quinta-feira, 24 de novembro de 2016

SIRCLe, uma viagem transformadora

Após 5 dias de retiro em Dornes, no Centro de Portugal, onde iniciei uma jornada interior, prossegui para uma segunda jornada: uma semana de grande transformação pessoal e comunitária.

O SIRCLe é um curso de empreendedorismo (r)evolucionário e inovação social para comunidades resilientes, financiado pela UE no âmbito do Programa ERASMUS+. É um programa desenhado para criar um currículo inovador, que integra ferramentas e métodos para a cidadania ativa e empreendedorismo social, com conhecimento científico e experiência de diferentes empreendedores, bem como de movimentos de base já estabelecidos.
Foi realizado nas instalações da Biovilla, em Palmela, e teve uma duração de 5 intensivos dias, entre 31/10 e 04/11/2016.

Este curso foca-se na aprendizagem de metodologias e ferramentas de inovação social, que podem ser utilizadas em cada uma das etapas da conceção / vivência de um projeto. A ideia é combinar resiliência e sustentabilidade financeira, com a paixão pelo planeta Terra. Fundamentalmente é isto o que nos une...
As ferramentas e metodologias abordadas foram, nomeadamente:
- Tecnologia World Cafe
- Tecnologia Open Space
- Dragon Dreaming
- Inquérito apreciativo
- 5 Dimensões da sustentabilidade
- Permacultura
- Sociocracia 
- Way of Council
- Cosmic Date
- DYADE
- Business Model Canvas 


A formação percorreu as mesmas etapas do ciclo de vida de um projeto. São desvendados padrões, e que podem ser adaptados a qualquer área e projeto. Podem até mesmo ser adaptados à escala do ciclo de vida de um ser humano, ou até de um dia das nossas vidas...
O interessante é a ligação deste processo com a vida...

E estas etapas são:

1. Responder ao chamamento
Quando nos propomos a criar algo, existe um chamamento para mudar. Uma energia que nos impele à ação. Uma vontade de servir o mundo e materializar.
Esta paixão, este fogo servirá de referência para a motivação ao longo de todo o processo, por isso tem que ser mesmo forte. Tem que ser aquele sonho que, os anos passam, mas ele continua ali à espera de emergir. Não podemos ter muitas dúvidas, porque vai fazer suor, vais ser difícil, por isso só vamos conseguir se tivermos mesmo determinação.
Que dádiva tens para oferecer?
Nesta fase fizemos alguns exercícios de promoção ao alinhamento interno, e um exercício de meditação criativa, no qual nos víamos a chegar a casa e a viver um dia do nosso projeto.

2. Ultrapassar fronteiras – Desenhar o Mapa
Começamos a fazer um levantamento do que existe no terreno, um mapeamento do que eu sou, que dádiva tenho para oferecer à comunidade onde vivo. 
Uma ideia que achei interessante foi a forma como nos pomos ao serviço da comunidade / mundo. Em vez de começarmos pelos problemas no mundo a resolver, começamos por uma busca interna, daquilo que temos para dar, para depois alocar essa dádiva à promoção de um bem-estar comum. Partindo assim do indivíduo para fora. E é difícil, porque parte de um trabalho de autoconhecimento e autoconfiança enorme! Exige ter muita maturidade e sobretudo SER antes de FAZER e nós nunca fomos educados para este exercício...
Além disso, esta questão pode gerar imenso desconforto, porque a maior parte de nós não conhece o seu propósito de vida e por isso mesmo, muitas vezes não passa desta fase...

3. Fazer círculos – Abraçar a diversidade
Começar a mapear e ligar círculos de interesses, distribuir.

4. Ousar agir – Ir para o mundo e explorar o território
Convido a comunidade a começar a pôr o projeto em ação.
A ação traz a experiência. E começo a explorar os meus medos, etc.
Nesta fase é importante a construção de um protótipo, que nos irá servir para testar a nossa ideia, sem despendermos tanta energia.

5. Enfrentar a escuridão – Integrar as sombras
Após experiência de algumas dificuldades e falhanços, começamos a duvidar sobre o sucesso do projeto. Existem imensas razões para não irmos ao encontro dos nossos sonhos. Muitas delas são desculpas, que emergem dos nossos medos.
A expansão e evolução exige irmos ao nosso lado sombra. É hora de recolher e virar para dentro.
Como manter a resiliência individual e coletiva? 
Existem ferramentas sociais que ajudam a criar resiliência no indivíduo e nos grupos. É importante deixarmos de ser partes e passarmos a ser um todo.
Foi-nos facilitada uma "Dark Night", um poderoso exercício, no qual enfrentámos os nossos maiores medos e desculpas, num contexto seguro.

6. Abertura ao desconhecido – Dar origem ao novo
Quando decidimos enfrentar os nossos medos, estamos preparados para um movimento de expansão e abertura.
Pode ser nesta fase que lançamos o website do projeto, por exemplo.

7. Amadurecimento da caminhada – Colher frutos
O nosso projeto torna-se mais claro e sólido e começa a ter resultados.
Começa também a ser uma inspiração para outras pessoas.

8. Partilha da dádiva – Celebrar a beleza do nosso projeto
Quando já estamos prontos para fazer uma apresentação pública do nosso projeto e a partilhar a nossa experiência, através de palestras, workshops, etc.
Foi-nos facilitada uma Pitch Night, uma noite de apresentação pública dos nossos 14 projetos em 1 hora, na Biovilla. Um momento de grande celebração, em que todos estivemos de parabéns!

