segunda-feira, 12 de novembro de 2012

DIA 15 - Uma morte trágica...



Estive a uns centímetros da morte... Literalmente… Mas alguém esteve mais perto do que eu...
Realmente não temos mesmo a noção de que a linha que nos separa da vida e morte é muito ténue…

Logo de manhã fui fazer uma excursão ao sul da Ilha de S. Tomé, passando pela Praia Jalé, um ecoresort, a Praia Piscina, a Praia Pesqueira e à Roça de São João de Angolares, onde foi gravado o Programa "Na Roça com os Tachos". 
 
Acabou por se juntar um casal muito simpático, que eu tinha conhecido na aventura do dia anterior no Ilhéu das Rolas (VER POST "O fantástico imprevisto!)
Fomos os três mais o guia fazer esta excursão.
Quando estávamos sentados a almoçar, uma árvore começou a ranger. Começamos a olhar uns para os outros, quando o guia disse “é madeira!” e desatou a correr. Nesse momento gerou-se o pânico e toda a gente desatou a correr. Eu fugi atrás dele e encolhi-me debaixo de uma mesa com as mãos na cabeça. Depois do estrondo olhei para a nossa mesa e vi o senhor que estava em frente a mim, na mesma mesa, ferido, preso num buraco. Um ramo enorme, com diversos galhos, tinha caído por cima dele. Passado uma hora morreu nos braços da mulher, a caminho do hospital. É inacreditável... Incompreensível... Por segundos pensei que ia morrer e quando o pânico dá tréguas vejo o senhor enfiado pelo chão dentro. Nunca vou esquecer esta imagem, nem o apoio do guia e dos São Tomenses a socorrerem as pessoas. 

A mesa onde estávamos sentados...
Visto do lado oposto...
Este senhor, de 55 anos, fracturou uma perna, um braço, mas o problema foi o traumatismo craniano, que provocou hemorragia interna. Ele foi transferido para o Hospital Central de São Tomé, mas a meio da viagem já iniciaram a tentativa de reanimação. Foi horrível…
As horas seguintes foram passadas ao lado da mulher dele, Portuguesa, que tinha acabado de perder o marido numas férias em São Tomé.. Nunca vou esquecer aquele olhar desesperado. Parecia uma criança, ajoelhada aos meus pés, a pedir que ele voltasse.
Nessa noite consegui descansar 3 horas, antes do meu voo de regresso a Portugal. A minha missão naquele dia e noite eram com aquela senhora, que ficará para sempre no meu coração...
  
Gostava ainda de dizer que a senhora embaixadora foi de uma correcção e dedicação extremas, assim como todas as pessoas do Hospital Central de São Tomé. O guia que estava connosco teve uma intervenção extremamente rápida e fundamental, bem como as pessoas locais. 
Gostava também de dizer que estes acidentes ocorrem em qualquer lugar do mundo...

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Raquel Ribeiro. Com tecnologia do Blogger.