terça-feira, 30 de outubro de 2012

DIA 2 - Quanto mais próxima da terra estou, mais próxima quero ficar…

Cheguei à Missão das Neves e fiquei maravilhada com a casa e as pessoas.
Uma cidade, por estas bandas, é algo diferente daquilo que nós consideramos cidade… De qualquer das formas, vim preparada com toalhitas de bebé a pensar na desinfecção e na falta de papel higiénico e com imensas coisas de que afinal não vou precisar. 
Mas poucas horas depois, afinal isto não é assim tão esquisito, ou tão diferente… É como se já tivesse estado num sítio deste género… 


O grosso da população tem casas em madeira, feitas por eles, tão de paradisíacas como de pobres, sem canalização ou mesmo wc. Têm apenas latrinas e poderão ter tanques. As pessoas tomam banho nos tanques, nos rios ou no mar. Os animais e as crianças vivem e brincam na rua. As crianças vão e vêm da escola sozinhas, principalmente a partir dos 5 anos. Vão numa estrada onde até eu tenho medo. Esta malta é lenta a trabalhar, mas muito rápida a conduzir e a falar.
A estrada para Neves é entre montanhas e mar e há derrocadas de pedras a toda a hora, que cortam o trânsito. Pior é se caem em cima de um carro que vai a passar… Mas eles consideram que faz parte do risco de viver.
As crianças abordam-me na rua e chamam-me branca, visita e pedem-me para lhes tirar fotos. Os adultos também pedem às vezes e adoram ver como ficaram as fotos. Riem-se imenso e depois vêm atrás de mim a pedir mais fotos. 

Aqui, a rotina diária é bem diferente. Levantam-se às 5h45, almoçam às 12h00, jantam às 18h30 e deitam-se depois disso. Eu durmo na casa das Irmãs e almoço e janto com as jovens do Lar. Elas consideram que este intercâmbio de culturas é muito bom e promovem muito o contacto.

As pessoas são muito acolhedoras e maravilhosas. Não há receio de estar com elas, mesmo em grandes multidões.

Apesar de todas estas diferenças, afinal são muito menos do que eu estava à espera. São pequenas diferenças… a sensação que tenho, no final de um longo primeiro dia, é que era capaz de viver numa realidade destas… Não é desta forma que quero passar o resto da minha vida, mas é, com certeza, uma bela forma de se viver durante alguns meses ou anos. Apenas o tempo suficiente que nos permita valorizar o que realmente é importante e encontrar o nosso ponto de equilíbrio auto-sustentável de vida.

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Raquel Ribeiro. Com tecnologia do Blogger.