sexta-feira, 15 de novembro de 2013

DIAS 8 e 9 - Islas del Rosario

O PARAÍSO...

Estas ilhas estão a cerca de 1 hora de lancha de Cartagena de las Indias e são aquele tipo de paraíso muito simples e genuíno. Não existe eletricidade nem água potável nas ilhas, existindo apenas uns geradores nos 2 ou 3 hóteis da Isla Grande. A Ilha Grande tem cerca de 900 habitantes.


Pensei em ir lá, porque há uma rapariga couchsurfer que há uns meses atrás pôs um post sobre um projeto de eco-turismo que estava a começar nesta ilha. Achei muito interessante e por isso fomo-nos contactando.
Na noite em que cheguei a Cartagena achei a cidade muito barulhenta (porque estava alojada fora das muralhas), especialmente o hostel em que estava a dormir. Telefonei a uma das líderes da comunidade e perguntei se poderia ir no dia seguinte e dormir lá. A chamada caíu e o telefone era de um rapaz que estava aqui no hostel. Ficou sem dinheiro.. Enviei um mail à couchsurfer, que por sorte viu o mail e respondeu às 6h da manhã do dia seguinte a dizer onde eu deveria apanhar a lancha e a quem me dirigir.
E começou a aventura...

Lancha dos nativos

Apanhar uma lancha no cais dos nativos é uma verdadeira experiência local... :-)
Como estava atrasada apanhei um táxi até ao cais. O taxista perguntou-me se eu era casada e convidou-me para ir dançar. Minha nossa, tanto quis que um homem me convidasse para dançar e foi preciso apanhar um táxi na Colômbia para isso acontecer... ;-) 




Eles são uns atiradiços, principalmente os que têm entre os 30 e os 40 anos, já casados e com filhos. Mas, tal como nas vendas de rua, tentam a sua sorte, mas não chateiam muito. 

Entrei no porto e bastou dizer que queria falar com o Joselito que me largaram logo. O Joselito veio-me levar à lancha e explicou ao condutor da lancha quem eu era e a quem me tinha que levar.
A partir daí é a segurança total. Já toda a gente sabia quem eu era e que conhecia gente na Isla Grande.
A lancha levava pessoas e mantimentos para a ilha. Tudo a monte. E o passeio de lancha por si só vale muito a pena! Eles vão com muita velocidade e a lancha vai a dar pancada na malta durante 1 hora! Quase saltamos do lugar!



O "nosso" molhe :)
Quando chegamos à ilha pararam num dos pequenos cais e o Carlos estava à minha espera. O Carlos é um senhor de cerca de 70 anos que vive na ilha há 21 anos. Nasceu e viveu em Cali, uma cidade no sul da Colômbia e é das poucas pessoas da ilha que não nasceram lá.
O Carlos vive ali com a sua mulher Viviane, de 29 anos, e o seu filho, Nicolás Pacífico, de quase 2 anos.
A Viviane conheceu o Carlos em Cali, onde nasceram, mas ela quis ir viver com ele para as ilhas. Foi sem trabalho, mas como gostava muito de mergulho optou por tirar a carta e conseguiu depois um trabalho num dos 2 ou 3 hoteis que existem na Ilha. De manhã é instrutora de mergulho e de tarde psicóloga em intervenção comunitária.
A Viviane é psicóloga e como o conselho de nativos está muito ativo e preocupado aceitaram que ela monitorizasse um projeto de ajuda às mães jovens que tem como objectivo final que as mães incentivem os filhos a irem à escola. Tentam também abordar questões como a auto-estima das mulheres, o machismo, a violência doméstica, etc. Pelo que percebi este projeto é financiado pelo governo. 


No passeio ao longo da Ilha...
Foi uma luta difícil,  há uns anos, quando o governo quis deitar a mão à Ilha para a vender ao turismo. Mas os nativos conseguiram que a sua existência como comunidade fosse reconhecida e agora as terras que na altura não tinham sido vendidas são deles :-)
Nesta ilha não existe polícia nem ladrões, como eles dizem. Os nativos têm uma espécie de corpo decisor, que define todas as regras de convivência. Vivem aqui cerca de 900 pessoas na Isla Grande.



A nossa cabana :)
Comecei por me instalar na cabana e depois fui dar um passeio pela Ilha. Fui até a um hotel pedir para ir à Internet para enviar um email aos meus pais. É muito seguro andar na Ilha sozinha, já que as pessoas são extremamente amáveis.
Quando regressei, o Carlos estava a cozinhar peixe que tinha pescado entretanto. Ali é assim, pesca-se o peixe necessário para a refeição, cortam-se os paus para fazer o lume, apanham-se os limões para a limonada... E está feita uma refeição excelente!




A nossa cozinha :)

Comi um pargo e um ronco. Não sei se há tradução para português... Foram dos melhores peixes que comi em toda a minha vida! Estavam mortos apenas há 2 horas... Fresquíssimos!
No final da refeição há que lavar os pratos no lavador municipal, o mar :-) pois, a única água doce que existe é a água da chuva, que cai para uns contentores... Esta água serve para beber (para quem estiver habituado a água da chuva...) e tomar banho. A água do mar serve para tudo o resto: lavar louça, limpeza na casa, etc.