9. Chegar a casa
Recolhimento e silenciar. 
Integrar toda a aprendizagem feita, para voltar a sonhar e criar novamente.


Ideias e bloqueios que levava para o SIRCLe
Quando entrei no SIRCLe ia com uma ideia e, quando me vi na meditação criativa percebi que tinha que pensar realmente no meu sonho e não na adaptação que estava a fazer, por circunstâncias da realidade. Se é para sonhar, é para sonhar a sério! A motivação abriu portas e o processo de mapear o sonho tornou-se muito mais simples e prazeroso.
É interessante como aprendemos a sonhar com aquilo que achamos que podemos, com medo de ferir as nossas expectativas e as dos outros, mas depois vivemos uma vida "a meio" daquilo que efetivamente podemos. Eu estava a ficar bloqueada pelos recursos disponíveis que tenho. É preciso às vezes afastar aquilo que temos disponível. Os recursos servem os nossos sonhos e não o contrário. Tal como o dinheiro! Mas o desapego é difícil... Principalmente o desapego do caminho mais fácil...
Foi-me aconselhado que não me preocupasse com o protótipo, para ir mapeando os meus dons, dádivas, etc. Deixar fluir e ir vendo que respostas vou encontrando. E isso foi libertador! Permitiu-me sonhar realmente, e por isso desbloquear...
Senti perfeitamente o meu entusiasmo a crescer, porque me permiti sonhar, sem pensar nos constrangimentos. E o sonho ganhou nova força e contornos!

As desculpas que nos impedem de agir...
Uma das desculpas é não termos o que precisamos para começar. Ainda não estamos prontos. Mas a verdade é que o que precisamos vai aparecendo no caminho à medida que o vamos percorrendo. 
A loja das ferramentas não está no início da caminhada. É como um jogo... À medida que vamos passando níveis, vão-nos sendo fornecidas novas ferramentas, que nos irão servir no momento certo. A vida é muito eficiente e por isso não nos dá ferramentas que não iremos precisar. O que precisamos e quem precisamos irá aparecer no caminho. Só temos que o começar a percorrer...

A entrega ao desconhecido e ao coletivo, necessárias à expansão
A entrega ao desconhecido é um enorme desafio, mas parece ser um obstáculo que temos sempre que ultrapassar se queremos crescer como pessoas...
Esta formação despoletou-me imensos medos que estavam cá dentro guardadinhos, mas também me deu respostas. A expansão ou evolução exige irmos ao nosso lado sombra. Para ganharmos um passo temos que perder algo. Quanto mais não sejam as nossas amarras, a nossa zona de conforto. E uma das formas de ir buscar essa resiliência é exatamente procura-la na consciência coletiva. Percebemos que o meu medo não é meu, é nosso. É algo que temos vindo a perder ao longo das últimas gerações e se calhar está na hora de resgatarmos, se queremos evoluir.
Talvez seja o momento de começar a falar em sustentabilidade do SER, para além da financeira, da social ou ambiental...


A abundância
E terminou esta grande viagem transformadora que foi o SIRCLe.
A grande lição na reta final foi a da abundância: de recursos, de sonhos, mas principalmente de amor.
Pertencemos agora a mais uma comunidade de sonhos... Chamamos-lhe os "empreendedores evolucionários anónimos" ;)
Quanto mais caminho mais pessoas maravilhosas encontro. Pessoas fantásticas a fazerem pequenas mudanças no mundo. Simplesmente porque elas procuram fazer essa mesma mudança de dentro para fora. E essa é a certeza, para mim, de que estou no caminho certo!

Quero contribuir para o mundo de uma forma holística e crescer. Crescer de uma forma holística também, em várias dimensões. E quero ligar-me cada vez mais a mim, ao lugar onde me encontro serena e em paz.

A celebração, como forma de integração de experiências
E este fechar de um dia, este recolher, este momento de celebrar, cada vez é mais importante para mim. Preciso mesmo desse tempo de retiro no final de cada experiência, no final de cada dia, para estar comigo e integrar. A escrita, isto que estou a fazer agora, é uma das minhas formas de integrar, celebrar e fechar os ciclos de aprendizagem.
Espero que ela possa vir a ser um impulso para todos, para uma nova fase: O SONHO!
Afinal, dizem que é ele que comanda a vida... :)

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Cheguei a casa, mas já não sou a mesma... E agora?


Quem viaja, principalmente quem viaja sozinho, conhece aquele momento turbulento do regresso a casa.
Aquilo que aprendemos e vivemos parece-nos ter mudado tanto e quando regressamos a casa choca-nos o facto de estar tudo igual. Nós já não somos os mesmos e parece que à nossa volta tudo parou no tempo. Quem não conhece esta sensação?
E ponho-me a pensar... Será este choque com os outros que nos rodeiam, ou será sobretudo connosco mesmos? Com toda a estrutura que temos montada "em casa"? 
Este pode ser simplesmente o momento de parar e integrar toda a informação, vivências e experiências aprendidas.
A mudança é sempre difícil, mas com a nossa própria evolução vamos precisando de ir fazendo ajustes consecutivamente. E quando chegamos de uma viagem - durante a qual descobrimos que somos muito mais do que temos sido até então, que somos livres e que há imenso mundo para explorar - chegamos a casa e percebemos que é hora de lidar com toda a nossa história, medos, amarras, e integrar estas novas vivências no nosso percurso de vida. Umas vezes de uma forma mais harmoniosa, outras vezes com cortes radicais.

Viajar é como ler. É uma experiência que pode ser altamente transformadora.

Tudo é do tamanho que estamos prontos para lhe dar...

Birmânia 2016

sábado, 29 de outubro de 2016

My experience in Equine Assisted Training Portugal


In this video I talk about a team building project with horses, in the center of Portugal, in Tomar, where I did two weeks of volunteering in September 2016.

