terça-feira, 19 de novembro de 2013

DIA 13 - Tayrona / Santa Marta

HÁ SEMPRE UMA HISTÓRIA CHEIA DE ADRENALINA NO ÚLTIMO DIA PARA CONTAR...

Bem, de manhã juntamo-nos 4 pessoas (eu, o francês, a dinamarquesa e uma alemã) e fizemos o percurso de regresso a Santa Marta: 2h a caminhar no parque e 1h de bus.
Não sabíamos, mas estava prevista uma manifestação em Santa Marta por causa de uma norma que saiu há uns dias. O que aconteceu foi que há cerca de uma semana dois homens numa mota assassinaram um homem e a filha noutra mota, em Santa Marta. Dizem que devem ser ajustes de contas, porque isto não acontece normalmente. Por isso a autoridade local proibiu que dois homens andem de moto. Claro, é ridículo... Por isso os locais manifestaram-se. Até porque isso prejudica muito as motos-táxi.
Quando estávamos a poucos km de Santa Marta ficamos parados na estrada. A polícia estava a tentar controlar a situação e só se via gente a atirar pedras e a fugir. Fizeram três linhas de fogo para cortar a estrada. Depois houve uma mota que escapou e um policia disparou. Fiquei mesmo com medo... O policia estava mesmo ao meu lado, do lado de fora do bus. Não sei se disparou uma bala, ou se seria uma bala de borracha ou outra coisa, mas fez barulho e assustou toda a gente. As pessoas começaram a fugir.
Mas passados uns 20 minutos a coisa ficou controlada e mandaram-nos seguir. A dada altura o bus não pode ir mais, porque a estrada estava cortada e toda a gente que estava no bus teve que sair e apanhar um táxi na rua, que desse a volta por outro lado.
Finalmente chegamos a Santa Marta!

Na realidade creio que não houve muito perigo. Há manifestações em todo o lado! Mas às vezes os ânimos exaltam-se e há pessoas que vão para o hospital...
E afinal tinha dado na rádio e televisão a notícia de que ia haver esta manifestação. Nós é que não sabíamos...

Chegados a Santa Marta, a dinamarquesa foi para Minca, o francês para Taganga e eu e a alemã fomos para o centro, porque íamos dormir lá.
A alemã tem cerca de 60 anos e está na Colômbia há 3 dias. Foi a Tayrona e depois ia ter com a filha a Barranquilla, para fazerem umas férias juntas. A filha está a fazer um estágio cá. Depois vão fazer o trilho da cidade perdida, que consiste em caminhar na selva durante 5 dias. Deve ser espetacular, mas é preciso uma boa preparação física, que não era o caso da senhora... Ela ainda estava a ambientar-se e eu acabei por ir com ela à agência onde ela tinha que pagar a viagem à cidade perdida, e ao hotel dela. Ela não estava a conseguir situar-se no mapa e depois ficava muito tempo a olhar para as coisas e a tentar perceber. E o problema não era a língua, porque ela falava muito bem inglês e percebia mais ou menos o espanhol. Ela estava mesmo bloqueada com a confusão da cidade. Deu-me medo ir com ela. Estava a ver quando ia ser assaltada, porque ela é uma senhora de 60 anos loura, de olhos azuis, com uma mochila enorme, um mapa, e super bloqueada. Um alvo fácil..

Nestes países caminho sempre com grande determinação. Mesmo que pareça que sou nova na cidade faço com que pareça que pelo menos sou colombiana e que me sinto à vontade. Mapas na mão e cara de admiração dão-nos sempre vulnerabilidade ;-)
Acabei por ir com ela procurar o hotel dela e depois fui à minha vida.

E pronto, o último dia antes da viagem foi estranho por isto... Algum medo, mas tudo acabou bem :-)

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2 comentários:

  1. partilho da tua teoria: andar sempre com determinação e com a confiança dos naturais é o maior segredo para andar em segurança! (e claro não ter "chamarizes" ajuda bastante... ;))

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Raquel Ribeiro. Com tecnologia do Blogger.