A nossa sala e cozinha :)
De seguida bati uma sestinha numa cama de rede e de tarde fui com a Viviane ao centro da Ilha para uma reunião com algumas mães.
As raparigas desde muito novas têm filhos e muitas vezes com homens casados. Tenta-se agora mudar algumas mentalidades, para que pensem antes de irem para a cama com alguém, para que se protejam e para que queiram dar um futuro melhor aos seus filhos, pondo-os na escola. É interessante esta vontade de mudar atitudes vir da própria comunidade de indígenas. Eles são extremamente evoluídos e empreendedores! 

Quando o governo se quis apoderar da Ilha eles começaram projetos de eco turismo. São projetos completamente monitorizados pelos nativos da Ilha! Finalmente têm o website de um projeto pronto, ORIKA. Fazem muito artesanato, pintura, etc.
Porém, a Ilha tem para já muito pouco turismo e o turismo que existe está muito concentrado nos poucos hotéis que existem. Os hotéis têm geradores, por isso conseguem ter luz e água também.



A NOITE NO PARAÍSO... 


As vistas da nossa cabana para o molhe
Bom, a noite é extremamente romântica e num cenário inacreditável! Não há luz em toda a Ilha, por isso apenas com a lua consegue-se ver imenso! Temos também velas em vários pontos. E deitamo-nos muito cedo, porque anoitece antes das 18h e não há nada para fazer, a não ser ter uma bela conversa...  :-)
É possível pegar no colchão onde dormimos e leva-lo para o molhe e dormir lá, mesmo no meio do mar...
Para lua-de-mel isto é brutal!! :-)


Nicolás Pacífico, o bebé branco da Ilha




Também está a viver nesta casa outro casal: um rapaz também de Cali que está a tirar o master de mergulho para ficar lá a viver e trabalhar com a Viviane nos hotéis. E uma rapariga que está lá durante 1 mês a fazer um projeto de sensibilização sobre o lixo. Ela é de marketing e publicidade, mas gosta imenso da área ambiental. Ambos já estiveram na Ilha várias vezes e querem ir para lá viver.











NO DIA SEGUINTE...

Bem, no dia seguinte comemos uns ovos de pequeno-almoço e depois nadar. Ahhh, nadar depois de acordar é um verdadeiro privilégio!
A água nesta altura está a cerca de 29C. Achei muita graça que a Viviane disse-me que vai ter que comprar um fato de 5mm para mergulhar em Janeiro, porque a água é muito fria nessa altura: 26C :-)
Bom, quem está habituado à qualidade de vida não gosta de ir para pior... ;-)

Na Escola da Ilha
Depois todos foram trabalhar e eu, o Carlos e o Pacífico fomos ao centro da ilha, porque havia lá um evento no qual os nativos pretendiam mostrar as ofertas turísticas da Ilha aos turistas e às agências. Colaram-se ao molhe principal para tentar captar a atenção dos barcos com turistas que iam chegando. Mas daquilo que me pude aperceber nenhum turista saiu da rota barco-hotel para se envolver com a comunidade. Existe um restaurante mesmo em cima do molhe, com grades até cima e os turistas saem do barco, almoçam lá e depois vão para outras ilhas e julgam que podem dizer, com esta experiência, que conheceram as Islas del Rosario... Enfim.. É por isso que não me dou com pacotes turísticos... 
Achei um bocado exagerado aquela coisa das grades...  Como se os nativos pudessem entrar e fazer mal às pessoas ou rouba-las. Que exagero!
As casas dos nativos, incluindo a casa onde dormi, não têm chaves, ou alguma forma de fechar a casa. Eu estive lá durante 2 dias com a minha mochila com documentos e algumas centenas de dólares comigo e nada aconteceu...

Pesca

Sai da Ilha de tarde, por isso tive que apanhar o barco turístico (o barco dos nativos só faz viagem de manhãzinha) e foi outra experiência totalmente diferente. Cheguei à Ilha num barco nativo e saí num barco turístico.
Os turistas gritam e batem palmas com a velocidade do barco. Uma turista acho que bateu com a cabeça no tecto e tivemos que parar. Vêem tubarões num aquário e gritam excitados. Os nativos chegam com peixe e eles tiram fotos e ficam super excitados. Lol! Que vergonha...
E depois ainda comentam entre eles coisas desagradáveis sobre os nativos.
Os nativos devem-se rir muito deles!









Isla Barú


20 min depois estávamos na Isla Baru, para passar lá uma horita de praia. Já me tinham dito que esta praia era muito turística. São só vendedores a impingirem coisas e muita gente na água.
Eu já estava muito cansada, por isso almocei um peixinho maravilhoso (com moscas de regalo) e estive na sombra.






À noite regressamos ao cais principal dos turistas em Cartagena e vim a pé até ao hostel onde tinha dormido inicialmente. Tinha lá deixado a minha mochila grande, para que não levasse muito peso para as Ilhas.
E pronto, dormi ali novamente. Muito cansada da praia e da rica experiência que tinha tido :-)

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Raquel Ribeiro. Com tecnologia do Blogger.