Sarah's farm at the moment has 8 horses and this project consists of working leadership and communication through these animals. The program is designed for both individuals, families, groups, and businesses.

The Equine Assisted Training course is a course that seeks, above all, to explore ourselves through these animals. It has helped me realize how I work, what is the most natural leadership style for me, how do I respond to frustration.

To learn more about this course, follow the Equine Assisted Training Portugal page.

Eco-hugs and see you in the next sustainable journey ;)




--- Versão Portuguesa ---


Tinha feito uma visita a este projeto em Julho de 2016, quando estive a fazer Housesitting, e nessa altura fiquei logo com muita curiosidade. Passados dois meses regressei para fazer uma experiência de voluntariado de duas semanas.


Esta quinta fica muito próxima de Tomar e tem 8 cavalos, 6 porcos vietnamitas, galinhas, cães e gatos.
A nossa rotina iniciava às 08h00 para alimentar todos os animais e limpar o estrume dos cavalos. Depois juntávamo-nos a beber um chá e o tempo restante, até às 12h00, era para uma atividade na quinta, que todos os dias era diferente. Podia ser limpar uma parte de um terreno e podar árvores, como podia ser transportar e arrumar madeira, fazer alterações na vedação dos cavalos, ou construir um abrigo novo para os porquinhos vietnamitas, o Sid e a Nancy. Confesso que esta última foi a que mais gostei :)

Uma casa 100% feita de material reutilizável :)


Com esta experiência fiquei com excelentes referências de como ser um bom anfitrião neste tipo de modalidade de voluntariado. Gostei imenso de sentir-me sempre acompanhada, num trabalho de equipa, muito bem organizado. Todas as tarefas que executava eram partilhadas por todos.
Estava alojada numa casa de pedra lindíssima, na aldeia, com um quarto só para mim.
Um privilégio a agradecer à Sarah, excelente anfitriã :)

Sarah, a anfitriã e dona da quinta


Uma das coisas que percebi com esta experiência é que trabalhar em equipa é crucial para me sentir motivada. Há tarefas que até precisava de fazer cá em casa, mas ainda não as tinha feito porque sozinha demora tanto, que nem sequer dá vontade de começar… Ali, em pouco tempo, porque éramos muitos, terminavam-se rapidamente as tarefas, e com entusiasmo.

Fiquei também a perceber que preciso de movimento físico. Preciso de despender algumas horas do dia com tarefas instrumentais e físicas. É como ir ao ginásio, mas aproveitando a fazer alguma coisa de útil ao mesmo tempo ;)

E senti-me extremamente bem durante estas 2 semanas. Todas as pessoas eram muito acolhedoras e montar é algo que me é muito familiar e que me transportou à minha adolescência e ao sonho em conjunto que tinha com a minha mãe. Foram duas semanas fortes emocionalmente, mas ao mesmo tempo serenas. Muito de ligação comigo, através de todas aquelas experiências e de toda a envolvência maravilhosa da paisagem do centro de Portugal. É uma zona de facto poderosa…

A preparar para ir passear :)
No passeio com a Maike e a Catherine
Raquel, Sarah, Maike, Catherine


Outra aprendizagem muito curiosa foi a de estar num projeto estrangeiro no meu próprio país. Envolvida, portanto, numa comunidade estrangeira, com os seus costumes e cultura. Foi um verdadeiro "vá para fora cá dentro" ;)

Neste projeto estive com a Sarah e o James, donos da quinta, a Maike e o Peter, que colaboram na quinta e no projeto, e a Catherine, uma voluntária com quem fiquei com uma ligação muito especial.

Sarah, James, Maike


A minha contribuição como voluntária permitiu-me participar no curso Equine Assisted Training. Tinha imensa curiosidade sobre como se poderia trabalhar com estes animais, de forma a fomentar o trabalho de equipa, liderança e comunicação entre as pessoas, famílias e/ou equipas de trabalho.

Um dos exercícios que fizemos foi o clássico guiar e deixar ser-se guiado, extremamente importante para o início de uma jornada de trabalho em equipa!




Conduzir um cavalo pela retaguarda pode ser como conduzir uma equipa ou projeto através desta mesma posição de liderança.
Como existe uma distância maior relativamente à equipa (ou cavalo), a visibilidade aumenta e a perceção de como está a trabalhar é mais clara. Por outro lado, fazer ajustes sobre a sua direção é bem mais complicado. A equipa tem a sua própria força e dinâmica e a nossa posição será mais a de um olhar de fora, propondo pequenos ajustes em direção ao foco.




Conduzir um cavalo sem rédeas e sem qualquer contacto físico é ainda mais difícil. Acima de tudo este exercício exige respeito e confiança: decidimos quando é hora de trabalho e quando é hora de carinho. Esperando que na hora do afeto, o animal sinta a confiança necessária para vir até nós e seguir-nos.





Este curso trata, antes de tudo, de nos explorarmos a nós mesmos, através destes nobres animais. Ajudou-me a perceber como trabalho, qual o estilo de liderança mais natural para mim, como reajo à frustração. E tudo isto num ambiente securizante, com segurança quer ao nível físico, quer emocional de todos: participantes e cavalos.


Outra questão importante para mim foi a forma como os animais são respeitados e amados. Não é suposto que eles façam nada que não seja natural para eles. E se a vontade deles for não cooperar, nós temos que respeitar e lidar com essa frustração. Não é disso que se trata também a vida?

Neste curso não há respostas certas ou erradas. Somos apenas nós e o nosso espelho: o cavalo.


Recomendo vivamente toda a experiência!

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Escola da Ponte, uma escola pública diferente

A Escola da Ponte é uma escola pública, que aborda a Educação de uma forma mais co-participada e co-responsável.

