terça-feira, 5 de novembro de 2013

DIA 0 - Contextualização da Viagem à Colômbia + Galápagos

 "EL RIESGO ES QUE TE QUIERAS QUEDAR" 

Mais um desafio aí à porta... Desta vez um pouco mais arrojado do que São Tomé e Príncipe (Ver viagem a São Tomé e Príncipe)
Começou por um grande interesse em conhecer Cooperativas de Comércio Justo e depois por uma excelente promoção da Air France para a Colômbia. E foi assim que aqui vim parar...

Como sempre, tento aliar o turismo à parte social / voluntariado, mas desta vez o destaque será mais para a parte turística. Prevejo visitar apenas 2 cooperativas de comércio justo em locais diferentes. Estarei 2 semanas na Colômbia e 1 semana nas Ilhas Galápagos, o meu sonho de há alguns anos.

Itinerário da viagem:
. 7.Nov Visita ao CIDAC e Mó de Vida (Comércio Justo em Lisboa)
. 8.Nov Chegada a Bogotá
. 9.Nov Bogotá
. 10-13.Nov Eje Cafetero (Arménia, Salento, Valle de Cocora, Pereira)
Aqui vou passar 1 dia inteiro a visitar uma cooperativas de CJ (Comércio Justo)
. 14-15.Nov Cartagena de las Indias e Islas del Rosario
. 16-19.Nov Santa Marta, Taganga e Parque Nacional Tayrona
Estou ainda a tentar passar 2 destes dias num projeto de CJ que fica nas montanhas da Sierra Nevada, com uma comunidade de indígenas (Arhuacos)
. 20.Nov Quito (Ecuador)
. 21-25Nov Galápagos
. 26.Nov Quito
. 27.Nov Bogotá
. 28.Nov partida para Portugal
. 29.Nov às 14h05 chegada a Lisboa

É um itinerário bastante puxado tendo em conta que vou sem agência de viagens e que, com certeza, acontecerão muitos imprevistos...
Tenho as duas primeiras noites marcadas num quarto múltiplo de um Hostel em Bogotá e a partir daí é à aventura :)


Breve Introdução ao Comércio Justo:

As principais Organizações de Comércio Justo à escala internacional chegaram a um consenso relativamente à definição deste conceito:
“O Comércio Justo é uma parceria comercial baseada no diálogo, na transparência e no respeito, que procura uma maior justiça no comércio internacional. Contribui para o desenvolvimento sustentável ao oferecer melhores condições comerciais e ao garantir os direitos dos produtores e dos trabalhadores marginalizados — especialmente dos países do Sul.
As organizações de Comércio Justo têm um compromisso claro com o Comércio Justo, sendo esta a sua missão principal. Elas, suportadas pelos consumidores, estão activamente envolvidas no apoio aos produtores, em campanhas de sensibilização e de alteração das regras e práticas do comércio internacional convencional.
O Comércio Justo é mais do que apenas Comércio: prova que é possível uma maior justiça no comércio mundial. Sublinha a necessidade de uma mudança nas regras e práticas do comércio convencional e mostra como um negócio de sucesso pode também colocar as pessoas em primeiro lugar.”

(definição da WFTO - Organização Mundial de Comércio Justo)


No fundo é um modelo alternativo de comércio, que pretende ser justo para os pequenos produtores, dando-lhes margens justas daquilo que produzem e tendo menos intermediários no processo. Para além disso, para ter a certificação de comércio justo é necessário uma data de requisitos, nomeadamente na utilização de químicos na produção. Ao nível do desenvolvimento e educação, todas as crianças das cooperativas de comércio justo são obrigadas a ir à escola e é proibido o trabalho infantil. O dinheiro destas margens é reinvestido nas cooperativas para terem hospitais e escolas para as cooperativas. A produção do comércio justo acontece essencialmente nos chamados países de sul, em desenvolvimento, e muitas vezes estas pessoas não têm hipótese de irem a um hospital, porque estão isoladas.
Desta forma, quem compra produtos de comércio justo (em Portugal existem várias lojas) está a contribuir para uma sociedade mais justa, quer na perspetiva social, quer na perspetiva ambiental, e está a fomentar leis laborais mais justas, onde os trabalhadores não são explorados e trabalham com boas condições de higiene e segurança (para que não aconteçam desastres como naquela fábrica no Bangladesh).
Esta é uma explicação simples e muito básica do comércio justo. Daquilo que li existem essencialmente duas correntes deste tipo de comércio: uma mais tradicional e outra mais global / alternativa. Do que me apercebi, o Comércio Justo tem vindo a ter cada vez mais sucesso e o grande perigo é o da Indústria apoderar-se dele como uma mera ferramenta de marketing, desvirtuando-o, sendo importante agora democratizar o processo, dando esse poder ao produtores.

Estou muito curiosa depois de ler tanto sobre o tema. Esta viagem à Colômbia vai permitir-me fazer uma pequena ideia de como este comércio fantástico e justo se comporta no terreno, falar com as pessoas e tentar perceber o que pensam sobre este movimento, quais as suas principais dificuldades.

Será muito interessante se conseguir conhecer um modelo de trabalho que dê lucro e que seja de facto um modelo social, de e para as pessoas. 


10 princípios que devem seguir as Organizações de Comércio justo:
1)      Criação de oportunidades para produtores em desvantagem económica, ou marginalizados pelo sistema de comércio convencional;
2)      Transparência e responsabilidade
3)   Práticas comerciais justas
4)   Pagamento de um preço justo sobre os custos de produção (que permita uma produção socialmente e ambientalmente justa e responsável)
5)   Assegurar a ausência de trabalho infantil e trabalho forçado
6)   Compromisso com a igualdade de género e liberdade de associação sindical
7)   Assegurar boas condições de trabalho num ambiente seguro e saudável
8)   Facilitar o desenvolvimento de capacidades
9)   Promoção do Comércio Justo
10) Respeito pelo meio ambiente


Os produtos que se podem conseguir através do Comércio Justo são:
. Alimentação: café, chá, açúcar, chocolate, arroz, cereais, mel, frutos secos, bebidas, etc
Têxtil: moda, roupa
Papelaria: cadernos, lápis, etc
Artesanato, bijuteria, cosmética, etc

Mais informações sobre lojas de Comércio Justo em Portugal e sobre o movimento:



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2 comentários:

Raquel Ribeiro. Com tecnologia do Blogger.