos os animais e limpar o estrume dos cavalos. Depois juntávamo-nos a beber um chá e o tempo restante, até às 12h00, era para uma atividade na quinta, que todos os dias era diferente. Podia ser limpar uma parte de um terreno e podar árvores, como podia ser transportar e arrumar madeira, fazer alterações na vedação dos cavalos, ou construir um abrigo novo para os porquinhos vietnamitas, o Sid e a Nancy. Confesso que esta última foi a que mais gostei :)

Uma casa 100% feita de material reutilizável :)


Com esta experiência fiquei com excelentes referências de como ser um bom anfitrião neste tipo de modalidade de voluntariado. Gostei imenso de sentir-me sempre acompanhada, num trabalho de equipa, muito bem organizado. Todas as tarefas que executava eram partilhadas por todos.
Estava alojada numa casa de pedra lindíssima, na aldeia, com um quarto só para mim.
Um privilégio a agradecer à Sarah, excelente anfitriã :)

Sarah, a anfitriã e dona da quinta


Uma das coisas que percebi com esta experiência é que trabalhar em equipa é crucial para me sentir motivada. Há tarefas que até precisava de fazer cá em casa, mas ainda não as tinha feito porque sozinha demora tanto, que nem sequer dá vontade de começar… Ali, em pouco tempo, porque éramos muitos, terminavam-se rapidamente as tarefas, e com entusiasmo.

Fiquei também a perceber que preciso de movimento físico. Preciso de despender algumas horas do dia com tarefas instrumentais e físicas. É como ir ao ginásio, mas aproveitando a fazer alguma coisa de útil ao mesmo tempo ;)

E senti-me extremamente bem durante estas 2 semanas. Todas as pessoas eram muito acolhedoras e montar é algo que me é muito familiar e que me transportou à minha adolescência e ao sonho em conjunto que tinha com a minha mãe. Foram duas semanas fortes emocionalmente, mas ao mesmo tempo serenas. Muito de ligação comigo, através de todas aquelas experiências e de toda a envolvência maravilhosa da paisagem do centro de Portugal. É uma zona de facto poderosa…

A preparar para ir passear :)
No passeio com a Maike e a Catherine
Raquel, Sarah, Maike, Catherine


Outra aprendizagem muito curiosa foi a de estar num projeto estrangeiro no meu próprio país. Envolvida, portanto, numa comunidade estrangeira, com os seus costumes e cultura. Foi um verdadeiro "vá para fora cá dentro" ;)

Neste projeto estive com a Sarah e o James, donos da quinta, a Maike e o Peter, que colaboram na quinta e no projeto, e a Catherine, uma voluntária com quem fiquei com uma ligação muito especial.

Sarah, James, Maike


A minha contribuição como voluntária permitiu-me participar no curso Equine Assisted Training. Tinha imensa curiosidade sobre como se poderia trabalhar com estes animais, de forma a fomentar o trabalho de equipa, liderança e comunicação entre as pessoas, famílias e/ou equipas de trabalho.

Um dos exercícios que fizemos foi o clássico guiar e deixar ser-se guiado, extremamente importante para o início de uma jornada de trabalho em equipa!




Conduzir um cavalo pela retaguarda pode ser como conduzir uma equipa ou projeto através desta mesma posição de liderança.
Como existe uma distância maior relativamente à equipa (ou cavalo), a visibilidade aumenta e a perceção de como está a trabalhar é mais clara. Por outro lado, fazer ajustes sobre a sua direção é bem mais complicado. A equipa tem a sua própria força e dinâmica e a nossa posição será mais a de um olhar de fora, propondo pequenos ajustes em direção ao foco.




Conduzir um cavalo sem rédeas e sem qualquer contacto físico é ainda mais difícil. Acima de tudo este exercício exige respeito e confiança: decidimos quando é hora de trabalho e quando é hora de carinho. Esperando que na hora do afeto, o animal sinta a confiança necessária para vir até nós e seguir-nos.





Este curso trata, antes de tudo, de nos explorarmos a nós mesmos, através destes nobres animais. Ajudou-me a perceber como trabalho, qual o estilo de liderança mais natural para mim, como reajo à frustração. E tudo isto num ambiente securizante, com segurança quer ao nível físico, quer emocional de todos: participantes e cavalos.


Outra questão importante para mim foi a forma como os animais são respeitados e amados. Não é suposto que eles façam nada que não seja natural para eles. E se a vontade deles for não cooperar, nós temos que respeitar e lidar com essa frustração. Não é disso que se trata também a vida?

Neste curso não há respostas certas ou erradas. Somos apenas nós e o nosso espelho: o cavalo.