Já tinha ouvido falar há alguns anos nesta escola. Cheguei até a assistir a palestras do Dr. José Pacheco, idealizador e fundador deste projeto, e já estava na minha lista de projetos a visitar há algum tempo.
Aproveitei a juntar-me a um grupo de amigos, e fomos fazer uma visita de estudo.

A Escola da Ponte tem turmas desde o pré-escolar ao 9º ano e mais de 200 alunos inscritos.
O que a diferencia do método de ensino convencional é que ali não existem propriamente aulas, pelo menos da forma como estamos habituados a ver: um professor a falar e os alunos a ouvirem. Ali são os alunos que definem o seu plano de trabalho. E como?
De 15 em 15 dias, cada aluno faz o seu plano quinzenal de trabalho com o tutor (é um professor que ele escolhe para o acompanhar durante o ano letivo). Este plano também depende do plano curricular do Ministério da Educação, pois trata-se de uma escola pública. Mas a matéria é desdobrada em pequenos objetivos, que são incluídos neste plano quinzenal.
A partir daqui, cada aluno faz o seu plano semanal e diário. O conceito de aula não existe, mas existe sim um espaço de partilha entre os alunos, em mesas redondas. Os grupos de trabalho são heterogéneos, escolhidos pelos alunos e validados pelos professores e o objetivo é que os alunos possam ajudar-se mutuamente em matérias diferentes, ao longo do dia. Não conseguindo obter ajuda de um colega, o professor está disponível na sala e pode ser solicitado a qualquer momento. No final do dia, o aluno faz uma auto-avaliação relativamente aos objetivos que tinha estipulado para aquele dia, se correu como o esperado ou não e porquê.
Duas vezes por semana, o aluno encontra-se com o seu tutor, para fazer o ponto de situação do seu plano e fazer pequenos ajustes.
Em relação aos famosos trabalhos para casa, só existem para os mais pequenos e para os restantes em determinadas matérias como o Inglês e Francês: as chamadas oralidades.
Portanto, é o aluno que gere o seu método de trabalho, dentro dos limites estipulados.
Quando o aluno se sente preparado para ser avaliado a uma determinada matéria, regista a sua disponibilidade num mapa que está afixado na escola. A forma de avaliação também depende. Não existem propriamente testes, mas momentos de avaliação, que na maioria dos casos me pareceu que são orais.

Existem ainda reuniões de assembleia promovidas e facilitadas pelos alunos, onde toda a comunidade educativa pode assistir. Todas as segundas feiras de manhã, os membros pedem que se partilhem temas, balanço de responsabilidades, etc, para se abordarem posteriormente na assembleia.

Há também uma comissão de ajuda composta por alunos de diferentes idades, que resolve problemas da escola, nomeadamente conflitos, etc. Quando os alunos não conseguem resolver, a situação segue para o tutor, pais, e gestão. 

Cada aluno tem ainda uma responsabilidade na escola, que pode ser verificar o estado dos livros e cadernos, o material, etc.
Um ponto curioso é que os pais pagam um valor no início do ano para a compra de todo o material escolar. Desta forma, o material é propriedade da escola e, portanto, de todos.


E o melhor de tudo, é que toda esta visita foi facilitada por duas alunas! :)


Gostei imenso da visita e da visão da escola. Acima de tudo, investe-se imenso no saber ser de cada criança, e no saber fazer de forma autónoma e responsável.
Deu-me vontade de ter filhos só para os pôr lá ;)

Mas achei curioso que a lista de espera para entrar não é assim tão grande... Parece que apesar de ser uma escola pública, (que obedece ao plano curricular do Ministério da Educação e, por isso, qualquer aluno que tenha aproveitamento possui equivalência ao ano escolar inscrito), os pais continuam a ter alguma resistência em colocar os seus filhos em sistemas menos convencionais. A localização da escola, em Santo Tirso, também não ajuda. Foi-me dito que a maioria dos alunos não é dali de perto. Há alunos a virem de longe todos os dias e até famílias que imigraram para Portugal para frequentarem esta escola.

É pena que mais escolas não tenham seguido os passos do Dr. José Pacheco. De facto foi preciso muito trabalho e coragem para implementar uma escola oficial alternativa e se calhar é por isso mesmo que não apareceu mais nenhuma até agora...


terça-feira, 13 de setembro de 2016

Liberdade, como a alcançar?


A tão desejada liberdade... Mas como é que a alcançamos?

Há quem se mate a trabalhar nos primeiros anos para ganhar dinheiro, pensando em assegurar o seu futuro e o dos seus filhos para poder, finalmente, gozar a vida...
Destes, grande parte não chega a usufruir desse momento glorioso, seja porque morre antes disso, ou por não conseguir atingir o seu objetivo. Em ambos os casos, passaram uma vida a preparar um futuro, que afinal foi diferente daquilo que imaginavam...
Outros tentam sair deste ciclo vicioso, vivendo simplesmente o "Carpe Diem", e/ou criando alternativas, para não precisarem de ser "escravos" do sistema.
E há ainda quem nem sequer gaste tempo a pensar no assunto... :)

Cá para mim parece-me que a caça à liberdade é uma corrida sem fim, mas é bom correr por ela, seja lá da forma que for!
E quanto mais corro na sua direção, mais me convenço de que a liberdade não está nas nossas opções, mas sim na forma consciente como as escolhemos! Assim, ser livre é trabalhar para o conhecimento e consciência, mesmo que fisicamente possamos estar debilitados...

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Educação assistida por cavalos, em Portugal


O Vale dos Cavalos, Projeto de Educação Assistida por Cavalos

Fui conhecer o que parece ser o único projeto em Portugal, até ao momento, que utiliza cavalos para desenvolver competências de liderança e comunicação, através de exercícios simples num trabalho em equipa. Os exercícios são feitos no chão, sem necessidade de montar os cavalos, o que permite também que qualquer pessoa possa participar nas atividades e relacionar-se com estes maravilhosos animais de uma forma mais harmoniosa.

Este projeto é de um casal, que teve a amabilidade de nos abrir a porta da sua casa.
É uma possível resposta à exigência da legislação laboral, que prevê um mínimo de 35 horas anuais de formação contínua aos seus colaboradores. No entanto, também se pode dirigir a outros grupos de pessoas e até famílias que pretendam promover este tipo de habilidades.
No fundo, este trabalho pretende analisar o estilo de liderança pessoal de cada participante e o impacto desse mesmo estilo nas pessoas à sua volta, resultando assim num aumento de auto-consciência e de competências interpessoais.
A capacidade de cura e de desenvolvimento de competências através destes animais é enorme. Eu sou um exemplo disso. Ainda me lembro da minha mãe me ter posto na equitação para me desenvolver socialmente. Quando era mais nova era muito "atada", tinha medo de arriscar, de me perder, de fazer coisas novas. E sempre muito medo de falhar. Ter lidado com este tipo de animais durante quase 15 anos fez-me ganhar muito à vontade e determinação, principalmente pelos anos em que fiz competição em saltos de obstáculos. 
Gerir as nossas emoções e dificuldades e mais as de um animal destes requer muito. E aprende-se imenso nesta troca.

Passados alguns anos, sinto que gostava de devolver algo a estes animais, que tanto contribuíram para o meu desenvolvimento como pessoa. Desenvolver uma nova relação com eles, desta vez mais holística, de cooperação e promoção do seu bem estar. É bom sentir que outras pessoas estão também a usufruir das suas qualidades terapêuticas, de uma forma menos competitiva do que foi a minha, aproveitando o melhor que estes animais têm para dar: amor e acima de tudo confiança.

O projeto aceita voluntários que queiram ajudar durante estes cursos. Quem sabe, serei uma das próximas voluntárias :)
Conhecer melhor o projeto aqui.

Alguns vídeos sobre educação e terapia assistida por cavalos (em Inglês):
Leadership Trainig with Horses
Martin Clunes Horsepower Equine Therapy

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

HouseSitting na Quinta do Pisão, Tábua


Esta é a nossa quarta experiência de HouseSitting em Portugal.
Desta vez estivemos a cuidar de 2 cães, 2 gatos, 19 galinhas, 72 patos e dos espaços verdes da Casa do Pisão, uma quinta com 3,8 hectares de floresta e campos agrícolas, com vistas magníficas para um afluente do Rio Mondego. A Casa do Pisão aluga para turismo um estúdio auto-suficiente. Está anunciada, nomeadamente, no Booking e no Airbnb
Já tínhamos conhecido pessoalmente o casal anfitrião há uns meses atrás, quando fomos a Coja passar 3 dias sustentáveis numa cabana. Como nos tínhamos candidatado a este HouseSitting, aproveitámos a viagem para nos conhecermos pessoalmente. Foi a primeira vez, até agora, que conhecemos os anfitriões e as suas casas antes de fazermos a experiência de HouseSitting.
Embora já conhecessemos o local, não deixou de nos voltar a surpreender com as maravilhosas vistas sobre o afluente do Rio Mondego!

A Claudia e o Leon vieram para esta propriedade há cerca de 2 anos. Recuperaram a casa de pedra, fizeram uma piscina, uma horta e agora têm imensos animais na quinta.

Um pequeno vídeo que fizemos sobre esta experiência, que ilustra o nosso dia-a-dia :)

 

A nossa rotina de tarefas
A nossa rotina começava bem cedinho, às 6h30 da manhã, para ir abrir a porta dos patos e galinhas e tratar deles: ver a água, comida e fazer uma limpeza geral ao espaço.
Depois tratávamos do pequeno almoço dos cães e gatos e dávamos um passeio.
A meio da manhã e da tarde passávamos novamente nos patos e galinhas para dar umas comidinhas boas e uns carinhos e no final do dia tratávamos de os recolher para as suas casas.
Dávamos mais uma refeição aos cães e gatos e regávamos os jardins e horta.
A Lula e a Pastel são os cães que nos acompanhavam nas nossas atividades da quinta.

Ponto alto de aprendizagem
O nosso ponto alto de aprendizagem nesta quinta foi mesmo com os patos e galinhas. Eram quase 100 animais à nossa responsabilidade, adultos e bebés, patas e galinhas a chocarem e novos nascimentos.
Sentimos desde o início o amor e dedicação que este casal tem por estes animais e por isso eles eram alvo da nossa maior atenção.
Aprendi mais sobre a alimentação destes animais, que deve ser o mais variada possível, podendo assim traduzir-se em excelentes e ricos ovos para consumo.

Momentos deliciosos
A abertura das portas dos patos e galinhas, às 6h30 da manhã :)
Os sabores dos produtos da horta. Tivemos o privilégio de provar, nomeadamente, as curgetes, morangos, pimentos, tomates, beringela, etc.
As vistas maravilhosas sobre o afluente do Rio Mondego.
Tínhamos planos de ir passear fora da quinta e fazer a ciclovia da Ecopista do Dão, mas era impossível fugir daquele paraíso. O que mais desfrutamos foi mesmo a Natureza, o silêncio, a piscina, o rio.