Recomendo vivamente toda a experiência!

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Escola da Ponte, uma escola pública diferente

A Escola da Ponte é uma escola pública, que aborda a Educação de uma forma mais co-participada e co-responsável.

Já tinha ouvido falar há alguns anos nesta escola. Cheguei até a assistir a palestras do Dr. José Pacheco, idealizador e fundador deste projeto, e já estava na minha lista de projetos a visitar há algum tempo.
Aproveitei a juntar-me a um grupo de amigos, e fomos fazer uma visita de estudo.

A Escola da Ponte tem turmas desde o pré-escolar ao 9º ano e mais de 200 alunos inscritos.
O que a diferencia do método de ensino convencional é que ali não existem propriamente aulas, pelo menos da forma como estamos habituados a ver: um professor a falar e os alunos a ouvirem. Ali são os alunos que definem o seu plano de trabalho. E como?
De 15 em 15 dias, cada aluno faz o seu plano quinzenal de trabalho com o tutor (é um professor que ele escolhe para o acompanhar durante o ano letivo). Este plano também depende do plano curricular do Ministério da Educação, pois trata-se de uma escola pública. Mas a matéria é desdobrada em pequenos objetivos, que são incluídos neste plano quinzenal.
A partir daqui, cada aluno faz o seu plano semanal e diário. O conceito de aula não existe, mas existe sim um espaço de partilha entre os alunos, em mesas redondas. Os grupos de trabalho são heterogéneos, escolhidos pelos alunos e validados pelos professores e o objetivo é que os alunos possam ajudar-se mutuamente em matérias diferentes, ao longo do dia. Não conseguindo obter ajuda de um colega, o professor está disponível na sala e pode ser solicitado a qualquer momento. No final do dia, o aluno faz uma auto-avaliação relativamente aos objetivos que tinha estipulado para aquele dia, se correu como o esperado ou não e porquê.
Duas vezes por semana, o aluno encontra-se com o seu tutor, para fazer o ponto de situação do seu plano e fazer pequenos ajustes.
Em relação aos famosos trabalhos para casa, só existem para os mais pequenos e para os restantes em determinadas matérias como o Inglês e Francês: as chamadas oralidades.
Portanto, é o aluno que gere o seu método de trabalho, dentro dos limites estipulados.
Quando o aluno se sente preparado para ser avaliado a uma determinada matéria, regista a sua disponibilidade num mapa que está afixado na escola. A forma de avaliação também depende. Não existem propriamente testes, mas momentos de avaliação, que na maioria dos casos me pareceu que são orais.

Existem ainda reuniões de assembleia promovidas e facilitadas pelos alunos, onde toda a comunidade educativa pode assistir. Todas as segundas feiras de manhã, os membros pedem que se partilhem temas, balanço de responsabilidades, etc, para se abordarem posteriormente na assembleia.

Há também uma comissão de ajuda composta por alunos de diferentes idades, que resolve problemas da escola, nomeadamente conflitos, etc. Quando os alunos não conseguem resolver, a situação segue para o tutor, pais, e gestão. 

Cada aluno tem ainda uma responsabilidade na escola, que pode ser verificar o estado dos livros e cadernos, o material, etc.
Um ponto curioso é que os pais pagam um valor no início do ano para a compra de todo o material escolar. Desta forma, o material é propriedade da escola e, portanto, de todos.


E o melhor de tudo, é que toda esta visita foi facilitada por duas alunas! :)


Gostei imenso da visita e da visão da escola. Acima de tudo, investe-se imenso no saber ser de cada criança, e no saber fazer de forma autónoma e responsável.
Deu-me vontade de ter filhos só para os pôr lá ;)

Mas achei curioso que a lista de espera para entrar não é assim tão grande... Parece que apesar de ser uma escola pública, (que obedece ao plano curricular do Ministério da Educação e, por isso, qualquer aluno que tenha aproveitamento possui equivalência ao ano escolar inscrito), os pais continuam a ter alguma resistência em colocar os seus filhos em sistemas menos convencionais. A localização da escola, em Santo Tirso, também não ajuda. Foi-me dito que a maioria dos alunos não é dali de perto. Há alunos a virem de longe todos os dias e até famílias que imigraram para Portugal para frequentarem esta escola.

É pena que mais escolas não tenham seguido os passos do Dr. José Pacheco. De facto foi preciso muito trabalho e coragem para implementar uma escola oficial alternativa e se calhar é por isso mesmo que não apareceu mais nenhuma até agora...


Raquel Ribeiro. Com tecnologia do Blogger.