Momentos desafiantes
Sem dúvida, a Pastel foi o cão mais desafiante que tivemos até agora. Dominada pela sua história de experiências negativas passadas, demora algum tempo a confiar nas pessoas e 5 dias foram muito pouco para conquistar essa relação de confiança de uma forma mais sólida. No entanto, tive uma excelente surpresa no último dia, quando ela me veio lamber a mão sem eu contar. Afinal, foi ela a dizer-nos "Missão Cumprida" :)


Gostaste de ler este artigo e queres conhecer mais?
Para seguir outras experiências de HouseSitting do meu blogue clica aqui.

Gostaste da ideia do HouseSitting?
A experiência no Housesitting tem sido mais gratificante do que inicialmente pensava.
Se te tiver inspirado e quiseres inscrever-te nesta plataforma, existe um cupão que te dá 20% de desconto se seguires este link para te registares e a mim também me ajuda oferecendo 2 meses grátis. Depois de seres membro podes também fazer este convite a outras pessoas e assim ir acumulando mensalidades gratuitas para as tuas experiências :)
Boas viagens!

sexta-feira, 22 de julho de 2016

CidadeMAIS, 7 a 10 de Julho de 2016

Foi muito interessante como a minha colaboração com o CidadeMAIS aconteceu. Foi numa ida a Lisboa em que fui apresentar a Rede Convergir, que conheci a Sara Silva. Como tinha interesse em envolver-me mais com o movimento de Transição no Porto, aconselharam-me falar com ela. E pronto, a partir daí ela falou-me no evento em que estava a colaborar, o CidadeMAIS, e que até precisavam de ajuda e foi assim que me comecei a envolver com este projeto, que acabou por ser a minha primeira experiência em gestão de Eventos.
É caso para se dizer que é preciso ir a Lisboa para nos envolvermos com os projetos nossos vizinhos do Porto ;)

O que é o CIDADEMAIS?
O CidadeMAIS é um evento que celebra a Cidadania, o Ambiente e a Sustentabilidade em contexto urbano. É totalmente gratuito para os visitantes e inclui iniciativas como: Conferências, Oficinas, Animação, MercadECO, Praça Empresarial, Praça de Alimentação, etc. Decorre anualmente no início de Julho pelos Jardins do Palácio de Cristal. Este evento pretende despertar e informar o público sobre as alternativas verdes que já existem, nomeadamente ao nível das energias, alimentação consciente, saúde holística, etc, e potenciar sinergias entre os projetos.

Eu estive responsável pela Praça de Alimentação e MercadECO, ou seja, o meu trabalho foi de contactar projetos maioritariamente de alimentação saudável e consciente que quisessem estar presentes na Praça de Alimentação, e angariar bancas que se dedicassem à comercialização de produtos que ajudem a pensar a sustentabilidade de uma forma integral, para estarem presentes no MercadECO. Dado ser um evento alusivo à temática da sustentabilidade, tentamos promover marcas amigas do ambiente, ou seja, que tenham práticas responsáveis na sua pegada ecológica, através da utilização de produtos artesanais saudáveis e/ou biológicos, nacionais ou até mesmo locais. Existiu ainda um espaço para a divulgação e promoção das Associações, que fazem um trabalho louvável nas diversas frentes da sustentabilidade. O conceito alarga-se ainda a outras dimensões do bem-estar mais holístico, porque acreditamos que o primeiro trabalho deverá ser, antes de tudo, um trabalho com o nosso Ser Sustentável, e por isso o CidadeMAIS promove um Espaço Zen, com workshops e terapias alternativas.


segunda-feira, 18 de julho de 2016

Mas afinal para que servem as expectativas?

Custa-nos sempre imenso quando as nossas expectativas saem defraudadas, porque aquele era o nosso plano e a mudança é-nos imposta para algo que não queríamos. 
Mas o que sabemos nós do que é que é melhor? 
E se as expectativas não fossem mais do que um mecanismo que temos para nos mantermos na direção certa, mas que na verdade não nos levam necessariamente ao destino que previmos inicialmente? 
Nem tudo o que esperamos tem que acontecer, e todos sabemos disso. Muitas vezes da pior maneira, com muita pena que os nossos planos não se concretizem. Mas e se as expectativas servissem só para nos mantermos focados no caminho, não estando minimamente ligadas ao destino final? 

Vão surgindo obstáculos, umas portas fecham-se e outras que nem imaginávamos abrem-se, e as nossas expectativas vão mudando, mediante novo conhecimento que adquirimos. E a vida trata-se desta dança, que só a sabe dançar quem estiver preparado para deixar fluir...

 

terça-feira, 7 de junho de 2016

Tertúlia: Faz-te ao teu Sonho

Ilustração de Luísa Costa


No sábado passado participei em mais uma atividade promovida pelo Faz-te à Vida. Desta vez um encontro informal, facilitado pelo Pedro Portela, sobre uma ferramenta que tem como objetivo transformar sonhos em realidade, e que se chama Dragon Dreaming, ou o sonho do dragão. 
Este conceito teve origem na Austrália, e surgiu pelo facto de se ter constatado que existe uma grande percentagem de sonhos que não se viabilizam.
Esta tertúlia foi inserida no ciclo de apresentação do Centro para a Vida Sustentável, nas instalações da Boa Safra - Eco Home Design.



Ponto de partida: Tornar o sonho individual em sonho coletivo 

Percebemos que o sonho nasce da ideia de um indivíduo. Porém, sozinho por vezes é difícil concretizar grandes sonhos, por isso é importante tornar estes sonhos individuais em sonhos coletivos, que serão sempre diferentes do primeiros. Então, logo como ponto de partida para o sucesso da concretização de um sonho é importante que o sonho individual tenha que morrer, para dar lugar ao nascimento de um sonho coletivo, da equipa. Este é um grande primeiro desafio, que condena muitos sonhos ao fracasso… 

Torna-se crucial trabalhar a questão do ego, do desprendimento, da colaboração, como pontos chave para evolução para o nível seguinte.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

A nossa primeira experiência de HouseSitting

Já há muito que queríamos iniciar-nos nesta opção de vida. Se por um lado permite-nos viajar poupando recursos, por outro permite-nos conhecer lugares, culturas, pessoas e estilos de vida incríveis, pondo ao serviço do outro uma das coisas que melhor sabemos fazer: cuidar do espaço e animais.
Se ainda não conheces este conceito clica aqui.

A nossa primeira experiência foi numa casa na zona da Serra da Sertã, rodeada de floresta e com vista para o rio Zêzere. Tínhamos que cuidar de dois cães de grande porte e 6 galinhas.
Nem nas nossas melhores previsões imaginámos um cenário tão fantástico: pela vista fabulosa, pela doçura dos animais, pela acessibilidade dos donos, pelos percursos pedestres de cortar a respiração...
Se achávamos que o HouseSitting podia ser uma boa alternativa para nós, agora percebemos que ainda estamos longe de descobrir o seu verdadeiro potencial...

 Um pequeno vídeo que fizemos sobre esta experiência, que ilustra o nosso dia-a-dia :)


A nossa rotina
A nossa rotina era acordar bem cedinho e abrir a porta de casa aos cães. Ir ao galinheiro abrir a porta às galinhas, ver se há ovos, colocar mais comida e água fresca e palha nos poleiros. Depois ir dar um passeio com os cães e tratar do pequeno almoço para eles e para nós :)

segunda-feira, 23 de maio de 2016

HouseSitting: Um estilo de vida que facilita a mobilidade



Muitos de nós sentem nalgum momento das suas vidas que queriam mudar de vida. Eu senti imediatamente que, para a mudança que eu precisava, teria que conseguir viver com menos, para poder dar atenção àquilo que de facto me parecia essencial, sem que isso prejudicasse uma das coisas que mais me inspira: viajar. Daí ter procurado outras formas de o fazer, utilizando o novo paradigma que vivo:

Less is More!




O que é o HouseSitting?
Comecei a utilizar uma plataforma que se chama TrustedHousesitters e que consiste em interligar pessoas que precisam de se ausentar da sua residência, com outras que possam cuidar da sua casa e animais, durante o período de ausência. Assim, a troco do alojamento, os cuidadores oferecem a sua disponibilidade e dedicação. É possível encontrar estas trocas em muitas partes do mundo!
Desta forma fica provado, mais uma vez, que para conhecer novos lugares e culturas não é necessário ter-se muito dinheiro ;)

(Des)Conferência sobre Sustentabilidade: Warm Up 2016 - Economia e a Gestão do Todo

A programação do WARM UP trata-se de uma espécie de aquecimento para o grande evento de cidadania, ambiente e sustentabilidade CIDADEMAIS, que irá decorrer entre os dias 7 e 10 de julho de 2016, nos jardins do Palácio de Cristal, no Porto.
O Warm Up é feito de um Ciclo de Espaços Abertos. O primeiro tema debruçou-se sobre a Economia e a Gestão do Todo (21 de maio), e os seguintes debruçar-se-ão sobre as Organizações do Futuro (18 de junho) e a Ética Empresarial (1 de julho). Sempre em círculo, durante a manhã assiste-se à apresentação e discurso dos oradores e de tarde inicia-se o Espaço Aberto. Esta metodologia dinâmica e inclusiva permite que todos os participantes sejam intervenientes ativos na construção da agenda e discussão do tema.

domingo, 22 de maio de 2016

Conferência Internacional: Espiritualidade, Ecologia e Sociedade

 No final da tarde do dia 20 de maio de 2016 assisti a esta Conferência, cujo tema tenho investido menos nos últimos meses: a espiritualidade.
Foi muito bom ter estado presente. Apercebo-me do quão é importante esta dimensão na minha vida, para me manter alinhada e conectada comigo mesma.
Voltei a relembrar que o pensamento plasma a ação, daí ser muito importante o cuidado com aquilo que pensamos. Ampliarmos também o nosso círculo de compaixão e abraçarmos outros elementos que parecem não estar tão diretamente ligados a nós. Perceber que, por exemplo, posso ter uma ligação mais forte com a minha família, mas que o senhor que está a passar por mim na rua também está ligado, assim como o cão que passeia ao lado dele, ou até a árvore do jardim onde nos encontramos. Somos elementos que, queiramos quer não, têm ligações profundas entre si.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

3 Dias sustentáveis numa cabana no centro de Portugal

A Julie e o Steve vieram para Portugal há 4 anos. Ele foi escultor plástico e ambos trabalharam na área educativa. Ele é um artista cheio de humor, e ela uma excelente terapeuta, comunicadora e anfitriã.

Compraram um terreno em Benfeita, Coja, que tinha apenas uma ruína em xisto e mais nada à volta e deram início à sua reconstrução, passo-a-passo. Nunca tinham construído uma casa, mas o Steve tem um dom muito especial ;)
Para a sua construção utilizaram os diversos tipos de madeira que estavam disponíveis, como o pinho, carvalho e eucalipto. Reciclaram ainda lindíssimos móveis antigos.
A casa é orgânica e mágica e simplesmente dá vontade de lá permanecer.

Este sonho demorou cerca de 2 anos a materializar-se e durante esse tempo este casal viveu numa linda cabana pré-fabricada que trouxe do Reino Unido, e que hoje serve de Bed&Breakfast para turistas. Talvez pela sua envolvência na natureza e por ter sido utilizada para as terapias da Julie anteriormente, esta cabana convida mesmo à paragem e ao repouso. A eletricidade é gerada através de energia solar, a água vem da montanha e é filtrada, e o fogão é a gás. A retrete é de cassete, como as que se usam nas caravanas. Foi a primeira vez que utilizei e fiquei fã! Os produtos de banho e limpeza são ecológicos, alguns feitos pela Julie.

sábado, 30 de abril de 2016

Seminário: Reinventar Organizações




Durante a tarde do dia 30 de Abril de 2016, assistimos à apresentação do Centro para a Vida Sustentável e equipe do projeto Faz-te à Vida, nas instalações da linda casa Boa Safra - Eco Home Design. Seguidamente, participamos num seminário cujo tema foi Reinventar Organizações, facilitado pelo Pedro Portela.


Foi mais um momento de partilha interessante e inspirador.





Falou-se um pouco da evolução das organizações ao longo dos anos, tendo partilhado a conclusão de Frederic Laloux de que existem três elementos comuns ao novo paradigma de gestão:
Gestão autónoma - é necessária liderança nestas organizações, mas sem chefes.
Totalidade humana - começamos a aceitar que somos um todo (emocional, racional, espiritual e intuitivo) e não nos dividimos em partes em diferentes contextos.
Propósito evolutivo - a organização tem vida, tem a sua própria direção. Vamos escuta-la!

Apresentação do Centro para a Vida Sustentável


Durante a tarde do dia 30 de Abril de 2016, assistimos à apresentação do Centro para a Vida Sustentável e equipe do projeto Faz-te à Vida, nas instalações da linda casa Boa Safra - Eco Home Design. Seguidamente, participamos num seminário cujo tema foi Reinventar Organizações.

O Faz-te à Vida é um centro para a vida sustentável, que procura o bem-estar através da organização de actividades, oficinas, cursos e encontros. Trabalha em quatro eixos:
Corpo & Mente: Oficina de atenção plena
Trabalho & Tempo: Faz-te ao teu sonh
Liberdade & Autonomia: Clube Faz-te
Alimentação Saudável Sustentável: Oficina de alimentação saudável


Este centro irá promover atividades gratuitas nos próximos sábados em cada um dos eixos, nomeadamente:
7 de maio de 2016 - Oficina de atenção plena
14 de maio de 2016 - Colheita na horta Bioagro e show cooking alimentação saudável
21 de maio de 2016 - Apresentação do Clube Faz-te
4 de junho de 2016 - Apresentação da tecnologia social Dragon Dreaming.


Para mais informações por favor aceder à página do Faz-te à Vida.
Para aceder a este evento no facebook, por favor clicar aqui.

quinta-feira, 28 de abril de 2016

I Conferência GPA16: Empregos Verdes - na transição para a sustentabilidade

Ontem fui à primeira conferência do 3º ciclo de conferências GPA, que abordou o futuro do crescimento verde em Portugal, através do tema "Empregos Verdes - na transição para a sustentabilidade".


Surgiram algumas ideias que gostava de partilhar:

- O que é o emprego verde?
Há que posicionar o "emprego verde" nas várias dimensões da sustentabilidade: económica (emprego), social (redução da pobreza, dignidade do trabalho, inclusão) e ambiental (pegada ecológica).

terça-feira, 12 de abril de 2016

Mercado de Saberes - As 3 Ecologias

O Teatro Maria Matos preparou um ciclo de programação intitulado "As 3 ecologias". Prepararam um Mercado de Saberes para sábado passado, no sentido de reunir pessoas que fossem falar das suas iniciativas ligadas à transição para uma sociedade ecologicamente e socialmente sustentável.
Participaram 12 iniciativas ligadas à mobilidade, energia, alimentação e consumo de proximidade, entre outras.
Eu estive a apresentar a Rede Convergir, estabelecendo laços de cooperação e promovendo o crescimento da rede. Abriu-se à discussão algumas questões, como: de que forma criar/fomentar redes de cooperação? Como fortalecer as relações de interdependência entre iniciativas e criar novas conexões de qualidade entre projetos?


Foi um dia muito produtivo, cheio de troca de sorrisos, sonhos e inspirações!

Mais informações sobre o ciclo de programação, que continua com interessantes eventos a acontecer: http://www.teatromariamatos.pt/…/debate-e-pensamento/2015-2…

domingo, 21 de fevereiro de 2016

II Fórum de Finanças Éticas e Solidárias

O II Fórum de Finanças Éticas e Solidárias decorreu durante os dias 19 e 21 de Fevereiro de 2016, e teve como objetivo promover a discussão sobre instrumentos financeiros alternativos.
A programação foi recheada e o método escolhido bastante participativo, permitindo o debate de ideias no auditório e posteriormente em pequena sala, com cada um dos oradores.

Houve algumas questões abordadas muito interessantes, como por exemplo:
- Solidariedade será igual a Consciência Social? Somos um povo muito solidário, mas teremos consciência social?

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

A minha experiência na Quinta do Vale da Lama


A minha experiência na Quinta do Vale da Lama dava um livro.
2015 foi o ano mais rápido da minha vida até ao momento! Grandes cortes umbilicais aconteceram, desde o falecimento da minha mãe à desvinculação de uma IPSS onde trabalhei durante quase 10 anos e que era a minha segunda casa. Foi o momento oportuno para dar início à manifestação de um novo paradigma, mudança que já vinha a acontecer interiormente há alguns anos…
E dei início a esta nova fase num local maravilhoso e extremamente seguro para a minha primeira experiência de vida em comunidade. No Vale da Lama, estamos em família.
Raquel Ribeiro. Com tecnologia do Blogger.